
O Ronaldo é o maior.
Não é maior que o Salgueiro Maia, nem que o Aristides, ou sequer que o Eça, mas é, à sua maneira e no seu tempo, o maior.
Ser o maior não implica ser perfeito. D. Afonso Henriques, que foi o maior, bateu na mãe. Humberto Delgado, que também chegou a ser o maior, e morreu por isso, começou por ser um apoiante do regime fascista. Todos têm os seus esqueletos no armário. Até os maiores.
O Ronaldo, não sei se já vos disse, é o maior. Quando marcou aquela bicicleta à Juve, pensei:
- F*da-se, o melhor golo da carreira do maior já não é aquele míssil no Dragão.
Sim, eu sei que foi contra o meu Porto. Mas foi o melhor golo do maior, não foi um Messi qualquer.
O Ronaldo é o maior. É genial. Tem 37 anos no cartão de cidadão e 22 nas pernas. Sim, a época não lhe está a correr grande coisa. Alguma vez haveria de acontecer. É que a idade, mesmo quando não se nota, também pesa.
O Ronaldo deu uma entrevista. Foi preparada ao milímetro como são todas as entrevistas de figuras públicas de destaque. Nem é preciso ser o maior. Qualquer inutilidade política é milimetricamente preparada para uma entrevista. Sabem as perguntas, sabem as respostas, sabem as expressões faciais mais adequadas a cada momento. Entrevistas com figuras públicas são encenações. E Ronaldo encenou uma para preparar o terreno para a sua saída do Manchester United.
Não me interessam os seus motivos. Nem sei quem é o responsável por este conflito. Mas também não me interessa. Ele é um homem livre, o clube é uma empresa privada e aquilo que acham da relação que os une não me diz respeito. Nem me interessa.
Mas acho – correndo o risco de pecar contra São Ronaldo e de ser castigado no fogo eterno do Inferno – que o maior não tem condições para capitanear a selecção nacional. Porque está envolvido num escândalo que afecta a equipa e a sua concentração. Porque aparenta estar emocionalmente instável. Porque teve uma série de atitudes ao longo da temporada que são um péssimo exemplo para os seus colegas. Porque existe o risco real de as repetir no Mundial da vergonha, caso se volte a zangar. E porque decidiu encomendar uma entrevista a dias do início da competição, perturbando o arranque dos trabalhos, e que terá impacto na equipa, apesar de nada ter a ver com ela. Ronaldo devia ter poupado as Quinas às suas batalhas e ambições pessoais. Mas colocou-as à frente dos interesses de selecção portuguesa.
Sei que não é uma opinião popular, mas é a minha. Também sei que ela não vale grande coisa, e que nada vai tirar a braçadeira de capitão do braço do maior. E espero, do fundo do coração, estar errado. Porque sendo este mundial uma aberração, terá que existir um vencedor. Que seja Portugal. E que o maior marque muitos golos, faça muitas assistências, e jogue como numa daquelas finais de Champions, em que deu show de bola e atropelou meia equipa adversária. Mas que ele é, neste momento, uma fragilidade, só um cego não vê.
Dito isto, uma palavra final para cheerleaders, pseudo-figuras públicas que se tentam alimentar do caso e aspirantes a parasitas do maior: o Ronaldo não está acima da crítica. E criticar o Ronaldo não resulta necessariamente de um sentimento de inveja, o que de resto é uma formulação tão imbecil quanto a maioria dos seus proponentes. É possível, reparem, achar que ele é o maior e, ainda assim, apontar as suas falhas. E o Ronaldo está tão interessado na minha opinião como nas línguas que se perfilam para lhe polir o rabo. Mas as regras da liberdade e da democracia aplicam-se ao maior como ao comum dos mortais.
Para terminar, porque nunca é demais dizê-lo, sublinhe-se que o Ronaldo é o maior. Mas não é maior que a selecção nacional. Mesmo que possa parecer.






Mas não é do FCP !
Tudo explicado.
Alguém que diz que não é talvez não é o maior, por muito boas que sejam as capacidades técnicas e o esforço profissional selectivo. Nem que o pesetero não fugisse ao fisco.
Ao contrário do Marcelo, quero lá saber das prima-donas no torneio da vergonha.
Eu iria mais longe do que o João Mendes: em minha opinião, tendo em conta aquilo que (não) tem vindo a jogar, Cristiano Ronaldo não está em condições de alinhar como titular da seleção nacional. Não somente não está em condições de aparecer com a braçadeira de capitão, como de facto não deve aparecer de todo, a não ser como suplente algures na segunda parte dos jogos.
Há duas razões para isto. Primeiro, Cristiano Ronaldo não tem vindo a jogar e a marcar grande coisa. Segundo, ele desequilibra a seleção, a qual deixa de jogar de forma coletiva para passar a jogar toda em função dele. A seleção nacional joga melhor e é mais produtiva sem Ronaldo.
Acho esta questão um “não-assunto”.
É um jogador da bola, pago a peso de ouro, em fim de carreira, já na decadência das suas capacidades físicas (até pelo esforço a que foi sujeito o seu corpo) e que decidiu dizer umas coisas porque já não o põem a jogar de início.
Está no seu direito, até porque limpa o rabo a notas, de dizer o que quer e bem lhe apetece. E toda a gente sabe que quem limpa o rabo a notas tem sempre razão no que diz e faz.
O que me escandaliza nisto, é a atenção dada a um milionário que dá toques numa bola, por causa de um choro que é livre, quando tanta coisa se passa, infinitamente mais importante, no Mundo e que se esfuma na espuma dos dias… é muito mais grave o que disse o pateta MRS ontem, do que o choro do milionário que marca golos (ou marcava, as coisas não estão famosas).