Credit Suisse e Deutsche Bank à beira do colapso porque a maralha voltou a viver acima das suas possibilidades

Crescem as suspeitas de que o Credit Suisse e o Deutsche Bank estarão à beira do colapso. E que o eventual colapso, apoiado na queda abrupta do valor das acções (as do Credit Suisse caíram cerca de 75%, desde Fevereiro de 2021) e na subida à pique dos credit default swaps, para valores superiores aos registados durante a crise de 2008, poderá ter consequências mais desastrosas que a queda do Lehman Brothers.

Lembram-se da queda do Lehman Brothers?

Foi aquele banco americano, ícone maior da superioridade do extremo-capitalismo neoliberal, que se desmoronou e levou com ele a economia mundial. Ou, traduzido para conservador-liberal, o Sócrates a governar e o povinho a comer bifes à maluco. A tradução para facho é parecida, basta acrescentar o termo “vergonha” em qualquer ponto da frase.

A parte mais interessante será quando alguém disser aos europeus – sim sim, tu também vais pagar – que ambos os bancos (rufar de tambores em crescendo)… são “too big to fail”! Eis magia do capitalismo modernaço, embrulhada em papel de seda: bancos metem-se em esquemas, o esquema corre mal, a economia colapsa, os que menos têm colapsam com ela e a culpa é deles, porque viveram acima das suas possibilidades. E, para castigo, pagam o resgate do banco e não bufam, enquanto se distribuem bónus aos accionistas e membros dos conselhos de administração. E quem não concordar é um comuna do pior que quer gulags, extermínios em massa, fome, ideologia de género e marxismo cultural.

Chamem-lhe o que quiserem – e a mim também – mas isto é tão ou mais totalitário que qualquer extremismo de direita ou esquerda. Mas muito mais inteligente que a habitual brutalidade empregue pelos ditadores convencionais. E, se realmente assistirmos à queda destes bancos (tomara que não!), não se esqueçam de ser obedientes a culpar o socialismo. Viver numa sociedade mundial controlada pela esquerda tem que servir para alguma coisa, não vos parece?

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Não vejo nenhuma “queda abrupta do valor das acções” nem da Deutsche Bank nem do Crédit Suisse. As ações deste último têm caído regularmente desde há muitos anos e perderam metade do seu valor desde o início deste ano – mas isso não é propriamente fora do normal, e não se tratou de uma queda abrupta mas sim de uma desvalorização progressiva. No caso da Deutsche Bank, nem sequer de uma queda de 50% podemos falar.

    • POIS! says:

      Ora pois!

      É como aquela do outro que se atirou do 50º andar e, quando ia a passar o 25º ainda foi capaz de aventar: “até agora, tudo bem!”.

    • Ernesto says:

      Sr. Lavouras, você é o Cavaco são as pessoas em quem mais confio quando o tema é a solidez de um banco, não tenha dúvidas disso.

      Por isso, deixo este link, que me fez confusão:
      https://www.reuters.com/business/finance/credit-suisse-big-risk-credito-real-bankruptcy-media-2022-08-04/

      Isso é de um tal de Reuters ou lá o que é! Certamente que se trata de um grupo de maldosos comunistas que só escrevem essas coisas porque têm inveja das pessoas ricas, mas queria o seu comentário para poder ficar elucidado.

      Desde já, o meu obrigado, Dr. Lavouras!

    • Ernesto says:

      Dr. Lavouras, desculpe estar a incomodar outra vez, mas li uma coisa que me deixou na dúvida, é verdade que a notícia tem 4 meses e obviamente que as coisas devem estar muito melhor. No entanto fiquei em sobressalto com isto:

      https://www.nytimes.com/2022/06/08/business/credit-suisse-profit-warning.html

      Bem sei que esse artigo é do NY Times, e já soube, através de um vídeo do YouTube que a Joana Calhaus me enviou, que basicamente aquilo são uns indivíduos que estão presos num gulag controlado pelo super ultra comunista Putin, no entanto, gostaria de ler os seus esclarecimentos, mais independentes, sobre o tema.

