Moedas, a nova vacina

O candidato Carlos Moedas afirmou que se ganhar as eleições em Lisboa vai criar um “Plano de Contingência para responder a futuras pandemias em Lisboa”. Nas suas doutas palavras:

“Não podemos voltar a ser surpreendidos. A cidade de Lisboa precisa de ter ao dispor dos lisboetas um plano de contingência sobre futuras pandemias que dê alguma previsibilidade, segurança e confiança social e económica”.

A coisa promete em Lisboa. Um disse que quer dar um abanão a Lisboa (e passados uns dias a natureza tratou disso). O outro continua entretido no papel de paineleiro na TVI e cicerone do PR e agora temos o Carlos Moedas a usar a actual pandemia para fazer um número eleitoral. Já só falta entrarem os cuspidores de fogo e os domadores de tigres. É que os malabaristas já estão a jogo.

O candidato Carlos Moedas sabe muito bem que o combate a uma pandemia não depende de uma estratégia local nem tão pouco de uma regional. Na próxima pandemia vai fazer o quê? Criar um cerco militar em redor de Lisboa e não entra nem sai ninguém, é isso? E mesmo assim, resulta? Claro que não. O problema é a velha ideia que isto é Lisboa e o resto é paisagem. Um plano de contingência para esta e futuras pandemias depende do todo nacional, europeu e até mundial. Como se está a ver (e a sentir no bolso de quase todos) de nada vale um país viver numa bolha (virtual, é certo) se o vírus continuar em força noutras paragens. Neste momento Portugal está melhor que a maioria dos restantes países europeus mas pouco ou nada muda na vida das pessoas, na economia do país porque o vírus continua forte na Europa e no resto do Mundo. É só uma questão de tempo até termos mais uma onda. Ou o “plano de contingência” de Moedas é vacinar todos os alfacinhas de uma assentada, nem que tenha de roubar vacinas aos seus vizinhos de Setúbal?

Deve Lisboa ter um plano de contingência? Claro que sim. Lisboa, Faro, Porto, Braga e qualquer outra cidade. É para isso que existe o pelouro da Protecção Civil nas autarquias. Aliás, planos não lhes falta. Planos, estudos, documentos estratégicos e tudo o mais.

Concluindo, vai ficar tudo bem. A vacina Moedas resolve.

 

(foto da euroactiv)

Comments

  1. Antonio Martinho Marques says:

    Tristeza e demagogia! Sugiro o slogane: “Com o Moedas terás salário e não darás quedas”. Já agora aproveito: “Com o Graciano, candidato do catano”!

  2. Rui Naldinho says:

    As pessoas, vulgo políticos, têm de trazer ideias novas. “Uma lufada de ar fresco”, dirão alguns bitaiteiros, para que no final fique tudo na mesma.
    Não há uma Lisboa dos lisboetas. Há sim uma Lisboa dos imensos interesses imobiliários e negócios adjacentes que por ali gravitam. O resto é tudo conversa da treta.
    Já algum candidato à Câmara Municipal de Lisboa defendeu com unhas e dentes a construção do novo aeroporto que sirva a imensa área metropolitana, em Alcochete?
    Jamais (jamé)!
    Já algum candidato à Câmara Municipal de Lisboa defendeu a transferência de uma enormidade de instalações militares aí existentes, para os concelhos limítrofes da capital, aproveitando essas estruturas para as requalificar como habitação a preços controlados pelo Estado, evitando a especulação?
    Jamais (Jamé)!
    Como estas podia citar outras tantas. A maior parte dos nossos políticos não passam de uns oportunistas. Maioria das vezes com um discurso populista, alimentado por este big brother em que se tornou a alternância PS // PSD, onde a CS faz o seu papel de serviçal.

  3. POIS! says:

    Pois desculpe, mas…

    Cuspidores de fogo é mais no Porto.

    Já domadores, esses sim, é em Lisboa. Trabalham mais com leões e águias. Para não dizer mais, o Campo Grande, está cheio desses bichos, que transbordam até à segunda circular.

    A surpresa é que são os leões que agora estão em cima das árvores, aparentemente querem levantar voo. As águias, por sua vez, devem estar a aprender a andar mais rasteirinho. Sinais dos tempos.

    Se quer dar mesmo trabalho aos domadores, o Moedas vai ter mesmo de importar os tigres. Não deve ser difícil: abundam em Espinho e têm uma presença significativa em Almeirim. O pior é assegurar a alimentação, à base de sopa da pedra com sardinhas. Talvez a Goldman Saques dê uma ajuda.

  4. Luís Lavoura says:

    de nada vale um país viver numa bolha (virtual, é certo) se o vírus continuar em força noutras paragens

    Não é bem assim. Países que combateram o vírus com sucesso estão atualmente a viver em bolhas (não virtuais, bem reais). Nomeadamente, a Austrália, a Nova Zelândia, a China. Em todos esses países, ninguém entra (a não ser nacionais). Ou então, entram e são submetidos a uma quarentena rigorosa (ou seja, fechados num quarto de hotel com a porta trancada).

    Se Portugal tivesse seguido política semelhante, não teria recebido a primeira vaga (que veio de Itália), nem a segunda (que veio dos turistas que cá passaram o verão), nem a terceira (que veio com os portugueses que foram passar o Natal a Inglaterra e que de lá trouxeram o vírus inglês).

  5. estevesayres says:

    Quando Moedas era secretario de estado do governo de traição nacional (PSD/CDS) de Passos e Portas/Cristas

    Moedas, um secretário de estado fora de prazo

    Carlos Moedas, o unineurónio secretário de estado adjunto do primeiro-ministro, foi a Madrid botar discurso. Afirmou esta iluminária que “Portugal é a prova de que os défices não geram crescimento” e que “não são os gastos exponenciais que estimulam a economia”, para concluir que “se aceitarmos que o euro merece o esforço, precisamos de nos focar na solução e não no problema”.

    Ainda segundo esta personagem, “o modelo económico em Portugal tem beneficiado as grandes empresas e dificultado as pequenas, ágeis empresas”, tendo “… o Governo … de trabalhar para criar um nível de igualdade de condições”, escamoteando que tal se deve a uma agenda ideológica a que este governo aderiu e que se baseia no acelerar das condições para uma mais forte acumulação capitalista, mais centrada nos grandes grupos económicois e financeiros, mais focada na privatização dos activos e empresas estratégicas. Por isso, não faltam recursos para os primeiros e para os pequenos e médios empresários se aponta o caminho da falência e da destruição das forças produtivas.

    Mal comparada, a imagem que melhor representa o que estas afirmações encerram é a do indíviduo que, com uma tremenda dor de dentes, segue o conselho “amigo” de que, se der uma martelada no dedo indicador, passa a ficar com uma dor no dedo, é certo, mas a dor de dentes passa. Claro que, o imbecil que estes conselhos “amigos” segue, desperta rapidamente para a relidade de que, afinal, passou a ter uma dor no dedo indicador e a de dentes manteve-se ou agravou!

    Esta “brilhante” criatura é sistemáticamente utilizada, à vez, quer pelo traidor Coelho, quer pelo monocórdico Gaspar, para vir, num tom coloquial, demonstrar o indemonstrável. Que é possível pagar uma dívida, da qual cuidadosa e cirurgicamente se esconde a quem se deve, quanto é que se deve e porque é que se deve e, ao mesmo tempo, gerar crescimento, emprego e regular funcionamento de todo uma infraestrutura de “prestações sociais” que vão do acesso à saúde à educação, do subsídio de desemprego às reformas e pensões, passando por assegurar rendimentos mínimos a quem não possui emprego ou qualquer outra fonte de rendimento.

    Basicamente, o que, em nome deste governo de traição nacional PSD/CDS, defendeu o Moedas, uma vez mais, em Madrid, é que os trabalhadores e o povo português devem ajoelhar perante um mecanismo através do qual a tróica germano-imperialista dá sustentabilidade a um chorudo negócio que gera fabulosos lucros, devido às taxas de juros agiotas que praticam os grandes grupos financeiros e bancários – sobretudo alemães -, à custa da colonização de países terceiros e de um empobrecimento brutal dos seus povos.

    O que Moedas tenta fazer é esconder o Sol com uma peneira. Para além de estarem a obrigar, através do roubo dos salários e do trabalho, do confisco de subsídios de férias e de natal, dos sucessivos cortes nas “prestações sociais”, da dificultação do acesso do povo à saúde e à educação, etc., a um inaudito empobrecimento do povo, é impossível, mesmo do ponto de vista da “lógica” capitalista, pagar dívidas com uma taxa de juro de 5, 6% e mais de juros, quando está prevista uma recessão da economia de 2,3% ! Para que tal ocorresse, ainda segundo esta “lógica”, a economia teria de estar a crescer, no mínimo, a taxa idêntica aos juros que se pagam.

    E, tanto assim é que, desde que se iniciou o programa de “resgate” a que Portugal foi sujeito, desde que PS, PSD e CDS firmaram com a tróica germano-imperialista um memorando de traição aos interesses do povo português, que a dívida não cessa de aumentar, o déficit se agrava, as condições de vida do povo se agravam e a nossa soberania nacional foi completamente esfrangalhada.

    Pode o Moedas construir os “castelos de areia” que quiser. Os trabalhadores, o povo português já não se deixam iludir por este tipo de receitas. Para eles é cada vez mais claro que a solução, a saída que melhor serve os seus interesses, passa pelo derrube deste governo, pela expulsão da tróica germano-imperialista e pela suspensão imediata do pagamento da dívida e dos juros.

    Não é possível servir dois senhores: o negócio da dívida que satisfaz os grandes grupos financeiros e bancários e o bem estar, a dignidade e a independência de um povo e de um país!

