Mimo ou solidão? Ensaio de etnopsicologia da Infância

mimo

…para o meu novo neto, Javier Isley, mi Weñe e o meu primo irmão Pablo… 

O mimo é uma adição. Sabe-se dele, pratica-se e sente-se que não se pode abandonar. O mimo apodera-se da pessoa e, o que não se diz en palavras, passa a ser gestos bem balançados, elegantes, esguios. Esta frase não é minha, é referida por Paul Curtis, director e fundador do American Mime Theater. O mimo é o que pensamos entregar às nossas crianças, como as define um dos meus Santos Padroeiros nestas temáticas, Wilfred Bion em 1966, no seu texto Learning from experience: todo o ser [Read more…]

Heterossexuais: As minhas memórias

amar uma mulher

 Penso que mentia se dizesse que é o adjectivo menos usado em esta época. Os de homossexual e lésbicas, por ser uma minoria dentro da população e denominar seres que praticam diferente forma de amar, engulhem o adjectivo em questão. Heterossexual designa quem sente atracção ou interesse sexual pelo sexo oposto. [Read more…]

o saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade III

Beethoven Für Elisen Bagatela en lá menor

Falar de amor à beira do abismo refere-se àqueles que superam um traumatismo e experimentam muitas vezes uma impressão de sursis[1], que multiplica o gosto da felicidade e o prazer de viver o que ainda é possível. Neste ensaio vibrante sobre a vida, o autor mostra que mesmo os que têm graves feridas afectivas podem transformá-las em grande felicidade. O título traz uma figura de retórica que o autor transforma em conceito para caracterizar os resilientes. Trata-se do oximoro, que consiste em associar dois termos antinómicos: falar de amor/beira do abismo. [Read more…]

Na senda do Poema Azul

(adão cruz)

Na senda do Poema Azul

Cruzaram as portas correram os campos das árvores novas e os olhos de trabalhar não cederam ao sono nem triangularam o medo nem cavaram rugas no solo imponente das alamedas sombreadas de tílias.

Nesse dia demorou um pouco mais o beijo que ele habitualmente depunha na sua face sedosa e apertou-a levemente contra o peito era uma mulher cheia de ternura e singularmente bela uma daquelas belezas que roubam tudo o que se é no curto instante em que os olhos se cruzam. [Read more…]

amor e doença

 

Estou consciente de ter escrito, de forma abundante, sobre a doença. Não deve ser por nada especial e, no entanto, esse fantasma continua a galgar o meu corpo. Se come o meu corpo, também enreda o meu espírito. Mas, um espírito educado na ética da que falara ontem, é difícil abater. Pelo que é mais simpático falar de amor, do bem-querer, do receber gente em casa, de visitar as casas dos outros como convidado, comer imenso e se divertir, rindo até saltarem as lágrimas da histeria do riso imbatível.

A vida não nem simples nem complicada, é como a fazemos, é como a orientamos. Pode apresentar-se uma doença em frente de nós e nos fazer sofrer. Se nos queixamos dessa doença, ficamos mais enfermos ainda. Pelo que a receita mágica, é ignorar o que é evidente em frente de nós.

Há muitas formas éticas de fugir à dor. Mas, a mais certa não é o médico que pode curar, é o amor que nos dá alegria, tranquilidade e paz. É a presença de uma pessoa querida que toma conta de nós, a que cura. O luto apenas causa mais desespero.

O luto faz parte das dores da vida e deve ser aceite para o ultrapassar… um dia. Esse dia que deve aparecer, quanto antes, melhor. Há quem tenha paz por causa do luto, é uma emotividade muito humana. Nunca esqueço a resposta da minha vizinha, no dia em que o seu marido, após cinquenta anos de casados, foi a enterrar. Um senhor amável, simpático, dava gosto falar com ele. Se era assim amável com os vizinhos, como não serias dentro de casa. Quis apresentar os meus sentimentos à vizinha. A sua resposta foi rápida e directa: senhor doutor, agradeço a sua simpatia, mas não ajuda em nada. Ele me traiu, foi-se embora antes de eu morrer, traiu-me. Eu o quero vivo e ao pé de mim… [Read more…]

a conheci e fiquei rendido

beixo de paixão

Nem parecia ser a realidade. Era um sonho de mulher. Tinha esse temperamento que as vezes muda mas que a paixão sabe aceitar.Bem sei que estamos na muito publicitada cimeira da Organização do Tratado do Atlântico Norte ou OTAN ou NATO em inglês. Bem sei que estamos com problemas de orçamento de estado, que os partidos se apoiam e um minuto depois se desentendem e o dito e tomado por não dito. Bem sei que todo vai ser mais caro porque os nossos legisladores, para tapar os buracos de dívida por eles causado por não saber governar, vão remediar a doença económica com uma subida de impostos como jamais tinha sido vista no nosso país, como também que os nossos ordenados passaram a ter impostos novos, que por ganhar mais do que outros, vai cair sobre mim, como sobre outros um imposto novo e especial. Que estamos à beira de uma eleição Presidencial

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a paixão que acaba em amor

a doçura da ternura que pode acabar em amor e paixão

…para à mulher que sabe que a amo…

Falar de amor, não é um assunto simples. Especialmente por existirem várias espécies de afectividade entre as pessoas de diversas gerações e de diversas idades. Nada simples, também pelas diversas hierarquias de sentimentos pelas que passa o verbo amar, especialmente se um casal vive junto através do tempo. Finalmente, é difícil, porque é um sentimento dentro do qual a adrenalina tem um papel importante na actividade de amar.

A palavra amar seria simples, se fosse uma análise sintáctica do conceito. No entanto, estamos a falar de sentimentos: sentir, imprimir, compelir, entregar todo o nosso ser pela pessoa que amamos. Freud definia amor, como um sentimento que existe para além do prazer de se entregar a outra pessoa, não tem dimensões, nem tempo nem cálculo, como analisa no seu livro, de 1920, a ideia de para além do princípio do prazer. Aliás, é a hipótese que intitula o livro. Normalmente, temos um ego que sai de si para se entregar a um outro ego, com a observação sistemática de um outro princípio que

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a maturidade dos mais novos e o quarto mandamento dos romanos

sempre quis uma família imensa, mas os velhos acabamos sempre sós....

Para Paula van Emden e Camila Ilsley essas novas senhoras, antigamente Iturra-González…..

Os descendentes são a lei da vida. Essa lei que diz que o amor é uma força da natureza[1] que, de dois nascem quatro, cinco ou mais. Paixão definida por muitos analistas, entre eles, Sigmund Freud, como parte do jogo do amor[2]. Bem como essa lei da vida definida por Wojtila em 1992[3], publicada posteriormente[4].

Não estou certo se as citações definem o que acontece na vida real. Ou, será o inverso, é da vida real que estas são retiradas. Para não perturbar a vida dos seres que crescem e um dia vão para outros sítios, os seus progenitores ficam sempre na ansiosa expectativa de saber deles.

A filiação é um mandato para orientar os mais novos para uma nova criançada consequência do amor entre eles, dessa paixão que não pensa mas age, por ser o amor a referida força da natureza. Esta força da natureza leva à procriação de outros. Procriação que muda a hierarquia entre os membros da família. Parece metáfora, mas não o é. É apenas o direito livre e soberano de dois seres que, encontram-se por acaso, gostam um do outro, desenvolvem uma paixão que une e obriga à construção do seu próprio lar. Lar que, por sua vez, irá dar lugar a outro. [Read more…]

a morte do avô

textoi dedicado em 2004 à pequena querida Constança Souta, hoje já menina

Alice Miller, no seu texto de 1999, afirma que a verdade liberta os seres humanos, as pessoas. Mas liberdade para quê? Talvez para o caminho do engano e da falsa verdade que o adulto tenta transferir aos pequenos, por causa do seu próprio temor. Ou, por causa da sua própria dor. O adulto nem sempre entende o que é a realidade e pretende transferir o seu entendimento, para fugir da tristeza que certos processos da vida lhe causam. A morte é um deles. Especialmente, a morte do pai ou da mãe do adulto. Os grandes ficam presos nos seus sentimentos, do amor que têm e tiveram e vão continuar a ter, pelo adulto desaparecido. Essa dor faz com que disfarcem o real perante os mais novos, facto que me faz pensar noutra ideia de Alice Miller, a de 1981: não deves saber que…?

Nós, adultos, parecemos possuir a verdade que liberta, não está nos livros, está na vida e no decorrer do nascimento até partirmos para outro sítio. Qual o lugar, quem vamos ver outra vez, onde está a pessoa amada? Mas será que uma criança coloca esta pergunta? Nós, adultos, não temos resposta perante a morte. Para nós é um sentimento, uma comoção. Um terramoto nas nossas vidas, como se o chão nos fugisse. É um

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Amar na Galiza e em Portugal. Ensaio de etnopsicologia da infância

Mona Lisa é a imagem de Maria Cheia de Graça:calma, serena, alegre

para o amor dos meus amores, que bem sabe quem é… serena e forte como a imagem e cheia de graça e gracejos…