      PS: Tentei primeiro o José Gomes Ferreira, Maas ele agora não podia porque está a ver se consegue inscrição numa horta comunitária em Marte.

      Obrigado e cumprimentos!

      • balio says:

        Ernesto, obrigado por me dar informações mais valiosas sobre o Crédit Suisse do que o valor das suas ações.
        Eu no meu comentário só falei desse valor, porque era a única coisa que estava referida no post. Eu limitei-me a comentar o post.
        Quanto às suas afirmações, acredito sem dúvida que o Crédit Suisse esteja a arcar com prejuízos, mas tenho fortes dúvidas de que se apreste a falir, como se diz no post.

        • Ernesto says:

          De nada, Dr. Baliio. Ainda assim acho que respondi ao comentário do Dr. Lavouras e não ao seu.

          Seja como for, to big to fail é um conceito inventado para o inexistente, ou seja, uma falácia. Não sei se sabia desta, mas fica de borla na mesma!

          Cumprimentos.

  2. Paulo Marques says:

    Tudo bons rapazes. O melhor é salvá-lo, senão vai tudo ao ar, mas de forma a que nada mude, nada seja regulado, ninguém note que afinal o que os investidores fazem não é criar dinheiro, e, acima de tudo, que ninguém tenha culpa.

  3. Joana Quelhas says:

    Ao contrário do Comuna de Cúpula ( aristocracia governante / ruling class) ,
    o Comuna Básico ( aquele que acredita , tem fé no comunismo) , não conseguirá nunca perceber que a falência de bancos ou outras empresas é algo que pertence ao universo Capitalista, ao passo que o seu resgate é algo do universo Socialista.
    Um comuna de base nunca vai perceber que a primeira coisa que uma empresa faz após ascender à classe de “Grande Empresa” é tornar-se anticapitalista”.

    A “Grande Empresa” sabe que num universo capitalista, tem que continuar ad aeternum
    a inovar a melhorar a qualidade e baixar os preços, devido à concorrência, caso contrário estará vulnerável ás pequenas empresas normalmente mais inovadoras e com vontade de conseguir um lugar no mercado.

    O Socialismo é o sistema que garante a sobrevivência da “Grande Empresa” sem que esta tenha de competir com as empresas menores.
    Por um lado, o Socialismo precisa de capital para garantir a sua base de apoio ( que a “Grande Empresa possui), por outro lado a “Grande Empresa” precisa de protecção contra a pequena empresa.

    Destas duas necessidades surge a associação Socialismo/Grande Empresa.

    Saem beneficiados os anticapitalistas das grandes empresas e a aristocracia socialista. Sai lesado o indivíduo, vulgarmente dito “o zé povinho”.
    Hayek , dizia que a grande empresa ou o monopólio são entidades instáveis , só com a ajuda do Estado que através de actos legislativos para limitar a entrada de novos concorrentes lhes vai garantindo a sobrevivência.

    Posto isto gostava apenas para terminar citar Chesterton sobre o assunto:
    “Bolchevismo e o Grande Capital são parecidos; ambos são sustentados pela ideia segundo a qual ‘tudo se torna mais fácil e mais simples depois que se elimina a liberdade’; e o inimigo irreconciliável de ambos é aquilo a que se convencionou chamar ‘pequenas e médias empresas”

    Joana Quelhas

    • Rui Naldinho says:

      Nem escreveste nada mal, para a merda que costumas por aqui debitar.
      Claro, percebe-se “ao longe” que fizeste um “copy past” de um texto qualquer escrito por gente que é capaz de raciocinar, mesmo que nem sempre a teoria desses académicos, depois, na vida real, coincida com a prática. Aliás, os exemplos que apontas só são verdadeiros na sebenta, já que a realidade tem-nos demonstrado o contrário. A isso chama-se na gíria: neo liberalismo. E não socialismo. Mas isso já não são coisas para a tua cabeça.
      É como um marxista convicto afirmar que o socialismo é o sistema económico perfeito, justo e equilibrado, pelas razões igualitárias que promove, pelas correções que introduz a um conjunto de assimetrias sociais, culturais, regionais e até comunitárias, nesta aldeia global onde vivemos. Só que a História tem-nos demonstrado sim, ditaduras, pobreza, corrupção, enfim, o inverso do que está plasmado nos livros.

