Estabilidade, responsabilidade e sentido de Estado: a lição de Paulo Portas, cinco anos depois

Na passada Segunda-feira, dia 2 de Julho, assinalaram-se cinco anos desde que Paulo Portas anunciou a sua famosa e irrevogável demissão, que como sabemos durou até que Passos Coelho aceitou ceder mais poder a Portas e ao CDS-PP, entregando-lhe um novo ministério e fazendo dele vice-primeiro-ministro.

Poderia alongar-me sobre o oportunismo desta decisão, que, bem vistas as coisas, nos foi apresentada como uma divergência insanável, gerada pela substituição de Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque, na sequência da demissão do primeiro, mas que na verdade não passou de um assalto ao poder. [Read more…]

O Irrevogável e a Geringonça

Imagem via Geringonça

A 21 de Junho de 2011, Paulo Portas assumia oficialmente as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo liderado por Pedro Passos Coelho, fechadas que estavam as negociações entre os dois partidos, que resultaram na atribuição de três ministérios aos centristas: para além do já referido Ministério dos Negócios Estrangeiros, Assunção Cristas assumia a tutela da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do território, e Pedro Mota Soares ficava com a pasta da Solidariedade e Segurança Social.

Tudo corria de feição, com privatizações a rodos, aumentos gorduchinhos de impostos, listas VIP e vistos dourados para qualquer mafioso que quisesse “investir” no país. Havia tachos para todos os boys e ia-se alegremente além do exigido pela Troika, que aquilo era uma data de bons alunos, com excepção do Relvas e do Passos, o primeiro pelos motivos que todos sabemos, o segundo porque andava muito ocupado a colar cartazes na década de 80 e só lhe deu para estudar no final da década seguinte. Prioridades. [Read more…]

Mentir? 

Mentira foi a demissão irrevogável de Portas. Um golpe palaciano que afundou ainda mais a débil economia portuguesa.

 Tal como mentira foi a apresentação de um suposto guião da reforma do Estado, escrito em corpo 16 a dois espaços, para encher chouriços, e que nunca teve por objectivo ser implementado. Serviu, isso sim, para Portas acabar com o bullying de Passos Coelho, o qual perguntava pela reforma do Estado sempre que o Portas se esticava. 

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O partido do Uber

O CDS pede a demissão do Ministro da Educação.

Não especifica, contudo, se a demissão que pede é de natureza irrevogável, pelo que é avisado aguardar por ulterior disparate.

Dá-lhe, Cristas!

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Na sequência da polémica em torno das declarações de Mariana Mortágua sobre algo que o BE defende desde que me lembro, Assunção Cristas afirmou que “O primeiro-ministro veio pôr ordem na casa mandando o Bloco de Esquerda estar calado“, um daqueles delírios que tão bem caracteriza a líder do CDS-PP, ainda que longe do elevadíssimo nível daquela célebre anedota, capaz de ombrear com um índio que faz a dança da chuva na esperança que os deuses salvem as colheitas. [Read more…]

O irrevogável e os medíocres

PPLM

No dia em que o Parlamento se vê finalmente livre de Paulo Portas, Luís Montenegro brindou o país com um belo momento de ternura e humor quando, na qualidade porta-voz de “uma nota muito sentida” da bancada do PSD, exaltou o respeito, a admiração e – pára tudo – o “sentido de colaboração e cooperação que foi possível manter com o CDS-PP e com o seu presidente, o deputado Paulo Portas, nos últimos anos“. Sim, estamos a falar do mesmo Paulo Portas que tirou o tapete a Passos Coelho quando, em Julho de 2013, apresentou a sua demissão, para rapidamente “reconsiderar”, perante a irrecusável oferta de se transformar em vice-primeiro ministro e amealhar mais um ministério para o seu pequeno partido. Escusado será recordar o embaraço, a crise política ou os custos para a economia que resultaram da fome de poder de Paulo Portas. Mas castas são castas e o sapo, indigesto que foi, há muito que atravessou o aparelho e lhes saiu pelo rabiote. Resta a admiração dos aprendizes que sonham um dia ser mestres do calculismo e da intriga política. Os tais a quem Portas, num momento de clarividência, um dia chamou medíocres.