Parece-me impossível falar dos sentimentos de uma rapariga que amo e me ama, sem compara-los com outra histórias de vida que uso como método de pesquisa, no que diz respeito aos sentimentos. Raparigas que, no seu tempo, eram novas e hoje em dia são senhoras com filhos. O tempo passa sem perdoar um minuto na vida dos seres humanos. No ensaio a seguir a este, vou querer comparar essas formas de emotividade, sob a ideia de que no rasto da sexualidade caminha o amor. Tenho sido amado e amo e estou certo que quem andou comigo na Galiza, ama-me também. Ser amado por uma mulher adulta e madura, é a delícia das delícias. Ainda que tenha por vezes, comportamentos ofuscados, que, por fazer o dia mais brilhante, não nos permite ver.

A. Victoria

Analisando os sentimentos de três raparigas e comparando com os meus e os dela, poso concluir o que é amor. Victoria, por causa do povo a que pertence, tem que se resignar a partilhar o amor do seu homem com outras mulheres, o que deve ser difícil, se já é difícil amar e seduzir apenas uma… Mas, o seu povo é a etnia Picunche, que amam de uma outra maneira. Pelos laços das ideias, vamos considerar Victoria com a letra A, classificando a Pilar e Anabela, com as letras B e C, para colaborar com a leitura de quem tenha a ousadia de entrar por estas linhas…

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os filhos e as suas mães

...tempos em que o Manuel era bebé...com a sua mãe a acaricia-lo

para Manuel Melo…

Deve ser a primeira vez que falo contigo. Deve ser a primeira vez que me endereço a ti. Nunca nos temos visto, jamais olhado uma foto tua. Mas atrevo-me a endereçar-te estas palavras. A ti, enquanto penso na tua mãe. Bem sei que já és quase um menino que oferece presentes à mamã. Tomas conta dela, te enterneces quando a vês aparecer, como eu próprio, avô como sou agora, gritava de alegria quando estava coma mãe que me dera a vida

Não há ternura maior, que dar a vida a outro, cria-lo, amamenta-lo, lutar para ser ela quem trate de ti.

Bem sabes que nem sempre pode estar contigo, mas faz todos os esforços possíveis para sair cedo de casa e tornar cedo e estar contigo. Cansada do trabalho, acaba por se encostar um pouco em casa para ouvir-te, tratar dos teus trabalhos, ou brincar comigo.

Penso que a tua mãe não te mima, é apenas carinhosa e gosta que andes limpo e vestido como pensas. Como a minha mãe fazia comigo: se descalço, sem sapatos pois, se nadar, ir para a praia, pois, se andar com amigos, uma tarte esperava por nós, pois.

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A Nai Esperanza Revisitada

lembranças dos tecidos da alma da Nai Esperanza

Parte do livro que escrevo: Esperanza

É-me quase impossível tornar a escrever qualquer texto, sem me referir mais uma vez a essa mulher que não se furtava ao trabalho. Essa Senhora que sabia ser não apenas Nai (em luso galaico, Mãe em luso português), mas também uma boa mulher do seu marido. Sempre pensei nela como uma Senhora. Não dessas Senhoras que sabem vestir à moda imperante, com fatos de seda e penteados de cabeleireiro. Desde que me lembro, vestia da mesma forma, uma blusa com fundo amarelo, com flores estampadas para decorar esse fundo. A saia era cor castanha obscura, até os joelhos, e meias grosas para se defender do frio.  [Read more…]

o processo masculino feminino

o processo do amor correspondido

como era quando eramos novos...

O grande debate da actualidade é: ser homem, ser mulher, namoro heterossexual, namoro do mesmo sexo, namoro entre um mais novo e um mais velho. Enfim, namoros que nem precisam acabar numa relação íntima de dois no mesmo leito, ou nas últimas filas de um cinema de bairro. Namoros de flirt, como diria Georg Simmel (1917, Fundamental Questions of Sociology), que soube retirar da construção da sociedade civil a heterogeneidade da interacção emotiva, como lembra nos seus textos Josepa Cucó. A procura da denominada liberdade feminina a par da masculina, tem sido o discurso que ao longo dos Séculos perpetuou a ideia de que a masculinidade tem sido a espada de Damocles, que parece guardar a feminilidade para a masculinidade. Dois conceitos muito falados e definidos por John Locke desde 1666, e anteriormente, por Aristóteles, recuperados por Avicenas no Século IX, ao modificar as teorias muçulmanas de Fathoma, a filha de Mohamed, a quem ele ditara o El (al) Corão para orientar o comportamento não cristão entre homens e mulheres. E por Tomás de Aquino em 1256, ao usar Avicenas para escrever o seu famoso tratado de Suma Teológica, texto que ia queimando por heresia o acreditado pensador da divindade, do lucro de homem e mulher (à laia da Shakespeare e os seus Montagius e Capulletos), da poligamia e as suas inconveniências pelos ciúmes entre as mulheres deste tão alto marido, incapaz de poliandria. Avicenas e Aquino, falam de paixão, falam da relação entre homem e mulher, da solidão que subordina a segunda ao primeiro, e da vida pública que define o macho como entidade masculina, um pater famílias que sabe mandar e comandar, muito embora, não saiba cozinhar ou remendar roupas. Esses dois elementos do processo masculino – feminino, fundamentais para um ser humano se manter na História. Masculino e Feminino, também abordados por Freud em 1885 e 1906, ao definir a sexualidade como o motor do desenvolvimento da vida, com uma parte a evitar: thanatos, a morte material eterna, ou em vida ao ficar fora da História, fora da memória das pessoas.

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o som de um ninho vazio…

o dia em que amar coverte-se numa constante ironia

Para os meus discípulos de Etnopsicologia da Infância.

Falava ao telefone com uma antiga estudante minha, amiga que age como entende e ajuda-me em todo o que é possível. Dizia-me, logo de manhã ao telefone, que um homem é uma pessoa atroz. Perguntei porque. A resposta foi simples: nada fazemos para as agradar. Comecei a pensar: o que será que agrada a uma mulher, além da intimidade sexual? O carinho gratuito, o amor sem parar, as flores elegantes, dizer que é bonita, acompanhar no minuto da tristeza? Passear para namorar? Devo dizeres que enquanto os anos passam, a minha experiência com as Senhoras são cada vez pior e difícil: mais tempo passa, menos agradamos. Procurei no dicionário a palavra atroz, e fiquei espantado e ferido: cruel e desumano, que excede quanto é imaginável, monstruoso. Não sabia que eu era assim! Bem ao contrário. Pensava ter sido gentil, um cravo, uma rosa branca de carinho, simplesmente, um ser masculino que seduz. Enganei-me. A ironia da frase, reiteradamente referido, desapontou-me. Especialmente, por não me considerar machista. No final, ficamos sós e não prestamos. Como acontece quando os descendentes crescem e formam as suas famílias: devemo-nos habituar a esse som de ninho vazio, sem descendentes, sem companheira. E mais nada acrescento nestes andares, cada ideia minha, será mais uma ironia que amedronta. É melhor pensar na ideia do cabeçalho do texto, que é bem mais triste.

 Confesso que a frase do título não é minha. Antes fosse. É a frase de Mac Kinsey ou Clare McMillan, a mulher do Biólogo, Entomólogo e Sexólogo, o Professor Doutor Alfred Kinsey, o autor do denominado Relatório Kinsey, sobre a sexualidade da

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aniversário de um filho

loiro+natural.jpg

aniversátio do Luís

Nasceu, sem os seus pais darem por isso, a 13 de Junho de 1977. Sem darem por isso, porque no rastro da sexualidade caminha o amor. Amor havia, e muito. O bebé nasceu numa segunda-feira, em tempos em que não se sabia se as crianças seriam rapazes ou raparigas. Rapariga já havia em casa, faltava o rapaz. Todo o progenitor adora ter um casalinho. E foi este o caso. Os irmãos adoravam-se. A irmã era como uma mãe para o irmão, como acontecia comigo e a minha irmã, com uma pequena diferença: eu dava-lhe banho por ser o mais velho vários anos. Até ao dia de hoje, essa minha irmã, toma conta de mim, como a irmã do rapaz. Era Luís Miguel, era Patrícia, sem segundo nome. Os dois gostavam um do outro, assim como os pais adoravam os dois. Eram os Pimentel Correia, desde muito novos inteligentes, sábios, companheiros. Não apenas brincavam juntos, também a irmã lhe ensinava as letras. Como a sua mãe Odete e o pai José Miguel. O tempo não passou em vão. Não eram apenas brincadeiras ou estudos antecipados em casa, eram também uma rainha com o seu rei a viverem juntos em casa dos pais, até cada um encontrar o seu par: a Patrícia, o seu Paulo, o Luís o amor da sua vida. Amor difícil para ele, que tanto adorava a sua irmã. Não havia rapariga que não tivesse ciúmes, não havia rapaz que estivesse contente: eram um casal…Apenas o Paulo foi capaz de seduzir essa rainha e raptá-la, a seguir aos seus estudos, completando todos as sua licenciaturas em Engenharia, como o pai.

