José Eduardo dos Santos, o revolucionário que se transformou naquilo que arriscou a vida para combater

José Eduardo dos Santos foi um revolucionário que, desde muito jovem, lutou contra o regime fascista do Estado Novo, pela libertação de Angola. Cresceu do lado certo da luta.

Porém, como tantos revolucionários que, num determinado momento da história, foram fundamentais para a emancipação do seu povo, Zedu transformou-se naquilo que combateu: um cleptocrata, coadjuvado por uma oligarquia de criminosos, que silenciou a oposição com brutalidade e se apoderou dos recursos do Estado como se fossem seus, que em boa verdade eram, porque o Estado era ele.

À sombra do autocrata, a cleptocracia angolana pariu fortunas obscenas, como a de Isabel dos Santos, tão venerada e protegida pelas elites da antiga metrópole, mas que não foram, como muitos afirmam, produto dos skills de gestão da filha do ditador. Foram o resultado de poder usar e abusar dos imensos recursos angolanos, às custas de um povo descalço, esfomeado e, em larga medida, miserável. E Isabel é apenas a ponta de um icebergue de generais, dirigentes do MPLA, família e amigos, que enriqueceram de forma criminosa. Um icebergue de corrupção.

Dos Santos faleceu numa clínica de luxo em Barcelona, porque o fausto em que viveu com os seus nunca lhe permitiu desenvolver uma rede de saúde decente para os angolanos. A aristocracia de Luanda nunca teve que se preocupar com essa condição, porque podia sempre enfiar-se num jacto privado e viajar para Portugal, Espanha ou a outro pais ocidental para cuidados médicos do primeiro mundo. O povo, esse, que se amanhasse.

José Eduardo dos Santos lutou contra a ditadura e transformou-se, ele próprio, num traste como Salazar. Garantiu, contudo, o seu lugar na história. Na história dos canalhas que oprimiram o seu povo e viveram, principescamente, à custa da sua miséria. Quem diria que José, o revolucionário que ajudou Agostinho Neto da libertar Angola, se transformaria naquilo que arriscou a vida para combater?

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    José Eduardo dos Santos representa o que de pior há nos revolucionários, isto se alguma vez ele o foi. Duvido.
    Fidel Castro o homem que o ajudou, e de que maneira, a manter-se no poder, contra Sabino, outro igual a Dos Santos, foi um revolucionário até ao fim da sua vida. Era um ditador, como muitos outros, mas nunca se desviou dos princípios que nortearam a revolta cubana contra Fulgêncio Batista e os seus amigos americanos. Castro era a anti elite por natureza.
    A imprensa Ocidental tentou em vão encenar uma fortuna no estrangeiro que nunca existiu. Como não podia existir pois os Yankees limpavam-lhe o dinheiro, como ainda agora o fizeram aos russos.
    O pior da esquerda não é a utopia. Isso faz parte do sonho, mesmo que por vezes o pragmatismo, exija consensos em torno de valores maiores. A Geringonça foi um bom exemplo disso. Um exemplo de inteligência e bom senso, que eu levarei comigo para a cova. Um exemplo tão bom e virtuoso que deixou a direita “à beira de um ataque de nervos”.
    Por cá não temos nenhum José Eduardo dos Santos, e ainda bem, porque a democracia “tem as suas virtudes no meio de um montão de defeitos”. Mas não faltam oportunistas, lobistas e corruptos. E temos alguma esquerda no seu pior registo. Os vira casacas. Então se formos ao velho PCP, e até a alguns socialistas, o que não faltam são execráveis exemplares.

  2. Joana Quelhas says:

    Da serie “A mentalidade Comuna”:
    1) Comparar Salazar a JES !
    É mesmo de Comuna excepto alguns bons exemplos como Edmundo Pedro que em 2017 desabafou:
    “Fui vítima de Salazar, mas as ditaduras comunistas eram muito piores”
    Ou seja se querem comparar JES com alguém comparem com Fidel , ou Chavez ou Maduro etc, que são também “grandes revolucionários” da desgraça económica e moral ( em Cuba única iniciativa privada que vai safando a malta é a prostituição), e que como ele possuem fortunas colossais no estrangeiro e assassinaram sem qualquer remorso milhares de pessoas na busca do mais alto “consenso democrático”

    2) “…porque o fausto em que viveu com os seus nunca lhe permitiu desenvolver uma rede de saúde decente para os angolanos.”
    Errado, pois mesmo com a riqueza q roubou não conseguiria montar tal sistema. O erro foi e é um Estado intervencionista que é contra a propriedade privada q geraria uma sociedade produtiva e inovadora que faria crescer a economia gerando assim sustentadamente crescimento económico, e ao mesmo tempo dando oportunidade ao comportamento ético do trabalho e sua recompensa. Só nesse tipo de sociedade será criada a riqueza que permite as sociedades ascenderem a esse nível de bem estar.

    Para finalizar só gostava de dizer que o angolanos achavam que os problemas deles eram devidos ao colonialismo.

    Joana Quelhas

  3. JgMenos says:

    «… transformou-se, ele próprio, num traste como Salazar».
    Pode imaginar-se tirada mais estúpida e simultâneamente mais própria de um esquerdalho?

  4. JgMenos says:

    «…se transformaria naquilo que arriscou a vida para combater?»

    Combateu alguma coisa de parecido – em miséria, opressão e desrespeito cívico – do que aquilo que criou?
    Só a um mentiroso contumaz ocorre semelhante disparate, mas uma vez mais perfeitamente apropriado para um esquerdalgo!

  5. Paulo Marques says:

    Só os saudosos da mitologia da província é que são capazes de elogiar a besta elogiando-a pelo que não fez. Um mimo de adoradores da hierarquia do bem, o $ que esperam lhes seja mijado para cima.


  6. E preciso ter muita consciência política para conseguir atravessar esta floresta e não vacilar e continuar a lutar para acabar com o fascismo, o colonialismo, o racismo e a exploração do homem pelo homem. Andamos nisto desde os tempos da escravatura primitiva e não desistimos. Tal como o herói mítico, todo ensanguentado, continuamos combatendo com um sorriso no rosto. As mentiras não desviarão a nossa atenção.

    • JgMenos says:

      E é preciso ser estúpido, ignorante e mentiroso para construir essa ‘muita consciência política’?


      • Se for do Clube dos Patrões não é preciso fazer nada, se for do Clube dos trabalhadores é preciso avançar, a consciência virá por acréscimo até eles ficarem todos cagados, não são muitos afinal, esperem só um pouquinho mais. Já ouvi dizer que 10 anos são suficientes. Em Marte já lá está uma bandeira com a Foice e o Martelo. Ri-te…Ri-te e não fujas.

  7. Anonimo says:

    Transformou-se ou já era?

    Alguém que combate uma ditadura não é necessariamente um democrata

  8. Anonimo says:

    “Dos Santos faleceu numa clínica de luxo em Barcelona, porque o fausto em que viveu com os seus nunca lhe permitiu desenvolver uma rede de saúde decente para os angolanos.”

    Sim, já a classe política portuga, quando a coisa aperta, recorre sempre ao SNS. Lista de espera para cirurgia, pulseirinha na urgência, tudo a que têm direito.

    • Joana Quelhas says:

      Bem visto, como aconteceu recentemente com o camarada Jerónimo.
      Sempre na vanguarda doa defesa dos direitos da classe trabalhadora.

      Joana Quelhas

    • Paulo Marques says:

      Ao privado não deve ser, que dizem logo que uma operação de rotina tem risco muito elevado.

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