    Publicado em 20.03.2013 Luta Popular online

  6. estevesayres says:

    Mais um excelente artigo, sobre Moedas, existem mais, vou deixar que ele diga mais umas tantas bacorada, sobre as sua posições pessoais e politicas para os Lisboetas, pelos visto ainda não apreender com os erros, de votar em gente que ao longo dos anos tem sido responsável por tudo o que está acontecer, não só em Lisboa mas em todo o País…

    A democracia musculada do comissário Moedas para a UE

    Liberdade e dinheiro sim…mas só para os amigos de Merkel e Juncker

    Carlos Moedas foi Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro durante grande parte do governo de Passos e Portas, fruto de uma coligação entre a direita e a extrema direita, tutelado por Cavaco Silva.

    Como prémio ao seu mais profundo e trauliteiro reaccionarismo, como prebenda ao facto de se ter apresentado como lídimo defensor da execução do “Memorando de Entendimento” que levou à ocupação de Portugal por uma tróica germano-imperialista que capturou a sua soberania e vendeu ao desbarato os seus activos mais importantes para satisfazer o pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, este energúmeno viu-lhe ser atribuída, por Jean Claude-Juncker, em Setembro de 2014, a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, ficando o Comissário Moedas responsável pelo programa Horizonte 2020.

    Este notório bajulador e vende-pátrias, que se vendeu pelas 30 moedas da traição ao directório da UE, contra os interesses da classe operária e do povo português, e contra a soberania de Portugal, veio agora – em coerência com o seu percurso fascitóide – revelar a sua mais profunda indignação pelo facto de a UE estar a subsidiar organizações e partidos “que têm como agenda destruir o próprio Parlamento Europeu”.

    Ou seja, Moedas, tal como Marcelo e outros deslumbrados com as virtualidades da União Europeia , acham que deve ser vedado o direito à opinião e, mais do que isso, à participação, divulgação e proposta de programas e pontos de vista de todos aqueles que considerem que o euro e a UE funcionam como garrotes para economias mais frágeis como as de Portugal, criando condições para que se transformem em sub-colónias do imperialismo europeu, sobretudo do imperialismo germânico.

    Daqui até à proibição da participação em qualquer acto eleitoral – nacional, regional ou autárquico – de formações partidárias e políticas inconvenientes para a unidade europeia que tanto incensam, vai um passo. Tanto mais facilitado, quando assistimos à total impunidade com que os órgãos de comunicação social, segundo critérios jornalísticos profundamente anti-democráticos, se arrogam o direito de excluir dos debates que organizam os partidos e candidatos que não estão com o sistema.

    08ABR19 LJ

  7. estevesayres says:

    Mais um excelente artigo, sobre Moedas, existem mais. Vou deixar que ele diga mais umas tantas bacoradas, sobre as sua posições pessoais e politicas para os Lisboetas, pelos visto ainda não apreender com os erros, de votar em gente que ao longo dos anos tem sido responsáveis por tudo o que está acontecer, não só em Lisboa mas em todo o País…

    A democracia musculada do comissário Moedas para a UE

    Liberdade e dinheiro sim…mas só para os amigos de Merkel e Juncker

    Carlos Moedas foi Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro durante grande parte do governo de Passos e Portas, fruto de uma coligação entre a direita e a extrema direita, tutelado por Cavaco Silva.

    Como prémio ao seu mais profundo e trauliteiro reaccionarismo, como prebenda ao facto de se ter apresentado como lídimo defensor da execução do “Memorando de Entendimento” que levou à ocupação de Portugal por uma tróica germano-imperialista que capturou a sua soberania e vendeu ao desbarato os seus activos mais importantes para satisfazer o pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, este energúmeno viu-lhe ser atribuída, por Jean Claude-Juncker, em Setembro de 2014, a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, ficando o Comissário Moedas responsável pelo programa Horizonte 2020.

    Este notório bajulador e vende-pátrias, que se vendeu pelas 30 moedas da traição ao directório da UE, contra os interesses da classe operária e do povo português, e contra a soberania de Portugal, veio agora – em coerência com o seu percurso fascitóide – revelar a sua mais profunda indignação pelo facto de a UE estar a subsidiar organizações e partidos “que têm como agenda destruir o próprio Parlamento Europeu”.

    Ou seja, Moedas, tal como Marcelo e outros deslumbrados com as virtualidades da União Europeia , acham que deve ser vedado o direito à opinião e, mais do que isso, à participação, divulgação e proposta de programas e pontos de vista de todos aqueles que considerem que o euro e a UE funcionam como garrotes para economias mais frágeis como as de Portugal, criando condições para que se transformem em sub-colónias do imperialismo europeu, sobretudo do imperialismo germânico.

    Daqui até à proibição da participação em qualquer acto eleitoral – nacional, regional ou autárquico – de formações partidárias e políticas inconvenientes para a unidade europeia que tanto incensam, vai um passo. Tanto mais facilitado, quando assistimos à total impunidade com que os órgãos de comunicação social, segundo critérios jornalísticos profundamente anti-democráticos, se arrogam o direito de excluir dos debates que organizam os partidos e candidatos que não estão com o sistema.

    08ABR19 LJ

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