O Luís era amigo dos seus amigos e, com a Patrícia já fora de casa, dedicava os seus verões a viajar, ou  a ir à praia ao pé da casa que os pais tinham comprado para eles em São João da Caparica, com os seus amigos ou com os primos que iam nascendo. A especialidade do Luís, de volta das suas viagens de férias, pelo Oriente, na casa da sua irmã, era ser o cavalo das suas primas mais novas. Tão novas, que não podia menos que ser o cavalo que todas elas montavam e ele, forte, musculado e loiro, as levava às cavalitas, especialmente a sua prima Marta, quase da sua idade. Uma irmã para ele, como a mãe de Marta, a sua tia Graça, a sua amiga, a sua confidente, a que sabia dos seus amores, a mulher livre que entendia os amores do Luís, como Patrícia e Paulo o seu marido e davam ideias, como Odete, a sua mãe.

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Ontem à noite…quem diria!

(pormenor - adao cruz)

Ontem à noite…quem diria!

 A poesia era o espaço entre a inocência e o dia, uma espécie de alforria e resgate da cidade, redimindo às portas da sorte o silêncio de mil noites. Vago sentimento de uma consciência acordada pelo gemido do vento, poesia real fundida e refundida, sensual e nua.

 A vítima que há dentro de nós procura sempre o amor na oculta complexidade dos processos, na constante empatia do sofrimento. Nada mais relativo do que o sofrimento, movimento de tudo, senhor do silêncio vivo que arde dentro do poeta.

 A poesia distorce a relação com a vida, abraça o sonho parasita do amor verdadeiro e cada um tem dos restos de si próprio a elegante ideia de uma identidade interior.

 A poesia é assim!

 Ontem à noite…quem diria!

o casamento entre pessoas do mesmo sexo

uma nova forma de casamento e de formar familia conforme a lei

Nova forma de casamento para homens e mulheres, apesar do costume associar esta forma de amar apenas a jovens adultos, pela injustiça do machismo cultural que impera na sociedade ocidental.

Como é habitual, com um Bach muito baixinho por companhia, dedicava o dia ao meu prazer, a escrita, espalhada entre livros, ensaios e posts para os blogues  onde colaboro. Era o dia, esse 17 de Maio deste ano de 2010, em que íamos saber se o Presidente da República  promulgava ou vetava uma proposta de lei sobre o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo. Acabada a escrita, comecei a ler alguns textos publicados num dos blogs e soube, pelo de Ricardo Santos Pinto, que o Presidente da República, tinha mandado promulgar a lei. Contra a sua vontade, comentaria mais tarde. Comentário que, em minha opinião, não deveria ter feito. Conforme a Constituição de Portugal, um Presidente preside aos órgãos de Soberania, ele próprio é a mais alta representação da confiança emanada do povo. Há quem diga que é seu dever falar. Talvez, se é dito por pessoa certa, que conhece a lei, deve ser verdade. Mas, como Advogado que sou, além de Doutor em Etnopsicologia da Infância, o Presidente promulga ou não, mas não comenta. O comentário é do chefe do executivo, o Primeiro-ministro, ou do Presidente da Assembleia da República, dependendo da matéria a tratar.

Longe de mim desviar-me do tema central, o Matrimónio entre pessoas do mesmo sexo. A minha inclinação pessoal é a de defender os direitos, inclinação que se manifesta no facto de ser, há já vários anos, membro de Amnistia Internacional e de Human Rights Watch e de defender, entre outros assuntos, a sagrada liberdade de amar. Esse cultivo de sentimentos pelos seres humanos que se procuram por se amarem. Ao longo dos anos, eu e a minha família, temos defendido esse direito, que inclui o divórcio e o respeito pela pessoa que já não nos ama: vemos, ouvimos, agimos e calamos qualquer tipo de sentimento de abandono que o divórcio define. Aprendemos a amar outra vez, e, com a nova lei, abre-se um universo maior para quem tenha esse sentimento.
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O Dia da mãe – uma estória de amor

Tive um professor absolutamente excepcional, de história e português, Dr. Carlos Bento, nos intervalos não se deslocava à sala de convívio dos professores, era da oposição, adorado pelos alunos escorraçado pelos colegas de profissão.

Lá veio o dia da mãe, a ideia era os alunos escreverem sobre a mãe, de preferência em verso, a maioria de nós nem em prosa quanto mais em verso, mas não havia obstáculos, vá de versejar. O meu irmão, era um podengo, hábil com as mãos (foi mecânico de aviões na TAP) não tinha qualquer talento para as letras, alcunhado como “Jaburu” pela tez vincadamente morena e por ostentar um grande emblema do F. C do Porto na lapela do casaco.

