A saída da Mariazinha

é uma saída limpa?

O Vilares morreu

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Ontem recebi uma notícia horrível. Daquelas que não esperamos e que nos caem como um baque. Li e reli a mensagem escrita que recebi. Telefonei a quem me enviou a mensagem. Sabendo que não era, não podia ser, brincadeira, tive aquele pensamento irracional de que talvez o telefonema apagasse a mensagem recebida.
Claro que isso não aconteceu.
Era verdade. O Vilares morreu.
Pior, morreu há 15 dias e nós não soubemos de nada. Como se aquela presença se tivesse apagado. Ponto.
Odeio velórios e funerais, mas já aprendi que eles são uma forma de nos despedirmos das pessoas que nos dizem alguma coisa. São um meio de prestarmos o nosso apoio à família enlutada. Por isso, me custa tanto saber da partida de alguém que conheço e não poder estar presente na despedida, nem que seja durante apenas meia hora.  [Read more…]

Ele Decretou o AlieNatal

Não seria mais simples mudar de paradigma económico, saber o que anda ali fazer?!

Quem chora assim

não é um boy! Aposto! E subscrevo – estes gajos não nos representam!

Sexta-feira 13 dos Professores, mas ainda mais das Escolas e dos alunos

Estou há horas para começar este post, mas os dedos teimaram em não responder.

Hoje, vi as escolas como nunca tinha visto

Depois de um dia fantástico, o de ontem, nas ruas da Lisboa antiga, do Rossio ao Parlamento,eu não merecia um dia assim. Nós, os resistentes, não merecíamos um dia assim!

E nem falo por mim.

Tenho dificuldade em colocar em palavras o que aconteceu.

Há de tudo: diretores que chamam os professores, tipo centro de saúde com o povo todo na sala de espera.

Há quem mande por correio, quem ordene um telefonema. Também há quem recorra ao mail e, é verdade, por SMS:” Caro colega, ao abrigo da Legislação em vigor, venho a informar que não temos componente letiva para si”.

Eu já tinha ouvido falar em despedimentos por mail, agora por sms!!!

Queria conseguir explicar isto aos leitores do Aventar que não são Professores, mas não é fácil – acham normal que professores “efectivos” há mais de vinte anos estejam sem horário para o próximo ano? E aos milhares?!!

São Directores de Turma e Coordenadores, professores do 1ºciclo, do secundário, educadores de infância e professores do básico. São de matemática e de línguas, de expressões e de história. No litoral e no interior…

Não há post algum que possa receber a raiva que se viveu hoje nas escolas públicas portuguesas.

Foi, de facto, uma verdadeira 6ªfeira 13 para a Escola Pública.

E Nós só queremos que nos DEIXEM ser Professores!

Só isso!

Carta da Sara, filha de Professora, aos Professores

É um dos posts mais complicados que “tenho” para escrever no Aventar.

Conheci a mãe da Sara. Com ela discuti política e sindicalismo, com ela aprendi. Eu, um puto armado em revolucionário. Ela, a Professora disponível para ajudar, para dar a cara, para estar presente, como sempre esteve desde a fundação.

Estupidamente tudo acabou!

E a filha, Sara, revolveu escrever um apelo aos Professores: [Read more…]

Coincidência do carago!

Deixem-nos Ser Professores, imagem de uma das manifestações de ProfessoresAqui no Porto, a semântica do título seria diferente, mas atendendo ao bom nome da casa  vamos adoptar uma referência mais simpática: CARAGO!

Que a vida nas escolas está longe de ser brilhante, todos o sabiam. Que se transformaram, muito depressa, em espaços de solidão onde os professores não vivem. Sobrevivem apenas no meio de tarefas sem sentido e no meio de gente que não quer saber, nem quer aprender…

São coincidências do carago ou talvez não, mas se eu fosse Professor de Biologia mudava de grupo

A gema de fora

adão cruz

Mal a luz do dia beliscou a frincha da janela ele acordou acordou como sempre com pedaços do passado agarrados ao pijama às mãos e aos cabelos.

Sentou-se na beira da cama e um sonolento oh que merda soltou-se da garganta ainda seca do bagaço da véspera quando os pés palparam a falta dos chinelos.

Moldou os passos ao chão de modo a evitar a madeira fria do soalho.

Sobre a cómoda continuava a tristeza à mistura com águas-de-colónia de vários tipos. [Read more…]

Como Se Fora Um Conto – A Minha Tristeza e a Dona Ana da Casa Grande

Se estiver triste ou alegre ou se se sentir assim-assim, ou ainda se estiver mais sensível do que de costume, não leia. Esta é uma história penosa.

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É quase noite e é forte, a dor da tristeza. É sempre assim, não importando a razão porque se está triste. Desta vez em nada é diferente. Estou triste, e o tempo que tudo cura demora a passar.

É chato o estar triste. E ainda por cima as pessoas olham-nos de través e se tiverem oportunidade, fogem de nós. Para tristeza, basta-lhes a que carregam, não precisam de se aborrecer com a dos outros. Até eu me olho de través, e nessas alturas, se pudesse, ia-me embora de mim, e não voltava.

«Lembro-me que nos meus tempos de miúdo, perto da casa de meu avô, vivia uma senhora que estava sempre triste. Era uma mulher muito rica que vivia sozinha num enorme casarão, sem marido, sem filhos, sem qualquer familiar. Chamavam-lhe dona Ana da casa grande. À sua passagem, falava-se baixinho, comentando o que ninguém sabia. Amores antigos e impossíveis, diziam uns, enquanto outros se inclinavam para as hipóteses de assassinatos múltiplos, [Read more…]

Como Se Fora Um Conto – Na Páscoa, o Compasso Já Não Vem a Minha Casa

Ao contrário de muitos que fazem questão de dizer que são tudo menos católicos, e que, em todas as manifestações religiosas, cá nos vêm informar da sua não religiosidade, como se isso fosse de algum interesse, não tenho por hábito falar das minhas convicções.

Desta vez, no entanto, resolvi vir falar da minha tristeza por já não ter o Compasso em minha casa, e da minha saudade dos tempos em que, em casa de meu avô paterno, toda a família se reunia para o receber.

O dia amanhecia muito cedo para toda a gente, excepto para nós, crianças. Éramos nove primos, e seis de nós dormíamos naquela casa. Era como se fosse Natal, mas não havia prendas. Quando nos levantávamos, ao som de fundo dos foguetes, já nossas mães e tias se atarefavam nas lides de tudo deixar a postos para «receber o Senhor», e a senhora Margarida e uma ajudante labutavam na cozinha para que o almoço fosse como sempre, sublime.

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Carrosséis

Não há gente mais triste do que a que se dedica aos divertimentos de feira. O homem do carrossel, que recebe as fichas das mãos das crianças, encosta-se a uma das colunas, vai remexendo, sem olhá-las, as fichas entre as mãos encardidas, fixa o olhar no chão e nada mais vê nem ouve até o carrossel novamente se deter. Tem os olhos inchados, a barba por fazer e um sorriso manso, que logo se apaga. A sua sócia, e mulher, vai vendendo as fichas, sentada na cabine onde há uma televisão que ela já não vê. Deve ter sonhado por muito tempo com as carruagens douradas que o carrossel reproduz em infantil escala, mas há muito que se resignou a olhar os três ou quatro botões que controlam as engrenagens do engenho, e a contar as moedas com que dá o troco aos paizinhos. [Read more…]

Poemas estoricônticos

                  (adao cruz)

(adao cruz)

Pobre de quem tem medo das esquinas da vida

e só caminha pelas ruas a direito

bem iluminadas!

Nunca tem sonhos nem surpresas.

Vive na pálida

insípida e mistificadora rotina da vida

que tu e eu bem conhecemos

porque somos exactamente sonhadores. [Read more…]