Se és extremista, já foste…

Esta não é uma guerra ideológica. Ao contrário do que alguns (fracos, fraquinhos) tentam fazer crer, não são ideologias políticas que aqui estão em confronto. No limite, poderão estar (e provavelmente estarão) em causa os extremos da geometria política. No limite, poderão estar em confronto a democracia e todas os outros sistemas que não respeitam os direitos fundamentais.

Quando a guerra acabar, isto é quando a Ucrânia vir a sua soberania integralmente restaurada e a Rússia regresse para dentro das suas fronteiras, não serão os partidos políticos democráticos que verão a sua existência questionada. Serão os que, cegamente embrutecidos e estupidificados pelos seus absurdos dogmas radicais e sem sentido, não perceberam minimamente o que aqui está realmente em causa.

Aliás é manifesto e claro que são os partidos situados nas pontas do leque ideológico, quer os de extrema-direita quer os de extrema-esquerda, que mais dificuldade têm em reprovar a inadmissível e sanguinária agressão perpetrada pela Rússia. E são esses que terão imensas dificuldades em justificar a sua continuidade. Felizmente porque quer teoricamente quer historicamente nunca acrescentaram ou poderão acrescentar nada à felicidade humana. Pelo contrário, sempre que puderam conduzir os destinos de dada comunidade, só produziram miséria e desgraça. Além de raramente terem alcançado esse privilégio por escolha legítima dessa comunidade.

Então o que faz com que alguns anormais (cada vez menos, felizmente) continuem a acreditar nestas teses? Pois, é uma boa pergunta para a qual haverá uma miríade de respostas. Desde logo temos de aceitar que num qualquer grupo, haverá forçosamente indivíduos “doentes”, indivíduos com distúrbios de ordem mental. Quer queiram quer não, é uma óptima explicação. A sua existência, mesmo que residual, é uma inevitabilidade estatística. A disfunção justificaria facilmente a perversa relativização axiológica, a falta de empatia básica e a demente obsessão.

Outra razão poderia ser um infinito estado de negação. Mesmo perante factualidade indiscutível, a assunção do completo falhanço daquilo em que sempre acreditaram, implicaria o desmoronamento de todo um mundo que os sustentou e os motivou. E isso, realmente, não é fácil. Mas continuar atolado no lamaçal ideológico que escolheram, não é, definitivamente a solução.

E há sempre aqueles que apenas na contradição encontram indícios da mirífica inteligência que histericamente apregoam. Género, eu sou tão, mas tão genial que consigo ver o que os outros não conseguem. Mas o que dizes não faz sentido, é falso ou anacrónico. Pois, mas se eu o digo, passa a ser lógico, verdade ou actual porque eu é que sou o génio. Muito acima do “povinho” que anda sempre na minha boca, mas que eu desprezo com todas as minhas forças.

Enfim, muitas outras explicações poderiam ser adicionadas. Mas há uma que, para mim, releva mais que qualquer outra: a impossibilidade de não saberem que não têm razão nem cabimento nos dias de hoje. Ou seja, entre os que sabem perfeitamente que estão errados e os que por vontade própria nem querem saber, a conclusão é similar: desonestidade intelectual.

Por isso para todos os fascistas, comunistas, nazistas e quejandos: tic, tac, tic, tac, tic, tac…

Comments

  1. Artur Silva says:

    “provavelmente estarão”

    Tic tac tic tac está quase a chegar lá, Carlos. Agora pense em quem vai ficar a ganhar com isto tudo, MAS NÃO QUEIME A PIPOCA

  2. Tic Tac e Puf PAF says:

    Este meia-leca passista engoliu uma cassete. Não é a guerra nem quem dela foge que interessa a este caga-tacos do Carlos Osório, ela é só mais um meio para chegar a um fim: deixar exposto o ódio à esquerda e as saudades do Estado Novo.

    O Aventar não merece isto.

  3. JgMenos says:

    Aos atuais blocos nada os separa que não quanto à democraticidade na formação e aplicação das leis.

    Mas os orfãos dos soviéticos sempre visam quem lhes deu fim aos parentes.

    E se no discurso de Fevereiro um megalómano tudo explicou, tudo fazem para o esquecer.


  4. De acordo quanto a um incompreensível estado de negação em que, por exemplo, o Partido Comunista Português parece ter mergulhado a pontos de já não conseguir que o débil esbracejar ao fosso em que caiu o consiga subtrair, tema que, a propósito do voto contrário à condenação da invasão, abordo em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2022/03/a-ucrania-e-o-inefavel-pcp.html, que convido a visitar e comentar.
    Já quanto a tratar-se de uma guerra de ideologias, tendo a discordar. A menos, claro, que consideremos ideologia os ‘sublimes’ ideais do poder, do dinheiro e da corrupção que parecem ser o verdadeiro e desgraçado motor desta aberrante e desumana agressão.

  5. Paulo Marques says:

    «Esta não é uma guerra ideológica. »

    A guerra da Ucrânia não é ideológica, mas não é essa a guerra dos Osórios, porque não é sobre ela que escrevem, ficando na dúvida se ao menos já descobriram esse sítio que, de um dia para o outro, passou a ser dos nossos, quando antes era, e voltará, a ser uma pura fonte de trabalho barato.
    E essa outra guerra, apesar de ter “factualidade indiscutível, a assunção do completo falhanço daquilo em que sempre acreditaram”, como é hábito, nem tem direito a argumento nenhum, quando seria tão fácil. Falta saber quando, a bem dos seus direitos fundamentais de não serem chateados, propõem o cancelamento dos ódios de estimação.
    Mas a mim o que me interessa, e aos portugueses também, é quando é que as reformas liberais do mercado e do trabalho, depois de décadas delas, vão começar a pôr mais pão na mesa; mesmo não sendo um valor ocidental. E sobre isso, bom, olha a Ucrânia, pá!

    • JgMenos says:

      Que pão e circo cumpre o ideal da ralé, não é nada de novo.
      Que acreditem ser isso uma ideologia, é a ópera trágica que nos empesta sobre o rótulo ‘esquerdalhada em acção’.

      Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade

      “ideologia”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/ideologia [consultado em 23-03-2022].

      • POIS! says:

        Pois o que dizer? Isto que, pelo Menos, é o que me vem à cabeça:

        Que pão e circo cumpre o ideal da corja, não é nada de novo.
        Que acreditem ser isso uma ideologia, é a ópera buffa que nos empesta sobre o rótulo ‘direitrolhada em acção’.

        Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade

        “ideologia”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/ideologia [consultado em 23-03-2022].

      • Paulo Marques says:

        Está a confundir metáforas. Pão e circo é a ideologia dos conservadores, desde o tempo romano. Pão e a constituição de 1793 é que a base da ideologia da ralé.
        Já os meninos é respeitinho pelas botas que lambo.

  6. POIS! says:

    Pois “já foste”? Talvez não.

    Não seja tão pessimista em relação ao seu destino.

    V. Exa. talvez tenha mais futuro do que parece.

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