Brexit, in theatres

Isto não tem paralelo. Pelo menos na história recente de um reino que é uma potência cultural, económica, militar e, não menos importante, democrática. Não tem. O Brexit foi há dois dias, e os efeitos já se fazem sentir, muito antes do que era expectável, pelo menos para mim. E para muitos outros. E surpreende-me, com toda a sinceridade, a quantidade de negacionistas deste desastre em curso. A quantidade de pessoas que acredita, verdadeiramente, que a escassez de combustíveis e as filas para os postos de abastecimento são uma encenação. Que as prateleiras vazias em inúmeros supermercados são montagem. Que a falta de mão de obra em vários sectores é fake. Que os militares nas ruas a substituir camionistas é algo que nunca aconteceu. O Reino Unido não se vai dissolver, apesar das ameaças dos descendentes de William Wallace, nem se vai transformar num Estado falhado. O UK é too big to fail. Mas que isto é muito grave, e inimaginável há poucos anos, e um dos maiores embaraços da história deste país, é.

Chegou-se a este ponto. Ao ponto de ser necessário abater 120 mil porcos saudáveis, todos os 120 mil impróprios para consumo, porque faltam trabalhadores. Porque os imigrantes que foram demonizados durante a campanha negra do Brexit já não entram ou foram embora. E não há, entre os súbditos de sua majestade, quem queira ocupar as vagas abertas. Na volta anda tudo agarrado ao RSI lá do sítio. Deve ser isso.

Comments

  1. Carlos Almeida says:

    O liberalismo no seu explendor

    • Luís Lavoura says:

      Não há aqui liberalismo nenhum. Liberalismo seria Boris Johnson dar aos imigrantes estrangeiros a liberdade de entrar em Inglaterra e nela trabalhar. O que Bois Johnson está a fazer é precisamente o contrário do liberalismo.

  2. Paulo Marques says:

    Isso não é bem do Brexit, é de um Brexit conduzido por um partido que se borrifa para governar (como apregoam muitos liberais e “esquerdistas”), com uma oposição com um programa de vibes preocupada em limpeza interna à espera que o poder lhe caia, num país amaldiçoado em que a maioria sabe que é uma merda, mas é uma merda só para eles.
    Não governar é uma escolha. Mas governar mal também, apesar de melhor, e o resto dos países ricos não está assim tão diferente. A “pausa” (ou o fim da emergência) também afecta outros locais, como vemos nos nossos hospitais, restaurantes, outros FP, e provavelmente noutros locais que ainda não se fala, onde está tudo farto da falta de futuro. Aliado às crises da extrema-globalização e das moratórias que não podem durar sempre, vêm aí tempos interessantes, e atirar dinheiro para a economia não chega.

  3. luis barreiro says:

    Aqui na Inglaterra a causa é bem conhecida, a pandemia e o lockdown que fechou empresas e obrigou a despedimentos, aí em Portugal os que comem gelados com atesta tentam mentir afirmando que a causa é o brexit, nem devem saber nada sobre as leis laborais daqui.

    • Imperador da Pontinha says:

      Parece que também existe um problema com as empresas inglesas produtorá de gelados… não conseguem dar resposta a tanta testa…

    • Carlos Almeida says:

      “aí em Portugal os que comem gelados com atesta tentam mentir afirmando que a causa é o brexit, ”

      Aí está o argumento com muita força, dos que não têm outro argumento : tentar chamar estúpidos aos outros

      As noticias de que os motoristas e não só, Polacos, Ucranianos e outros, tiveram que sair do UK começaram antes do Covid19, e a causa foi o Brexit, que é a ideologia do “orgulhosamente sós”, doença que por cá passou também, mas há mais de 50 anos, no tempo da outra senhora, pessoa muito estimada de certo pelo Sr Barreiro

      Infelizmente para os “beefs” e assimilados, as noticias da incompetência do Governo conseguem sair do Império de Sua Magestade.

      Eu leio essas noticias nos orgãos de informação da UK

      Mas continuem assim, que estão no bom caminho


    • “Aqui na Inglaterra a causa é bem conhecida, a pandemia e o lockdown que fechou empresas e obrigou a despedimentos”

      Nesse cenário o mais logico seria o UK ter uma massa de desempregados dispostos a aceitar qualquer emprego a qualquer preço.
      Mas não é isso que está a acontecer, pois não?

      • POIS! says:

        Não faça perguntas tão difíceis! O barreiro vai começar a processar ainda hoje e daqui a seis meses conta responder-lhe.

        De qualquer modo, qualquer desempregado lá no UK pula de contente por ter sido despedido por causa da pandemia e não por via do “Brexit”. Isso é que seria mau!

    • Luís Lavoura says:

      a causa é bem conhecida, a pandemia e o lockdown que fechou empresas e obrigou a despedimentos

      Se a causa é essa, porque é que ela afeta Inglaterra e não afeta outros países? Porque é que em Inglaterra houve despedimentos e nos outros países não houve? Porque é que faltam trabalhadores em Inglaterra mas não faltam alhures?

      A diferença é que os trabalhadores que foram despedidos em Inglaterra eram estrangeiros que voltaram para os seus países de origem e agora não conseguem, ou não querem, regressar a Inglaterra por causa do Brexit.

      O mal de Inglaterra é que ela pretende impedir a livre circulação de trabalhadores. Pretende impedir (e impede) polacos e romenos de trabalhar em Inglaterra.

    • Paulo Marques says:

      Lockdown? Em Inglaterra? Pfft. Comparado com boa parte da eurolândia? É para rir?

  4. luis barreiro says:

    A vara sabe perfeitamente que devido ao brexit os portugueses continuam a trabalhar no Reino Unido e são esporádicos os casos de regresso a Portugal, mas para os casos dos polacos já é o brexit. comam um cagalhão.

    • POIS! says:

      Pois não, não se incomode!

      Mas agradecemos a V. Exa. a sugestão gastronómica, partilhando o que lhe dá tanto prazer à mesa. Só que a malta dispensa.

      Registamos também que V. Exa, ao contrário de muitos, sabe perfeitamente o que se passa. Não nada na ignorância. Afunda-se é na verdade!

    • Imperador do Brexit says:

      Percebi. Como as fábricas de gelados não dão resposta passaram a comer cagalhões com a testa! Sempre inventivos…

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