Paula Et al.

Bairro Social em Vila Nova de Gaia. 

O episódio ocorrido recentemente na cidade do Porto, envolvendo uma cidadã que recebeu ordem de despejo da Câmara Municipal, é apenas uma amostra daquilo que todos os dias acontece longe da vista. Neste caso concreto, há uma pessoa que, além de ter ficado sem casa, está a ser usada como arma de arremesso político, vendo exposta a sua vida e a sua intimidade na praça pública. A nossa política é isto. Alcançou este nível.

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Em defesa de uma unidade de esquerda

que não foi jamais tentada neste país de traumatizados do 25 de Novembro. A minha vénia aos socialistas e comunistas que ousam por uma vez ultrapassar os dias do PREC e percebem finalmente a urgência nacional dessa unidade.
[Facebook de João Soares]

País real(mente) inacreditável

Vivem com dificuldades numa grande cidade? Então experimentem viver no interior do País, num interior relativo, para não exagerar, por exemplo a caminho das praias do Algarve, em S. Bartolomeu de Messines, ali junto à serra, numa terra onde não há médicos de família para aqueles que foram para lá morar há poucos anos, onde o hospital público mais próximo fica a mais de 30 quilómetros, onde não há um centro de diagnóstico que aceite uma prescrição médica do SNS para fazer uma radiografia, onde a única estação de correios vai fechar, onde apenas um comboio e duas ou três camionetas ao dia que vos podem levar dali para um lugar mais civilizado param, onde não há uma escola secundária, nem um tribunal, nem uma loja do cidadão (para fazer o cartão de cidadão, por exemplo), nem uma repartição de finanças, nem uma sala de teatro onde uma companhia profissional possa apresentar-se com dignidade, nem um cinema, nem uma livraria (e não disse uma papelaria onde também se vendem uns poucos livros), nem uma biblioteca, onde nenhum supermercado tem produtos do dumping para vos vender a metade do preço da concorrência leal dos mercados onde há consumidores sobejos, onde o único supermercado com uma oferta diferenciada aceitável (embora sempre bastante mais caro que nas grandes cidades) fechou, depois de ter empregado e despedido trabalhadores ao ritmo dos imperativos dos ciclos económicos.

A boa ordem

“Nos exércitos, marinhas, cidades, ou famílias, na própria natureza, nada relaxa mais a boa ordem do que a miséria”.

Disse-o Herman Melville, na sua novela mal-amada, Benito Cereno, aquela em que se conta a história de um navio negreiro amotinado.

Reforçam-se as grades, multiplicam-se as câmaras de vigilância, recompensam-se as forças de segurança, silencia-se ou compra-se a imprensa, intimidam-se as vozes ainda livres, rectificam-se as leis, agudizam-se as penas. Mas nada trava o caos porque a boa ordem vai-se relaxando na exacta medida em que a miséria alastra.

Por esta altura, seria de esperar que a lição já tivesse sido aprendida: é a justiça social, e não a repressão, a única força capaz de apaziguar a indignação de um povo.

Suicídios

Um farmacêutico grego de 77 anos deu um tiro na cabeça: preferiu morrer a ter de procurar comida no lixo.

No mês passado, um homem de 60 anos e a mãe atiraram-se da janela de um sexto andar em Atenas. Não conseguiam sobreviver com os 340 euros da reforma dela, única fonte de rendimento.

Estes são apenas dois casos…

O que estão os Governos a fazer na prevenção destas situações? Não se protegem os idosos. Não se pensa nas crianças. Eles não constam dos discursos políticos. Estes casos não os preocupam. Nunca ouvi nenhum político referir-se a este problema nem a lamentar-se, sequer («coisa pouca, irrelevante, não é motivo para alarme», pensam logo dizem). É preciso agir, urgentemente!!

Foi na Grécia, mas em Portugal a crise económica também já está a fazer das suas, pela calada, em silêncio. Nem imaginamos o que por aí anda e bem perto…

Há gente a sofrer porque não tem dinheiro nem emprego, ano após ano. Os problemas aumentam na casa dos gregos e dos portugueses. Há famílias ameaçadas. O divórcio também é uma consequência da crise, para além do suicídio.

Isto é que é importante resolver, assim como ajudar, educar, preparar as pessoas para enfrentar problemas desta natureza. Há tantos cursos e cursinhos e acções de formação que só servem para encher pneus. Ninguém está preparado para o pior. Ninguém nos ensinou e continuamos a não estar capazes nem a preparar para a vida, enquanto pais e professores.

Somos todos gregos

PSD e CDS: a obsessão da multiplicação dos pobres

“Acordo vai bem mais além do que estava estipulado pela troika”

Álvaro Santos Pereira, Min.Economia e do Emprego

O dueto Passos Coelho – Paulo Portas titula o governo mais anti-social de que há memória no País pós-25 de Abril. Tem de se reconhecer, aliás, ser um género de acção política coerente com os propósitos publicitados. Passos Coelho – lembre-se – anunciou ao País a estratégia do empobrecimento e, efectivamente, está a conseguir implementá-la com sucesso. O fecho das negociações do ‘acordo de concertação social’ constitui mais uma etapa da estratégia e a produção de novo instrumento de degradação das condições vida, já aviltadas, de centenas de milhares de portugueses.

Sei na circunstância da subordinação humilhante à ‘troika’ – com resultados catastróficos a prazo, a ter em conta o sucedido na Grécia e na Irlanda. Também não ignoro as heranças de Sócrates aos portugueses, e sobretudo os precedentes em matéria de revisão neo-liberal das leis laborais. Constato com amargura a adesão da UGT ao sinistro acordo – “Concertação. Menos segurança, menos feriados e menos protecção no emprego”, considera o Jornal “i”.

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