Que descanse em paz

Enquanto autarca, Jorge Sampaio bateu-se pelo fim das barracas na sua cidade. Teve quase sempre uma postura discreta mas concreta em acções de solidariedade. Timor deve-lhe também muito. Soube várias vezes mobilizar pessoas de diversas áreas e perfis e foi um dos poucos (se calhar dos últimos) capaz de buscar o consenso, fazendo-o de forma sensata e sem espalhafato. Mais haveria a realçar, mas fico-me por aqui.

Sobre a “bomba atómica” de 2004, eu não consigo reduzi-lo a esse episódio, apesar de marcante. E acho triste que persista uma cultura de se analisar a espuma e sem foco nos responsáveis. Nem vou mencionar o facto inegável de que o governo de Santana estava podre na governação e frágil na opnião pública.
Sampaio merece algumas críticas sobre esse período, mas não a fatia de leão da responsabilidade.
Porque Sampaio não tem culpa de que o aparelho do PS não quisesse Ferro Rodrigues para PM.
Mas o pior e acima de tudo: não foi Sampaio que fugiu (fugir o verbo) para Bruxelas!
É o que é. E 2004 não é só o que Sampaio foi. Paz a sua alma.

Comments

  1. Filipe Bastos says:

    E acho triste que persista uma cultura de se analisar a espuma e sem foco nos responsáveis.

    E o que é a espuma, Franzini? Demitir um governo quatro meses após dar-lhe posse? Porquê? Por incompetência? Por negligência, ineptidão, inidoneidade? Acho lindamente, mas então que governos não seriam demitidos? Acha que algum?

    Sampaio sabia bem ao que ia. Se as eleições tivessem sido antes o reles Ferro, com a Casa Pia às costas, podia não vencer ou vencer por menos, apesar do desastre Santana-Portas. O Trafulha sim. Foi por isso, e por nada mais, que Sampaio correu com Santana.

    Como não incluir Sampaio entre os responsáveis? Quantas décadas andou pela política, pelos sofás do poder, pelo partido do regime?

    Foi mais que 2004? Timor e barracas? Gerava consenso? Pois com certeza, um tachista sonso é facilmente unânime. Escolhe causas PC. Não faz ondas. E melhorou de facto a habitação: até lhe deram um palácio. Nada como um palácio para identificar um socialista.

    • POIS! says:

      Bastos, woke!

      Sampaio, cancelado!

      Mais um prensado por um pesado imóvel! É bem feito!

      • Filipe Bastos says:

        Pois leia o comentário abaixo do Abstencionista: está lá o essencial. Acrescento duas coisas.

        1) A fuga do Burroso para o eurotacho foi uma traição, mas, verdade seja dita, se tivesse ficado seria também mau. Era uma situação lose-lose: com o Burroso perdíamos sempre.

        2) Claro que o Sempaio devia ter convocado eleições. Logo. Não oito meses depois, quando dava jeito ao Trafulha. Mas, verdade seja dita, o resultado nunca seria bom. Santana, Ferro, Trafulha… outra vez lose-lose.

        Já agora. O Abstencionista claramente não é parvo, v. também não. Deviam evitar as intermináveis trocas de insultos pueris. Fica-vos mal.

        • POIS! says:

          Pois tá bem!

          V. Exa. deveria ter visto é quem começou os insultos. E eu só respondo quando o Abstencioneiro quando resolve marrar onde não é chamado.

          Não me responda a mim sobre isso. Responda ao sostro, se quiser moralizar a coisa.

          Acha que eu sou algum avençado do PS, ou do Sócrates, etc. etc.? Vá, diga lá a verdade!

          Além do mais, se eu chamasse aqui proxeneta ao seu pai só porque não gosto dos seus comentários, V. Exa. ficava-se assim, sem mais?

          • POIS! says:

            Desculpe o “V. Exa”. Foi engano.

            Só uso para quem não merece consideração.

