Mentir. 

Infelizmente, hoje em dia, politica e mentira são pleonasmos e,  ao afirmar isto, quase que estou a citar o deputado João Almeida, do CDS.

https://aventar.eu/wp-content/uploads/2015/08/joao-almeida.jpg

Neste assunto da CGD/Centeno, terá havido algum tipo de mentira, isso já se percebeu há muito, seja pela omissão, seja pelo recurso a factos alternativos.

É motivo para uma comissão de inquérito, abertura de telejornais, conferências de imprensa e comunicados do Primeiro-Ministro e do Presidente da República?  Obviamente que não. E se for preciso enquadrar, vejam-se os anteriores posts desta série, sobre a mentira na política, para se comparar entre o que pede PSD e CDS agora e o que fizeram quando foram governo – essas sim, enormes mentiras e com consequências para o país. Já esta lengalenga com o Centeno  só o interesse em destruir a mantém na agenda.

Enoja mais a atitude hipócrita de quem anda com moralismos a pedir a demissão do ministro, depois do exemplo que deram, do que a mentira branca de Centeno. E o povo vai mostrando o que pensa disto. “O outro queria era o tacho sem mostrar o vencimento”, ouvi há dias comentarem. Ninguém sairá a ganhar desta triste novela. E, paradoxalmente, parece ser esse  o ganho de Passos, que acha que ganha quando o país perde.

Nota: sequência de posts agendada no dia 15. A ver vamos se a realidade não os atropela. 

Mentir? 

Mentira foi a demissão irrevogável de Portas. Um golpe palaciano que afundou ainda mais a débil economia portuguesa.

 Tal como mentira foi a apresentação de um suposto guião da reforma do Estado, escrito em corpo 16 a dois espaços, para encher chouriços, e que nunca teve por objectivo ser implementado. Serviu, isso sim, para Portas acabar com o bullying de Passos Coelho, o qual perguntava pela reforma do Estado sempre que o Portas se esticava. 

https://aventar.eu/wp-content/uploads/2015/05/portas-gozo.jpg

Mentir? 

A mentira foi o que esteve na base de não se tratar do BANIF quando tal era menos grave, para não estragar a chamada “saída limpa”.

https://aventar.eu/wp-content/uploads/2015/12/banif.jpg

“Estou consciente que tempo adicional foi repetidamente dado para que o banco [BANIF] endereçasse os problemas.Isto foi motivado por considerações de estabilidade financeira e, recentemente, por considerações de não colocar em perigo a saída do país do Programa de Ajustamento Económico.” Margrethe Vestager, Membro da Comissão Europeia, 12 de Dezembro de 2014

Preto no branco, a Comissária afirma que o problema do BANIF não foi resolvido para não estragar a saída limpa (mais detalhes). Em causa também estiveram cartas, mas estas foram as enviadas pela CE sobre o BANIF e que o anterior governo ignorou, com dolo.

Mentir? 

Mentir ao país foi o que fez Passos Coelho com a sua história de incumprimento com a Segurança Social e o seu estatuto de deputado em regime de exclusividade. Alguém acredita que um político com capacidade para chegar a primeiro-ministro não soubesse que o pagamento à Segurança Social não era facultativo?

Para a história fica mais um caso polémico e nebuloso de incumprimento fiscal do primeiro-ministro, que se junta ao recente caso de alegada violação do estatuto de deputado em regime de exclusividade e fuga ao fisco. [Passos Coelho: entre a irresponsabilidade e o incumprimento]

Resumindo e concluindo, o que temos então? Desonestidade, violação do estatuto de deputado em regime de exclusividade, fuga ao fisco, 30 mil euros sacados ao Estado de forma ilícita, responsáveis políticos incompetentes e mentirosos, instituições que não funcionam, prescrições, boys e propaganda. Pelo meio ficaram declarações de IRS, requeridas por lei, referentes ao período 95-99 por entregar na AR, fundamentais para comprovar se Passos teria ou não recebido rendimentos incompatíveis com o regime de exclusividade que requereu. A impunidade é total. [Portugal Surreal – Passos, Tecnoforma e trafulhice]

Ide ler estes artigos do João Mendes e, sobretudo, este titulado “Tens a certeza que queres dar lições de honestidade ao Centeno, Passos?” para depois falamos de mentiras por parte de responsáveis políticos. 

Mentir? 

Mentir foi afirmarem que existiu uma “saída limpa”, quando o que existiu foi um embuste

Os problemas da banca não foram resolvidos; a meta do défice nunca foi atingida; a dívida pública continuou a aumentar; e as reformas estruturais não existiriam. 

Mentir? 

Mentir é isto:

Haja decoro. Não foi uma carta. Foi um mandato inteiro assente numa descarada mentira.