Depois queixem-se porque a extrema-direita instrumentaliza estas merdas e cresce

Em poucos dias, dois casos chocantes num país que figura entre os mais pacíficos do mundo. O mais grave, porque resultou na morte de um jovem de 23 anos, aconteceu na noite de Sábado para Domingo, no Porto. Um grupo de três delinquentes franceses, um dos quais com residência na cidade, agrediram violentamente a vítima na Rua Passos Manuel, deixaram-na inconsciente na via pública, e o jovem acabou por falecer no hospital. Foram detidos, mas, aparentemente, apenas um ficou em preventiva. Pelo meio, ainda fizeram um vídeo para as redes sociais, gozando com a situação. Menos do que pena máxima para estes três criminosos será um insulto à morte da vítima. E, é meu entendimento, 25 anos de cadeia para um assassino que se vangloria pelo feito peca por escasso. Por mim ficavam lá para sempre, a fazer vídeos com sabonetes.

O segundo caso é um clássico da boa velha violência nocturna. E o vídeo das câmaras de segurança não deixa margem para dúvidas. Mesmo que a vítima do delinquente que fazia segurança na discoteca (ou que, como é afirmado em alguns OCSs, estivesse ali como cliente) o tivesse insultado, o nível de brutalidade daquela agressão, digna de um homem das cavernas de moca na mão, é um claro indicador de que o delinquente não tem condições para trabalhar como segurança ou sequer para viver em comunidade, motivo pelo qual deve ser encarcerado longos. Mas não é só o delinquente que deve ser penalizado. Também a discoteca Club Vida deve sofrer as consequências por permitir um acto daqueles no seu estabelecimento, com parte do staff a assistir às agressões sem mexer uma palha. O regime de impunidade em que operam muitos seguranças de estabelecimentos nocturnos deste país tem que acabar.

Dito isto, é preciso reflectir sobre estes dois casos e sobre o que nos falta para que Portugal seja um país ainda mais seguro, para todos, e não apenas para os residentes das zonas onde habita a alta sociedade. Faltam leis mais duras para crimes violentos (e para outros, mas é de violência que estamos a falar) e falta, sobretudo, mais policiamento nas ruas, mais meios materiais e humanos para as forças de segurança e mais autoridade, para não falar nos salários de merda que os agentes da PSP e da GNR auferem, e que não motivam nem tornam a profissão particularmente atractiva. No concelho da Trofa, com cerca 40 mil habitantes, existe apenas uma esquadra da GNR, bastante degradada e com poucos operacionais mal equipados. E isto é a regra, não a excepção, neste país. Há dias, eram umas cinco da manhã, estava um grupo de imbecis na minha rua, com as portas do carro abertas a bombar uma azeiteirice qualquer para a rua toda ouvir. Liguei para a GNR e pedi que fossem lá mandar os gajos baixar o azeite. Disseram-me que só tinham um carro patrulha que estava do outro lado do concelho, e que teria que esperar. Um concelho, 40 mil habitantes, um carro de patrulha. Depois queixem-se porque que a extrema-direita instrumentaliza estas merdas e cresce.

Comments

  1. JgMenos says:

    Logo virá quem diga: ‘Tadinhos… não tiveram aulas de Cidadania!’

  2. Paulo Marques says:

    Tendo em conta o membro da GNR pacificamente a assistir, uma limpeza naquilo também ajudava. E podiam-se arranjar uma fusãozinha que não os pusesse a contaminar cenas do crime só para serem os primeiros a mostrar serviço – uma reportagem da SIC foi demolidora, posso ir procurar.
    Isto para dizer que, nos moldes em que existem, não é só atirar dinheiro que se resolve o que nenhum ministro quis tocar, que continuaria a apodrecer na mesma se o material não fosse uma miséria.
    E sobre seguranças, e ministros, o trabalho do Fumaça é qualquer coisa. Apesar da série iniciar com o caso de discriminação, que nem todos querem aturar, a coisa diverge, e piora, rapidamente; e ninguém fica bem na foto. Ninguém.

    • JgMenos says:

      GNR e polícias só têm que ter prudência, ou caem-lhes em cima co m violência policial ecomo medida mínima.

      A ‘doutrina dos coitadinhos’ só não se aplica a portugueses de bem.

  3. Filipe Bastos says:

    Na discoteca, a apatia / cumplicidade da GNR choca tanto ou mais que o segurança-troglodita. Lembra um episódio há semanas em Reguengos, onde um bêbado atropelou uns tipos enquanto os bravos da bófia assistiam embevecidos.

    O Mendes diz que são mal pagos, o Marques fala numa limpeza. Talvez tenham ambos razão: limpar a polícia e pagar-lhe melhor? Mas… com que dinheiro, se primeiro está a Banca, os ‘mercados’, toda a boyzada xuxa e respectivas ‘iniciativas’?

    A extrema-direita, como lhe chama o Mendes, usa isto. Claro.

    Para o Centrão, só é problema se afectar os ricos mamões que lhes pagam. Para o BE e afins, só se a vítima for negra, gay ou trans. Em qualquer caso, tugas brancos e pobres podem levar à vontade.

  4. estevesayres says:

    Esta tudo dito;(…)”Depois queixem-se porque que a extrema-direita instrumentaliza estas merdas e cresce”! Nem mais…

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