          • Filipe Bastos says:

            Deveria ter visto é quem começou os insultos.

            E interessa? Se um gaiato lhe chamar nomes e tirar macacos do nariz, v. faz o mesmo?

            Uma ou outra picardia pode ter piada, mas tantas e tão estéreis lembram um recreio da 3ª classe.

          • POIS! says:

            Interessa sim!

            E também interessam as aldrabices com que tenta diminuir os outros.

            Já para não falar dos “plágios” e do “proxeneta”. Já o avisei, aliás, para não sair á rua em dia de trovoada. Arrisca-se a apanhar com um raio pelo cu acima.

            Não me diga agora que tenho de tratar polidamente um energúmeno desta estirpe.

          • Abstencionista says:

            “Acha que eu sou algum avençado do PS, ou do Sócrates, etc. etc.? Vá, diga lá a verdade!”

            ………//…………

            “POIS! says:
            10/09/2021 at 23:12
            1 1 Rate This

            Esquece-se que eu tenho de trabalhar.

            Ou o Abrantes não me paga a avença. Tenho que lidar o Abstencionista para ele não botar discurso moraleiro.

            E estou mesmo a ultrapassar os objetivos. Vem aí avença-prémio pela certa! Caraíbas, estou a caminho!”

            eheheheh

          • POIS! says:

            Pois bem, ó Abstencioneiro (ou outro analfabeto franchisado)…

            Continue a marrar! Está quase!

            Aqui em Nassau está tudo em pulgas á espera da estreia de V. Exa. no Campo Pequeno!

            A malta aqui nas Bahamas é muito aficionada. Está tudo a torcer por V. Exa. no confronto com os Forcados Amadores do Montijo. Nas bolsas de apostas V. Exa. está cotado de 1 para 2, enquanto que para os Amadores do Montijo as odds são de 1 para 20!

            E, pelos vistos, continuo a cumprir os objetivos. Já pedi aumento ao Abrantes.

            A propósito: ele manda-lhe cumprimentos. Está com saudades de V. Exa. lá nas sessões dos Psicopatas Anónimos. Mas compreende que V. Exa. agora está ocupado noutras vidas mais tauromáquicas.

        • POIS! says:

          Esquecime, pois…

          De agradecer ao Abstencioneiro (cheira-me a rebento franchisado…) ter-me citado. É uma grande honra.

          E também revelou V. Exa. ser de uma inteligência superior, ao apanhar-me em contradição.

          Fui apanhado, tenho de confessar! Não sei como irei aguentar tamanha desonra!

          A única saída, enfrentemos a realidade, será o suicídio.

          Ou pior! A leitura compulsiva das alarvidades Abstencioneiras! Simplesmente horrível!

          • POIS! says:

            Pois voou um hífen, na primeira linha! V. Exa. viu-o por aí? Ou já o comeu? É uma coisa assim: -.

    • João L. Maio says:

      Um palácio?

      Com todo o respeito, e não me alongando, conheço melhor a família Sampaio do que o Bastos. Não venha com acusações pífias sobre algo que mal conhece.

      O Bastos deve ser franciscano. Fez um voto de pobreza e vive, ainda, numa dessas barracas.

      • Filipe Bastos says:

        e não me alongando…

        Pois alongue-se, Maio: v. é que está a refutar algo público – o Sampaio recebeu o gabinete, pago por si e por mim, na chique Casa do Regalo, na Tapada das Necessidades.

        Notou um visitante: “Serve de gabinete do ex-presidente Jorge Sampaio. Não está aberta ao público. Excelente restauro e adaptação exterior. Pena o resto dos edifícios (estufa, canil de D. Carlos, mãe-d’água, casa de fresco, etc) não beneficiarem do mesmo investimento”…

        Mas ainda bem que aparece: como especialista em Sampaio talvez possa esclarecer por ex. a sua biografia gentilmente patrocinada pela Fundação Oriente, FLAD, Univ. Nova, a PT de Bava e… a Mota Engil? É que o Observador não conseguiu saber nada: nem motivo, nem valores.

