A polémica com as urgências

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Pedro Parracho

Vamos então abordar o caso das urgências e a discussão que tem existido sobre os problemas ocorridos.
É prática corrente, responsabilizar o ministro. Esta situação é recorrente, porque é mais fácil para os partidos da oposição responsabilizar sempre o governo, em qualquer época, leiam-se os títulos dos jornais nos invernos de 2007 a 2011, é assim pelo facto de se considerar o ministro “patrão” dos hospitais. Por isso o caminho da discussão é sempre o mesmo: se algo não funciona é porque “faltam meios”.

Nunca é porque houve falhas de gestão, mau trabalho dos funcionários, falta de empenho ou simples incompetência. Aparentemente o ministro até tem de saber se as escalas de férias e folgas dos médicos estão bem feitas, e se estiverem mal feitas, apenas lhe cabe… contratar mais médicos.
É importante que os utentes se sintam como accionistas do SNS e que exijam profissionalismo e empenho nos profissionais de saúde, sempre que presenciarmos exemplos de má gestão, má prática, falta de bom senso, falta de empenho ou incompetência, devemos denunciar os mesmos, de forma, às mesmas não ocorrerem no futuro.

O lapso

Fernando Leal da Costa
Porque são os mais pobres e os mais fracos que têm de vir ao Serviço Nacional de Saúde“, disse Fernando Leal da Costa, secretário de estado adjunto do MS, deixando clara a sua perspectiva sobre o que deve ser o SNS. O cardeal Cerejeira não diria melhor.

País real(mente) inacreditável

Vivem com dificuldades numa grande cidade? Então experimentem viver no interior do País, num interior relativo, para não exagerar, por exemplo a caminho das praias do Algarve, em S. Bartolomeu de Messines, ali junto à serra, numa terra onde não há médicos de família para aqueles que foram para lá morar há poucos anos, onde o hospital público mais próximo fica a mais de 30 quilómetros, onde não há um centro de diagnóstico que aceite uma prescrição médica do SNS para fazer uma radiografia, onde a única estação de correios vai fechar, onde apenas um comboio e duas ou três camionetas ao dia que vos podem levar dali para um lugar mais civilizado param, onde não há uma escola secundária, nem um tribunal, nem uma loja do cidadão (para fazer o cartão de cidadão, por exemplo), nem uma repartição de finanças, nem uma sala de teatro onde uma companhia profissional possa apresentar-se com dignidade, nem um cinema, nem uma livraria (e não disse uma papelaria onde também se vendem uns poucos livros), nem uma biblioteca, onde nenhum supermercado tem produtos do dumping para vos vender a metade do preço da concorrência leal dos mercados onde há consumidores sobejos, onde o único supermercado com uma oferta diferenciada aceitável (embora sempre bastante mais caro que nas grandes cidades) fechou, depois de ter empregado e despedido trabalhadores ao ritmo dos imperativos dos ciclos económicos.