E não teve com meias, criança, vergado ao peso de não conhecer a mãe, apresenta como sua a quadra universal: [Read more…]

as mulheres não gostam de nós II parte

o homem confessa

Torno a perguntar porque é que as mulheres não gostam de nós. E torno a ficar sem resposta. Será que não há colaboração entre ela e ele? Será que o homem a abandona reiteradamente? Será que o gosto e o desgosto mudam com o tempo e a idade? Ou será apenas que a mulher gosta de mandar, ser obedecida e seduzir por meio do desgosto do homem que verdadeiramente ama?

Um casal não é unicamente uma junção de dois. Esses dois, inseridos numa época histórica e num contexto social, têm vários papeis a cumprir ao longo do tempo. O mais importante é o de serem pais e ocuparem-se dos filhos. Não apenas da sua saúde e bem-estar, bem como do seu saber e da sua educação. A minha experiência de etnopsicólogo diz-me ser a mulher quem se interessa mais pela sabedoria dos mais novos, pela sua aprendizagem, pela sua mais-valia como ser humano. Não é em vão que vão à escola perguntar como anda esse saber infantil, bem como não é em vão ser a mãe a convidada pelos professores das crianças para saber dos seus comportamentos na escola. O pai está sempre ocupado com o seu trabalho de ganhar dinheiro, ou a sentir a emoção de ser chefe de família, essa de educar em casa o descendente. Normalmente, com punição. Às vezes, com alegria.

É mais do que conhecido que a alegria da leitura depende da alegria que essas leituras causam nos ascendentes. Enquanto mais lêem os adultos, mais lêem os mais novos. Como acontece com outros saberes. O que se fala em casa fica gravado na memória da infância e passa a ser uma temática que é contínua entre adulto e criança. Não é que em casa não se brinque ou se façam brincadeiras, mas brincadeiras eruditas, como dançar Rimsky-Korsakov, ou representar Shakespeare à laia e entendimento dos mais novos. Os adultos, em casos como esses, observam com atenção e não fazem mofa dos erros; bem pelo contrário, calam e depois, em silêncio e entre adulto e criança, o livro à revisto e explicado. Esse é, diria eu, um lar feliz, com exercício, passeios ao ar livre e horas certas para adormecer e levantar, seja Sábado ou dia de semana.

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As mulheres não gostam de nós

mulher a mandar no seu home

Com justa razão, parece-me a mim. Se lermos o livro de Durkheim de 1893, A divisão social do trabalho, podemos de imediato reparar que o mestre fala do trabalho social sem mencionar o trabalho doméstico em nenhuma das suas hipóteses como analisei no meu trabalho de 2007: O presente, essa grande mentira social, Afrontamento, Porto). Fala, e bem, do trabalho organizado conforme os costumes ou mecânica, e em obediência à lei ou orgânica (disponível em: http://classiques.uqac.ca/classiques/Durkheim_emile/division_du_travail/division_travail.html). É verdade que escreve vários textos sobre o matrimónio, nomeadamente, no Egipto, Japão e Roma e da família conjugal. Mas a minha intenção não é a de analisar o que a ciência social diz sobre essa temática, é, antes, tentar entender o(s) porquê(s) de que a mulher pode não nos amar.

Assim, pretendo fazer falar os meus sentimentos, os dos meus colegas masculinos heterossexuais, e das felonias cometidas por nós em relação às mulheres. Fazer falar o coração e os factos sociais que tenho observado durante anos, nas minhas pesquisas e o que pensam outros autores que têm investigado a relação homem – mulher. Essa permanente subordinação da fêmea ao macho.

Estes dois adjectivos, retirados da forma de falar costumeiras nas nossas sociedades e em outras, denotam de imediato a minha ideia que dá título ao texto: as mulheres não nos amam. Eu, acrescentaria em sub-título: e com justa razão.

Porque é que me parece que as mulheres não nos amam? Pelo sítio social no qual a colocámos, sempre a servirem o homem com quem casaram, com quem vivem ou se amancebaram. Mulheres que sabem não serem as únicas na vida dos seus homens, que aceitam as traições que esse ser comete com outras mulheres ou com outros homens.

Nem todas andam com os seus homens nos sítios que são para homens.

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Dia mundial da poesia?

Dia mundial da poesia?

Comemora-se hoje o dia mundial da poesia. Não é coisa que eu engula facilmente.

Por todo o país e, provavelmente, por todo o mundo há tertúlias e coisas mais ou menos engraçadas. Algumas coisas boas, e outras de pouco ou nenhum valor. A pergunta mais corrente será: O que é a poesia? O que é ser poeta?

Daniel Barenboim, um dos maiores pianistas e maestros da actualidade, diz que é impossível falar de música, e que são muitas as definições de música, mas que, na prática, se limitam a descrever uma reacção subjectiva. Todas elas parecem dizer muito e não dizem nada.

Sem querer pôr-me à ilharga de Barenboim, eu também digo que não sei o que é a poesia, e duvido muito de quem diz que sabe. Desde a respiração de Deus à depuração absoluta da palavra, já ouvi de tudo.  Parecem dizer muito e não dizem nada.

Isto, porque a poesia é um sentimento, o sentimento poético, como o sentimento do amor, o sentimento da alegria, o sentimento da tristeza, o sentimento do medo. O mesmo acontece na arte, ou sentimento artístico, seja qual for a expressão artística, plástica, musical etc. E o sentimento é um fenómeno muito complexo. [Read more…]

A Primavera no coração dos homens: Chaplin e Yeats

Chaplin tinha 63 anos quando filmou “Luzes da Ribalta”.

Mas reparem na candura infantil com que vai saltitando enquanto canta: “É o amor, o amor, o amor, o amor, o amor”.

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Mãe

 

 

(adão cruz)

Mãe

 Mãe. A palavra universal, a palavra mais consensual da humanidade. Nem Deus. Deus é de uns e não de outros. Deus é conceito de muitos e negação de outros tantos. A mãe não. A mãe é de todos sem excepção. A mãe é de todos e é só nossa. A mãe é do crente e do ateu, a mãe é do pobre e do rico, do sábio e do ignorante. A mãe é dos poetas, dos filósofos e artistas, dos bons e dos maus. A mãe é do amigo e do inimigo. Não há mãe de uns e não de outros, não há ninguém sem mãe, não há mãe de ninguém. A mãe é de toda a gente, a mãe é de cada um, a mãe é do mundo inteiro e do nosso mais pequeno recanto. A mãe é do longe e do perto, da água e do fogo, do sangue e das lágrimas, da alegria e da tristeza, da doçura e da amargura, da força e da fraqueza. [Read more…]

os amores são como o vento

 

Namoro, ele e ela em procura da igualdade

 para Maria da Graça

O título precisa  uma certa certa definição. Amores há muitos e de diversas maneiras. Há o amor à Mãe, há o amor à Pátria, há, finalmente, o amor à Humanidade, e dentro de Humanidade, há o amor personalizado. Esse amor a dois, que é nosso melhor alimento espiritual e que dá força para continuar a vida.

Vivemos num país de brandos costume, como é denominado Portugal, que causam estragos se nós sabermos por não saber precaver situações de alto risco. Apenas durante estas duas passadas semanas, tivemos uma hecatombe na Madeira, como já comentara num ensaio anterior; a seguir, e por esse descuido, o Chile ficou de joelhos: nem partido nem quebrado, mas sim, dobrado. Faz dos dias antes desta data, a Turquia ficou de rastos. O que segue, não é sabido. Quem nos dera sermos bruxos ou uma divindade qualquer. Conheceríamos assim o futuro e aprenderíamos a gerir o presente.

Mas o presente tem um senão. Especialmente em amores privados. O homem quer mandar, assim foi habituado desde a sua mais tenra infância, e não consegue suportar o machismo crescente da mulher. Pelos menos, na minha geração que não a dos mais novos: novos são meus netos que, a todo minuto, devem começar a namorar, especialmente o mais velho, que neste Junho faz dez anos. A sua pequena irmã de sete, já pretende ter sedutores, porque imita a mães que é linda como o sol, sabe que é assim e, sem se exibir, aceita com paciência as simpatias dos seus colegas e compatriotas holandeses e ingleses. Tomás segue os passos do pai, que está sempre a trabalhar no seu Museu da Insurreição, que bem dirige. É um genro de bom feitio e lindo, como o seu filho, meu neto. Nem um nem o outro, reparam se são pretendidos ou não, não têm vaidade, não se exibem. [Read more…]

Poemas do ser e não ser

Passei o dia a ouvir música

sempre a mesma

alternando Madredeus e Erik Satie.

Como foi possível

parecerem-me tão semelhantes?

Que percebe de sons

este monocórdico espírito?

Mas foi o mesmo

o que produziram em mim:

a sensação amarga

de ter atirado fora uma paveia de sentimentos.

Como vou misturar

é quase certo que nada existe

nada está perto nem eu estou triste

com Embryons desséchés

e Peccadilles importunes? [Read more…]

a paixão que mata o amor

A morte de Beatriz

Para a mulher que respeito e amo, ela sabe quem é….

O povo português anda preocupado pelas batalhas políticas. Nem sabemos quem nos governa: se é o primeiro-ministro ou a oposição. E se é a oposição, qual é, entre todos os presidentes dos partidos das bancadas que fazem do governo uma minoria, o que exerce o poder? Minoria que, estrategicamente, procurará convénios com os partidos mais pequenos que apoiam o governo minoritário, com condições eternas.

Devo confessar que é um tema interessante, apaixona-me no meu querer saber de como vamos resolver a crise económica que nos atormenta e empobrece, como vamos criar mais postos de trabalho, como vamos agasalhar os que têm frio e fome especialmente em dias de festa, como o carnaval. Povo teimoso que, com frio e tudo e sem dinheiro, passeia e anda pelas ruas da alegria, esquecendo assim as da amargura.

No entanto, quando estamos no meio de outros problemas, sobretudo emotivos, o que o governo faça ou não, passa para segundo plano nos nossos interesses. Até um certo ponto. A crise económica entra nos nossos sentimentos e ficamos fracos para o amor. Bem queríamos amar sem preocupações e oferecer presentes, mas a carestia de vida em que este fraco governo nos meteu, faz-nos mais pobres ainda: de recursos e de emoções.

Os recursos, podem ser resolvidos, o amor também. Um nada de optimismo coloca-nos nas portas da serenidade e da paz. Requisito mínimo, para sabermos conviver em permanente conflito político, especialmente nós, que apoiamos o governo de minoria e os seus aliados. [Read more…]

Também se pode amar uma cidade

Sim, acreditem, a gente pode amar uma cidade, amá-la como se ama uma cidade, com enlevo e ataques de fúria em doses desiguais e alternadas, e chegar da rua assim, a praguejar contra a merda de cão que trazemos nas solas dos sapatos.

E podemos insultar quem condenou à ruína as ruas que amamos desde a infância, chorar esses destroços fantasmagóricos de onde se soltam os azulejos, cansados de esperar uma nova vida que nunca mais chega.

A gente pode amar uma cidade e enfastiar-se da derrota, dos ombros descaídos, do casaco puído de burocrata em passeio de domingo, do cãozinho de pedigree comprado a prestações. E virar a cara para o lado para não ver a nossa pobre gente, condenada a uma velhice de quadro pitoresco para os turistas, a remoer uma côdea de pão na boca desdentada. [Read more…]

Rapidinha – Disfunção eréctil no dia dos namorados?

Só neste país à beira mar humilhado é que alguem teria a suprema idiotice em escolher o dia dos namorados para “Dia da disfunção eréctil” !!!

Já estou a ver, ó querida, meu amor, pega lá este ramo de rosas como prova do meu amor, e ela a olhar para ele, ainda te armas? tu que nem sequer és capaz de o levantar, andas a armar aos cucos? não tens vergonha, meu desgraçado, e se em vez de gastares dinheiro em rosas o gastasses em viagra…já mostrastes as rosas ao bairro todo? porque não vais “á disfunção”? porque não te tratas do “érectil? ainda agora passou na televisão que isso tem cura, tu é que não me amas, desgraçado, tudo podia ser com antes, disse na televisão…

O meu dia de S. Valentim

Até fazia anos neste dia. Ela, talentosa, caprichosa, namoradeira, linda e eu tinha perdido a minha vida, deixado para trás os meus amigos, as minhas leituras, a minha vida profissional, um completo desvario que me fazia infeliz, como um vício que a que não conseguia escapar.

Naquele dia de S. Valentim, fui a uma “romeira” e comprei um belo ramo de rosas, juntei-lhe um poema e uma prenda que nenhuma mulher como ela esquece, paguei o serviço de tudo entregarem na sua morada, corri à TMN para mudar o número do telemóvel, abri a porta ao apartamento que, há um mês, tinha alugado em morada pouco provável e apanhei um avião e fui passar o fim de semana a Barcelona.

Quando voltei, tinha recuperado a minha vida, S. Valentim segredara-me que eu não conseguia transformar em amor aquela paixão destruidora.

Tornei a ve-la dois anos depois, apanhou-me com um telefonema para um telefone fixo que me esquecera de mudar numa casa de praia onde poucas vezes vou. Jantamos, fizemos sexo como loucos, mas S. Valentim há muito que tinha decidido.

Vivemos perto um do outro, mas passam anos sem nos vermos. Espero que faça muitos anos e seja feliz, hoje seu dia de aniversário, dia bem apropriado para uma criatura como ela.

S. Valentim é sábio e bondoso.

no me ensucien el agua!

Alejandrita tomando baño a sus tres años

Era su hábito decir. Un hábito que no sabíamos si era para respetar o para reír… [Read more…]

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