AS VICISSITUDES DE SERMOS PAIS

Para os meus filhos Camila e Felix, que passam ao estatuto de pais, em breve dias ou horas… e eu, avô do quarto descendente da família, com essa ansiedade da espera…

Faz dois dias, neste mesmo sítio, falei de amor e paixão. Definia o amor como um sentimento duradouro e a paixão, uma emoção que dura o que deve durar. As definições estão no texto e ao texto remeto-me.

Apenas que não referi que a paixão é curta, enquanto que o amor é duradouro. Especialmente se esse olhar nos olhos reflecte uma atracção que pode ser duradoura. Duradoura, tempo que transcorre entre a primeira vez que duas pessoas se encontram, e o derradeiro dia em que tudo acaba, seja divórcio, separação ou a morte de um membro do casal. Na minha lembrança, encontra-se viva a ideia da emotividade que o amor entrega. Amor que pode passar a ser uma paternidade/maternidade de um pequeno ser que nasce da fusão dos corpos que, com delicadeza e com carícias gentis, se procuram, onde cada beijo é uma rosa vermelha que não lacera, mas enternece…, essa ternura que um casal capaz de criar, sabe entregar… [Read more…]

Poemas estoricônticos

                  (adao cruz)

(adao cruz)

Pobre de quem tem medo das esquinas da vida

e só caminha pelas ruas a direito

bem iluminadas!

Nunca tem sonhos nem surpresas.

Vive na pálida

insípida e mistificadora rotina da vida

que tu e eu bem conhecemos

porque somos exactamente sonhadores. [Read more…]

Mistérios do Natal – o véu desceu para sempre

São cada vez mais frequentes os toques da Zeca á minha porta altas horas da noite Com 92 anos, vive com uma amiga com 97 anos, nenhuma delas tem família, eu sou quem está mais à mão.

Esta noite o bater da Zeca foi mais cedo e mais persistente. Abri a porta e a Zeca estava a chorar, a amiga Esmeralda estava a morrer. Do primeiro ao terceiro não são precisos elevadores, num ápice entrava na casa onde uma pobre mulher dava os últimos suspiros.

Abracei-a e morreu assim, sem um suspiro, sem um ai, sem um adeus…

Chegaram os jovens médicos do INEM, a polícia, o médico civil, o cangalheiro. Verificaram a morte e preparam tudo para a última viagem.

Naqueles vinte minutos em que estive sozinho com aquelas duas mulheres, onde estive tantas vezes, sempre em momentos críticos, lembrei-me que a única coisa que nos alívia é sermos úteis. Uma paz serena e raramente sentida apoderou-se de mim. Não há medos, nem frustações, nem ódios, tudo isso faz parte da vida que perdemos, quando vivos, no turbilhão da angústia, da ambição e da inveja.

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena” diz Pessoa, mas não é verdade.

Eu odiei grande parte da minha vida e dava tudo para voltar atrás e perdoar!

O padre apaixonou-se, e então?

Lá em Celorico toda a gente quer explicações do padre que se apaixonou por uma gaiata da terra. Mas que explicações?

Apaixonou-se, ponto, fez o que tinha a fazer, foi viver o seu amor que Cristo abençoa, não tem que dar explicações a ninguem. Olha , vi-a e fiquei como um bêbado à porta de uma taberna, sem saber se ía a sair se a entrar. Não é o que acontece a todos?

Qualquer daquelas pesssoas pode dar as explicações que espera do padre, a não ser que acreditem que o jovem padre falava todos os dias com o Senhor, o que lhe aconteceu com ele aconteceu com todos, é como um polícia vestido à paisana ao domingo, não sabe se mantem ou não a autoridade.

Querem saber como é que as pessoas se apaixonam? Isso queremos todos, a gente até se apaixona por pessoas que nunca viu, há lá explicações!

Mandem é rezar umas missas pela felicidade dos jovens, acolham-nos na vossa terra, exijam muitos meninos e ofereçam-se para padrinhos.

E, não esqueçam, naquela filosófica dúvida que nos traz os copos a mais, estamos sempre a entrar…