        Ou a célebre Fundação Cidade de Guimarães, pródiga em mamanço para boys e girls, incluindo o ex-assessor dele, salários de 14.000€ e senhas de 500€ por reunião?

        Isto além, claro, dos 300.000€ anuais que custa cada ex-presidente, do Eanes à Múmia Cavaca? Fora as obras que custam os seus chiques gabinetes?

        Sabe quanto custa pagar os impostos que estes pulhas assim estouram? Eu sei. Se quiser alongo-me sobre isso.

  2. Abstencionista says:

    Caro Franzini, normalmente estou de acordo consigo.

    Desta vez discordo do essencial do post, ou seja, aquilo que v/ considera um pecado venial eu considero um pecado mortal.

    Refiro-me a que Jorge Sampaio, PR, tem a sua vida política marcada de forma altamente negativa “pela bomba atómica de 2004”.

    Repito, não é um pecado venial…é um pecado mortal!

    Recordemos sucintamente o antes e o depois da “bomba atómica”:

    Durão Barroso trai, repito, trai os portugueses quando foge para Bruxelas.

    Jorge Sampaio considera “prestigiante” a fuga de Barroso e “vantajosa para o país”, em vez de denunciar essa traição.
    (Abstenho-me de comentar o “prestigio” e as ” vantagens” que o país obteve por estas serem evidentes.)

    Jorge Sampaio, como político experimentado, conhecia Santana Lopes de ginjeira, ou seja, sabia que o tipo falhava em tudo o que se metia.

    Perante este cenário, o democrata Sampaio só tinha uma posição para servir o país: convocar eleições para substituir o fugitivo.

    O que fez Sampaio? Nomeou Santana e deixou-o apodrecer abrindo a janela de oportunidade para o pior do PS que trazia atrelado o trafulha.

    Jorge Sampaio conhecia o trafulha, tal como conhecia o Vara que expulsou, crédito lhe seja feito, do governo de Guterres.

    Colocou desta forma os interesses partidários acima dos do país, com as consequências conhecidas.

    Que Deus lhe perdoe!

    • Paulo Marques says:

      Os interesses partidários… da direita a vociferar contra o golpe de estado em preparação, porque acham que temos memória de elefante.

  3. Tal & Qual says:

    Quando é que o Bostas vai ladrar para outro lado ?

  4. JgMenos says:

    Como ele não acreditava que tivesse alma, os votos de paz à sua alma são um despropósito.

  5. Filipe Bastos says:

    Bem, já se previa um dia cheio de Sampaio – sempre teve o mais alto tacho (público) da nação – mas não esperava tanta histeria: apesar de tudo, Sampaio não era Chulares.

    Vi há pouco um telejornal só dedicado ao tema, a dar-nos ‘directos’ do Museu dos Coches, onde está o corpo, e a explicar o percurso do corpo pela cidade, como e onde e quando, a lembrar as perseguições ao autocarro da ‘nossa’ selecção de futeboleiros.

    Nestes momentos confirmamos que o PS não é só o principal partido do regime: o PS é o regime. E foi bom estar lá a TV; mostrou a quase completa indiferença geral. Tal como na morte de Chulares, o ‘povo’ está-se nas tintas. Só o regime os lamenta.

    Melhores momentos: o repórter-lacaio lá encontrou um cidadão, um jovem, a chorar o Sampaio. Um jotinha, claro.

    E o melhor elogio que ouvi foi do Pedro Nuno ‘Maserati’ Santos: “Jorge Sampaio – um socialista, não daqueles socialistas só de cartão, um verdadeiro socialista!”. Bravo.

    Entre o Maserati, o Porsche, o palácio e as subvenções vitalícias, finalmente o verdadeiro socialismo. Custou mas conseguimos.

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