    • Luís Lavoura says:

      Muito bom comentário, este da Joana Quelhas.

      • Joana Quelhas says:

        Obg Luís Lavoura.

        Joana Quelhas

        • POIS! says:

          Magnífico, sublime, transcendente, inexcedível…não há palavras para mais este eminente comentário da Joana Quelhas.

    • POIS! says:

      Citando a Prémio l da Economia Doméstica Quwvuellhass:

      “A “Grande Empresa” sabe que num universo capitalista, tem que continuar ad aeternum
      a inovar a melhorar a qualidade e baixar os preços, devido à concorrência, caso contrário estará vulnerável ás pequenas empresas normalmente mais inovadoras e com vontade de conseguir um lugar no mercado”.

      Pois é!

      Um dos exemplos é o da Coca Cola. Inova todos os dias. Um dia inova a Coca, no outro inova a Cola. Depois, um dia os engenheiros misturam a cola na coca, no outro dissolvem a coca na cola. Depois experimentam a cola e, no dia seguinte a coca (*).

      Um dia esqueceram-se de inovar e logo apareceram 32485 empresas pequenas e médias a conseguir um lugar no mercado, a maioria no segundo talhão à direita de quem entra. Todas com grandes inovações: uma cola azul, outra amarela (às riscas), uma com aroma de bacalhau demolhado, outra feita à base da destilação de farinha de grilo, ainda outra feita com produto da reciclagem das fraldas usadas na Maternidade Alfredo da Costa, isto para só falar de algumas das de maior sucesso.

      Outro caso que conheço que corrobora inteiramente o postulado pelo copy/paste brilhantemente teclado por Vosselência é o do meu vizinho do 2º Esqº a contar das escadas que, aproveitando a conjuntura favorável, instalou em casa uma fábrica de bombas inovadoras: só rebentam depois de pedir o cartão de cidadão dos bombardeados. Se forem dos nossos, tocam os últimos sucessos do Toy.

      Como não tinha capitais disponíveis, logo recorreu ao banco fundado por outro vizinho que também é bué inovador: permite que se paguem os empréstimos em sestércios e, na falta deles, mesmo em caramelos.

      E o que aconteceu? Pois caíram-lhes em cima os tipos da Lockeed Martin e do Chase Manhattan Bank que não descansaram enquanto não os expulsaram do mercado, levados pelo colarinho por seguranças contratados no “wrestling” mexicano!

      Bem dizia Chesterton: “Bolchevismo e o Grande Capital são parecidos; ambos são sustentados pela ideia segundo a qual ‘tudo se torna mais fácil e mais simples depois que se elimina a liberdade’; e o inimigo irreconciliável de ambos é aquilo a que se convencionou chamar ‘pequenas e médias empresas”

      Note-se que Chesterton escreveu isto quando assistiu, horrorizado, a um padeiro a ser devorado por um hamburger gigante.

      P.S. Segundo as últimas notícias, a experiência da tornou-se mesmo diária “ad aeternum”. Daí os lugares de engenheiro estarem a ser bastante disputados lá na Coca. Já em relação à Cola há muito menos candidatos.

    • POIS! says:

      Pois é!

      Como diria a grande “penseuse” gaulesa Jeanne Ruelles “le capitalisme est bel, le Grand Capital est que donne cap d’el”.

      Grande “savant”, esta Ruelles.

    • Paulo Marques says:

      Tá explicado, afinal é mesmo tudo xuxalista, da Etiópia aos mais melhores grandes Estados Unidos, como já previsto n’A Riqueza das Nações, o verdadeiro capitalismo é como o imperialismo e o racismo, nunca existiu.
      Salve-se os projectos da cryptocoisa, apesar de serem todos um desastre antes de arrancarem, para nos trazer a liberdade num dia de nevoeiro.
      Ao menos fica-se a saber que a Joaninha é contra as leis de propriedade intelectual, para que possa nascer um Google e uma Intel em cada esquina.

      • Paulo Marques says:

        Aliás, nem Mussolini, nem os seus discípulos, como Hayek, diriam melhor. Fazer é que tá quieto, o Mont Pellerin e a Comissão Trilateral não nos mandam os seus melhores.

  4. O construtor pensou num projeto que metia um Bairro, escolas, jardins, era uma cidade jardim, já tinha algumas construções em andamento, tinha algum dinheiro mas precisava de um bom empréstimo. Deu tudo como garantia e o Banco emprestou-lhe o que precisava. Construídos os edifícios era urgente começar a vender os apartamentos e o banco foi financiando pela 2.ª vez o mesmo projeto os novos proprietários. A certa alguma começou a sentir dificuldades porque era difícil encontrar compradores e o Banco voltou a financiar os apartamentos que foi aceitando como pré-pagamento de outros pagamentos e aí foram feitas alguma hipotecas e o dinheiro lá foi surgindo e a coisa foi-se compondo com grande engenharia e por vezes o construtor já pensava no suicídio e o gerente responsável pelos financiamentos já só pensava em fugir para onde ninguém o conhecesse. O Capitalismo é tão bonito e depois atrasou os salários o que tudo complicou. Fugiu para o Brasil porque o pessoal já não lhe largava a porta e à noite vinham uns suores muito esquisitos. Quer mais histórias socialistas Joana Calhas?. O Banco não era o BES e até desapareceu. Foi melhor assim porque hoje já não se pode confiar em ninguém, como dizia o outro.

  5. JgMenos says:

    Recuando no tempo, o capitalismo teve no passado um muito maior controlo sobre a sua área financeira do que o que resultou do progressismo esquerdalho ter ocupado significativo espaço no poder político, por dois motivos:
    1 – A ele sempre recorrem para suporte das promessas do crescimento do consumo que lhe dá votos e mordomias.
    2 – A cambada adora escândalos financeiros que não imputa à desregulação que promovem, mas a resultante inevitável do sistema.

    Quando os proletários do sistema financeiro se transformaram em comissionistas sobre o volume de transacções e agentes de interesses dos políticos, estabeleceram-se as bases da instabilidade.
    O que se viu no tempo do Sócrates, é ainda hoje prática viável ainda que em modo menos histriónico.

    • Paulo Marques says:

      Sócrates, esse grande accionista do Credit Suisse e DB, que desregulou a separação entre banca comercial e financeira.
      Boas piadas.

    • POIS! says:

      Pois, o que vejo…

      O JgMenos com a perna esquerda enfiada na porta da Câmara…a cabeça virada para a Torre dos Clérigos…a mão esquerda a apontar o Bulhão por trás das costas…a perna direita erguida na direção da Estação de S. Bento…

      Ó Menos, Vosselência está todo torcido, carago! Quer impressionar quem? No circo Chen já estão servidos de contorcionistas. Resta-lhe talvez uma vaga de arara amestrada.

      • JgMenos says:

        Já os palhaços esquerdalhos têm a rígida postura de tudo apontarem à bandalheira e à corrupção.

        • POIS! says:

          Ora pois!

          Realmente, palhaço não é lugar que sirva a Vosselência. Como arara está muito melhor!

          Falta só escolher a cor das penas e comprar umas bisnagas de “araldite”.

          Como nem tudo se arranja no mercado, é melhor que Vosselência vá fazendo uns bicos.

          A condizer.

Trackbacks

  1. […] Credit Suisse e Deutsche Bank à beira do colapso porque a maralha voltou a viver acima das suas pos… por João Mendes […]

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading