Milagres e Fantasmas – A Presidência Portuguesa da UE

Hoje tropecei nesta notícia sobre Portugal na imprensa internacional. Espantado? Não. Reparem no que apontam:

“The presidency spent €260,591 to equip a press center in Lisbon — even though the presidency’s press briefings are being held online and foreign journalists aren’t traveling to the Portuguese capital. It agreed to pay a wine company €35,785 for drinks — at a time when few people are gathering. And it signed a €39,780 contract to purchase 360 shirts and 180 suits — at a time when many people are working from home”.

Não foi Portugal que construiu um aeroporto internacional em Beja que está às moscas? O mesmo país que comprou dois maravilhosos submarinos (um que sobe mas não desce e um que desce mas não sobe).

Outra pérola que é estranha para um estrangeiro mas familiar para nós:

“To observers, one of the more baffling decisions the presidency made was spending hundreds of thousands of euros furnishing the press center in Lisbon, a city that has experienced a dramatic rise in new coronavirus cases this year. The public project was entrusted to a company that hasn’t obtained a public contract since 2011, and whose previous experience in public sector contracts involved organizing entertainment for village festivals“.

A empresa em causa é a Sociedade de Gestão e Marketing S. João S.A. São 260 mil euros. Especialista em actuações de Nuno da Câmara Pereira nos idos de 2008 e nas festividades de Nossa Senhora da Orada (Albufeira) em 2011. Isto segundo o site dos ajustes directos citado na peça. Como que por milagre renasceu em 2021 para “Adaptação de Instalações Módulo IV CCB para Centro de Imprensa” pela módica quantia de 260 mil euros. Um centro de imprensa fantasma, diz a peça internacional. Não é nada fantasma, é mesmo um milagre.

E uma empresa experimentada em trabalhos para a Nossa Senhora dos Remédios e com a Nossa Senhora da Orada  e que se chama S. João, é a ideal para tratar de milagres. Ai Portugal, Portugal….

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Há que manter o espectáculo quando se vende que mandamos nesta espécie de federação, afinal de contas. Mas os preços continuam um bocadinho, digamos, subsidiários.

  2. Filipe Bastos says:

    Obrigado, Moreira de Sá, pelas denúncias.

    Note-se o conformismo: já só encolhemos os ombros. Mas não só. Há no Aventar uma cumplicidade, ou pelo menos uma tolerância xuxa nada boa. Para não dizer repugnante.

    • Paulo Marques says:

      Porque, ao contrário dos perdões fiscais, faz parte do teatro dosprotocolos da coisa. Continuam a haver (video)conferências filmadas, o resto é o show-off pacóvio normal para uma reunião futura. Se o preço é certo ou os subcontratados são a melhor escolha interessava saber.
      Mas se é para falar do teatro dispensável, também há as outras partes do artigo, que nada dizem ao Fernando. Afinal, estes programas todos da EU são para quê?

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