Foto: João Relvas/Lusa@DN

Paulo Portas prestes a regressar ao Parlamento

Paulo Portas despede-se do Parlamento. Irrevogável.

A estabilidade do governo de esquerda explicada por Paulo Portas

Portas

Muitos são os que ainda duvidam da estabilidade do governo minoritário do PS, apoiado no Parlamento pelo BE, PCP e PEV. É legítimo. Eu que estou, até ver, satisfeito com a solução, tenho as minhas reservas. E é aqui que entra Paulo Portas.

Como o caro leitor estará certamente recordado, a 2 de Julho de 2013, Paulo Portas apresentou a sua demissão ao então chefe de governo, Pedro Passos Coelho (por SMS ou carta, dúvida nunca dissipada). Num comunicado emitido pelo próprio, obedecendo à sua consciência, Portas elencava os motivos por trás da sua famosa decisão irrevogável. Destaco alguns pontos, que me parecem legitimar a esperança de ver o actual governo cumprir o seu mandato, aos quais acrescentarei alguns comentários: [Read more…]

Finalmente Portas fala da posição resultante da demissão irrevogável

Até “pode ser formalmente constitucional” mas “será sempre politicamente ilegítima”

O elogio do oportunismo na campanha da coligação PSD/CDS-PP

Elogio

Hoje liguei e televisão para ver o Ricardo Araújo Pereira na TVI e, depois de uma sessão de Cavaco contra Cavaco, assisti a algo que, apesar do nível primário a que a campanha da coligação PSD/CDS-PP desceu, não esperava ser possível. Aos 7.20 minutos do Isso é tudo muito bonito mas, surge um indivíduo, possivelmente candidato pela coligação, que nos brinda que esta pérola que entra directamente para o top 10 do elogio do oportunismo com requintes de estupidez: [Read more…]

Paulo Portas, o desempregado

Cartaz Portas

Ao contrário dos cartazes do PS que apresentam dramas da vida real que nada têm que ver com as caras que neles surgem, este cartaz é todo ele um retrato fiel da história do irrevogável. Esteve duas horas (mais coisa menos coisa) desempregado – opção sua, não da entidade patronal – mas foi rapidamente readmitido com direito a uma simpática promoção e todos os benefícios à prova de austeridade que vêm com estas coisas. Pelo caminho fez disparar os juros da dívida pública, causando prejuízos avultados ao Estados, sem que isso preocupasse muito os seus colegas moralistas e respectivas claques, e sem nunca ter tido a humildade de pedir desculpa aos portugueses. Está na hora de o mandarmos de volta para o desemprego. O CDS-PP que o sustente.

Pergunta: quem se demitiu do governo por SMS?

Resposta: um dos dois reaccionários que reclamam representar a “mais credível das opções de governo“. O irrevogável, claro! Sentem a credibilidade?

Paulo Portas e os adjectivos em -vel

Depois de ter sido irrevogável, Portas é “politicamente incompatível com TSU dos pensionistas.” Para estes, a posição do ministro é “impensável“. Incrível!

É agora, Paulo Portas

Cerimónia de assinatura dos novos Submarinos para a Marinha

Todos sabemos que és moço avisado, culto, inteligente. E um defensor dos reformados, lavradores ou outra gente honrada, que tanto tens sofrido nestes anos no governo por uma razão óbvia que se compreende, um homem tem de escapar pelos pingos da chuva das alhadas onde se meteu.

O caso não foi para menos, uns milhares de fotocópias guardaste para as eventualidades da vida, pairava no ar um Jacinto Leite Capelo Rego, e muito a propósito quem tem nadegueiro e no meio seu buraco lá tem de temer que desabe qualquer coisa do céu, pior ainda, da justiça. É ver como a essa gente do BES nem o Espírito Santo, com que o fundador foi baptizado para invocar superior protecção ao incógnito filho da criada e do chefe das polícias, de nada vale hoje, entretidos numa zanga de primos que parece uma novela da tarde, tal e qual como começou.

Sabias bem da lei Vale de Azevedo da justiça à portuguesa, e por isso tens penado no governo, acompanhando gente que tortura pobres como quem mata mosquitos no pino do calor,  e ainda se ri por cima. Gentinha reles, nada da tua laia, mas que perante qualquer arremedo teu de dignidade lá te acenava com o raio dos submarinos, obrigando-te a revogar patrioticamente a palavra dada, nem imagino as azias que tens sofrido.

Ora, agora que o processo foi arquivado, e após o ufa que deves ter soltado, e bebido o champanhe para este dia guardado no largo por onde tantas caldas de donativos passaram, enfim liberto, vê lá se te lembras dos teus votantes, dos portugueses, e finalmente soltas o teu grito de liberdade e te demites.

Ainda consegues voltar ao parlamento sem ocupar o lugar de pendura do Mota da lambreta, ainda recuperas uns votos, e haverá sempre um novo primeiro-ministro a precisar de ti. A malta agradece, que isto sempre anima um bocado e olhando para um embasbacado Cavaco sempre ficamos entretidos.

Fingidor

relógio

não conhecem o meu sentido de missão (…) a crise foi superada (…) Sou de ficar, não sou de abandonar

não poderemos voltar à irresponsabilidade, não poderemos viver na excepcionalidade teremos que dizer à sociedade os limites até onde ir (…) O reino dos demagogos terminou

No tempo em que ainda não havia internet, vi uma capa na banca dos jornais que gostaria de relembrar. Vivíamos em pleno cavaquismo. Sim, esse mesmo, a lapa de Belém, o tal que diz que não é político, mas que não larga o poder. Ao lado dos jornais desportivos lá aparecia regularmente a famosa revista do Vilhena (seria talvez a “Fala barato”). Nessa capa, Roberto Carneiro, na altura ministro da Educação, aparecia rodeado de um rancho de filhos e dizia: “O que é que posso fazer? Gosto de foder” e encolhia os ombros. [Read more…]

Vamos falar do custo da decisão do TC?

As saídas do irrevogável e do tio patinhas custaram ao país 2,3 mil milhões de euros em 20 dias. Estamos falados sobre onde estão as batatas podres.

Ora, é fazer as contas

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Irrevogável” custou… 2,3 mil milhões. A palavra mais cara do ano. Quer dizer, da década.

Estado deixou prescrever mais de mil milhões em dívidas fiscais

Só aqui temos mais de 3 mil milhões. Se pensarmos que o chumbo do Tribunal Constitucional impediu o roubo de 338 milhões, já dá para ver a escumalha que temos no “governo”. É a ideologia, estúpido!

Dicionário do Governo (1)

Irrevogáveladj. que é revogável; que se pode anular; o contrário de definitivo.

Portas é irrefutavelmente estável

imagesCAF3DRUQJosé Luís Arnaut afirmou que Paulo Portas é uma garantia de estabilidade. Ao princípio, podemos estranhar que se possa fazer uma afirmação destas acerca de um homem que considerou que o seu pedido de demissão era irrevogável, para, poucos dias depois, revogar o mesmo pedido. No fundo, Portas, discípulo de Vinícius, acredita que um pedido de demissão é eterno enquanto dura.

Não devemos ser injustos com Arnaut. A verdade é que o moço de recados do PSD tomou Portas como seu mestre: assim, o líder do CDS é estável no mesmo sentido em que irrevogável era o seu pedido de demissão. A fontes mais próximas, Arnaut terá mesmo declarado que Portas é “tão estável como qualquer bipolar.”

Diz sempre nunca

O descaramento faz o resto.