O Irrevogável e a Geringonça

Imagem via Geringonça

A 21 de Junho de 2011, Paulo Portas assumia oficialmente as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo liderado por Pedro Passos Coelho, fechadas que estavam as negociações entre os dois partidos, que resultaram na atribuição de três ministérios aos centristas: para além do já referido Ministério dos Negócios Estrangeiros, Assunção Cristas assumia a tutela da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do território, e Pedro Mota Soares ficava com a pasta da Solidariedade e Segurança Social.

Tudo corria de feição, com privatizações a rodos, aumentos gorduchinhos de impostos, listas VIP e vistos dourados para qualquer mafioso que quisesse “investir” no país. Havia tachos para todos os boys e ia-se alegremente além do exigido pela Troika, que aquilo era uma data de bons alunos, com excepção do Relvas e do Passos, o primeiro pelos motivos que todos sabemos, o segundo porque andava muito ocupado a colar cartazes na década de 80 e só lhe deu para estudar no final da década seguinte. Prioridades. [Read more…]

Mentir? 

Mentira foi a demissão irrevogável de Portas. Um golpe palaciano que afundou ainda mais a débil economia portuguesa.

 Tal como mentira foi a apresentação de um suposto guião da reforma do Estado, escrito em corpo 16 a dois espaços, para encher chouriços, e que nunca teve por objectivo ser implementado. Serviu, isso sim, para Portas acabar com o bullying de Passos Coelho, o qual perguntava pela reforma do Estado sempre que o Portas se esticava. 

O partido do Uber

O CDS pede a demissão do Ministro da Educação.

Não especifica, contudo, se a demissão que pede é de natureza irrevogável, pelo que é avisado aguardar por ulterior disparate.

Dá-lhe, Cristas!

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Na sequência da polémica em torno das declarações de Mariana Mortágua sobre algo que o BE defende desde que me lembro, Assunção Cristas afirmou que “O primeiro-ministro veio pôr ordem na casa mandando o Bloco de Esquerda estar calado“, um daqueles delírios que tão bem caracteriza a líder do CDS-PP, ainda que longe do elevadíssimo nível daquela célebre anedota, capaz de ombrear com um índio que faz a dança da chuva na esperança que os deuses salvem as colheitas. [Read more…]

O irrevogável e os medíocres

PPLM

No dia em que o Parlamento se vê finalmente livre de Paulo Portas, Luís Montenegro brindou o país com um belo momento de ternura e humor quando, na qualidade porta-voz de “uma nota muito sentida” da bancada do PSD, exaltou o respeito, a admiração e – pára tudo – o “sentido de colaboração e cooperação que foi possível manter com o CDS-PP e com o seu presidente, o deputado Paulo Portas, nos últimos anos“. Sim, estamos a falar do mesmo Paulo Portas que tirou o tapete a Passos Coelho quando, em Julho de 2013, apresentou a sua demissão, para rapidamente “reconsiderar”, perante a irrecusável oferta de se transformar em vice-primeiro ministro e amealhar mais um ministério para o seu pequeno partido. Escusado será recordar o embaraço, a crise política ou os custos para a economia que resultaram da fome de poder de Paulo Portas. Mas castas são castas e o sapo, indigesto que foi, há muito que atravessou o aparelho e lhes saiu pelo rabiote. Resta a admiração dos aprendizes que sonham um dia ser mestres do calculismo e da intriga política. Os tais a quem Portas, num momento de clarividência, um dia chamou medíocres.

Foto: João Relvas/Lusa@DN

Paulo Portas prestes a regressar ao Parlamento

Paulo Portas despede-se do Parlamento. Irrevogável.

A estabilidade do governo de esquerda explicada por Paulo Portas

Portas

Muitos são os que ainda duvidam da estabilidade do governo minoritário do PS, apoiado no Parlamento pelo BE, PCP e PEV. É legítimo. Eu que estou, até ver, satisfeito com a solução, tenho as minhas reservas. E é aqui que entra Paulo Portas.

Como o caro leitor estará certamente recordado, a 2 de Julho de 2013, Paulo Portas apresentou a sua demissão ao então chefe de governo, Pedro Passos Coelho (por SMS ou carta, dúvida nunca dissipada). Num comunicado emitido pelo próprio, obedecendo à sua consciência, Portas elencava os motivos por trás da sua famosa decisão irrevogável. Destaco alguns pontos, que me parecem legitimar a esperança de ver o actual governo cumprir o seu mandato, aos quais acrescentarei alguns comentários: [Read more…]