O estranho caso da aliança entre Montenegro e Ventura

Miranda Sarmento, líder da bancada parlamentar do PSD escolhido por Luís Montenegro, apelou aos seus colegas conservadores para votarem no candidato da extrema-direita para a vice-presidência da AR, alegando tratar-se de uma prática parlamentar, pese embora aquilo que está consagrado no regimento seja apenas a possibilidade de propor alguém para lugar, cabendo aos deputados decidir se aprovam ou não.

E se o critério são práticas parlamentares fundadas na tradição, seria de esperar que a maioria dos deputados do hemiciclo, incluindo os parlamentares do PSD, se mantivessem fiéis aquela outra que se traduz na boa velha máxima, “fascismo nunca mais”, mantendo a robustez do cordão sanitário à volta dos herdeiros da ditadura salazarista.

Mas Montenegro, tão desesperado para chegar ao poder que já tem na rua os cartazes para as Legislativas de 2026, decidiu seguir o exemplo de Rio nos Açores e contribuir para a legitimação de uma força racista e xenófoba e, segundo o próprio André Ventura, terá articulado com ele a posição que coube a Sarmento assumir. Isto apesar de Montenegro ter ontem garantido, em frente às câmaras, que esta posição não teve a ver com nenhum tipo de entendimento ou aproximação ao CH. Resta saber quem está a mentir: se Luís Montenegro, se André Ventura.

Se os líderes da direita conservadora querem furar o cordão sanitário que furem, e sejam comidos pela extrema-direita, como aconteceu na Suécia, em França ou na Hungria. Putin, Trump, Bolsonaro, Le Pen, Orban e Meloni agradecem. E cá estarão os do costume, para honrar a memória da resistência e dos militares de Abril, e não deixar o fascismo passar. E depois não se esqueçam de fazer como a outra senhora do PSD, que apontou a ignorância do povinho como causa para a maioria absoluta do PS, ignorando que dar força à extrema-direita reforça o PS e que os eleitores de centro não gostam de fascistas e optarão sempre por um mal menor. Eu sei que é chato, mas a maior parte deles ainda se lembra da miséria do Estado Novo.

Comments

  1. JgMenos says:

    A cambada e a cerca sanitária – o ridículo não mata, mas dá notícia de quem procura proteger-se promovendo o silêncio; não será isso cena fascista?

    • POIS! says:

      Pois ainda pior que fascista! Salazaresca!

      Sim, porque o Oliveira da Cerejeira fez uma cerca sanitária, não a uma simples Venturosa Agremiação, mas à oposição toda!

      E, quando a cerca sanitária não resultava, havia umas outras cercas ainda mais altas, lá por Peniche, Tarrafal…

      Cá p’ra mim ainda vai acabar tudo preso! Está tudo preparado: o Quarto Pastorinho vai ficar na mesma cela que o Matathá Ribeiro. Assim terão muito tempo para aparar as divergências. Nestas coisas de prisões, o aborrecimento é um dos principais inimigos do recluso.

  2. estevesayres says:

    Retirado Twitter “Sindicato do Proletariado”!

    “IL e CH, de acordo com um artigo publicado no último número da revista sábado, são financiados por grandes grupos burgueses nacionais.
    Grupo Mello, EDP, família Champalimaud, Eurocash/Observador, são alguns dos financiadores destes partidos”

    Provavelmente existem mais apoios aos neoliberais com tiques neonazistas

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading