Hugo Miguel: Estaremos atentos às missas deste padre!

Árbitro Hugo Miguel no Facebook durante um programa da TVI em que se debatia a alegada rede de corrupção montada pelo Benfica na arbitragem. O post foi publicado no momento em que o representante do FC do Porto se queixava desse esquema de corrupção e foi posteriormente apagado. A conta no Facebook foi encerrada.

Os Dez Mandamentos do Futebol

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1 – se perderes, culparás o árbitro;
2 – se empatares, culparás o árbitro;
3 – se não fores campeão, culparás o árbitro;
4 – se o defesa da tua equipa falhar um corte, culparás o árbitro;
5 – se o médio da tua equipa falhar um passe, culparás o árbitro;
6 – se o avançado da tua equipa falhar um golo, culparás o árbitro;
7 – se o teu adversário directo não perder pontos, culparás o árbitro;
8 – se o árbitro não cometer erros, culparás o árbitro;
9 – se o o árbitro cometer erros, culparás o árbitro;
10 – se quiseres falar sobre futebol, culparás o árbitro.

Penálti sr. Árbitro

Escrever sobre bola é sempre um momento muito delicado em terras lusas – como alguém terá dito um dia, o futebol é a mais importante das coisas, de todas aquelas que não têm interesse algum.benfica

Mas, em Portugal há uma forma muito estranha de ver futebol – muito pouca gente vê futebol e quase todos, com umas lentes coloridas, observam apenas o que o coração quer ver, mesmo que os olhos teimem em mostrar uma realidade diferente.

O Sport Lisboa e Benfica só foi grande porque Salazar queria. Mais tarde, outros ganharam, apenas e só porque a fruta era de qualidade. De um lado ignoram-se craques como Jardel, Falcão ou Hulk e do outro, jogadores como Oblak, Aimar, Saviola ou Enzo não eram suficientes para se esquecerem colinhos e túneis.

Nos tempos mais recentes, o JJ mudou de lado, lá na BCI da mouraria e assiste sentado e em silêncio aos comentários do seu patrão, que um dia atrás do outro, insiste em dizer que todas as vitórias que Jorge Jesus teve vestido de vermelho, se deveram às caixas do Eusébio. Já agora, uma nota de interrogação: não há por aí uma só alma jornalística que pergunte ao JJ o que pensa ele desse comentário do patrão?

E, chega todo este paleio redondo aos vossos ecrãs, porque o fim-de-semana foi fértil em erros de arbitragem. Jonas saltou para uma falta inexistente, a mesma falta que levou Maxi ao chão. [Read more…]

Fretes

A escolha de um árbitro como álibi para uma tremideira anunciada.

Foi por amor

 

Em pleno estádio, Luisão apaixonou-se. O árbitro ficou literalmente siderado.

Com uma pré-temporada assim (somemos à ave que se pirou no primeiro jogo), o campeonato promete.

Imagem via Bitri

Dicionário do futebolês – o árbitro não quis ver

Diante de uma falta que se torna evidente na décima repetição em câmara lenta, são muitos os comentadores, de filiação clubística assumida ou não, que sentenciam: “O árbitro não quis ver.” Não é a única frase que corresponde a um processo de intenções no universo do comentário futebolístico. Os comentadores são, muitas vezes, autênticas cassandras que adivinham os mais secretos pensamentos de tudo quanto é participante no mundo da bola pontapeada, pelo que também não é menos frequente assistirmos à tradução quase simultânea dos gestos de um treinador, cujo significado pode ser desconhecido para o comum dos telespectadores, mas não é segredo para os adivinhos que tudo sabem e tudo vêem.

Já se sabe que o futebol português reflecte a mentalidade imaturamente lusa que atribui sempre as culpas aos outros, sendo o árbitro o bode expiatório preferido. Num contexto como este, uma frase destas é de uma irresponsabilidade absoluta, porque reforça a ideia de que o árbitro é, sempre, alguém mal-intencionado que escolhe as faltas que apita, a não ser que se engane a nosso favor: nesse caso, o árbitro é apenas humano e, por uma única vez, fomos beneficiados.

Dicionário de Futebolês – Árbitro

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Embora seja uma entidade fundamental no futebol, a palavra raramente é utilizada na língua futebolesa. Para o adepto, o árbitro é quase sempre, entre outros mimos, filho de uma mulher de vida fácil. Para jogadores e treinadores, a avaliar pela leitura labial a que a magia da câmara lenta nos dá acesso, o árbitro é, curiosamente, filho da mesma mulher. É fácil prever que, no futuro, possamos assistir ao seguinte diálogo entre dois adeptos do mesmo clube:

– Este árbitro já nos está a roubar…

– Quem é que está a roubar?!

– O filho da puta!

– Ah, o árbitro! Tu não te sabes explicar!

Se, em Português, tratar alguém por “senhor” é sinal de respeito, em Futebolês, a mesma palavra aplicada ao árbitro é antacâmara ou substituto de palavrão. Efectivamente, nos estádios, o vocativo “ó senhor árbitro!”, normalmente, antecede, em poucos minutos, as referências à profissão mais antiga do mundo desempenhada pela mãe do juiz. Entre os frequentadores dos inúmeros painéis televisivos constituídos por adeptos comentadores, o árbitro é tanto mais tratado por “senhor” quanto mais prejuízos tenha causado ao clube de quem esteja no uso da palavra. Conclui-se, portanto, que, em futebolês, “senhor” é equivalente a “filho da puta”.

No mundo da comunicação social futebolesa, muito mais importante que as transmissões dos jogos é a quantidade de tempo que uma multidão de comentadores passa a prever e a explicar as “incidências do jogo”. Sempre que algum dos comentadores é parte interessada, o árbitro é filho da mãe porque é mãe de todas as derrotas. No caso do clube vitorioso, o próprio triunfo é alcançado apesar das aleivosias cometidas – sempre intencionalmente – pelo árbitro.

De acordo com as leis do futebol, o jogo disputa-se entre dois grupos de 11 jogadores; as leis do futebolês estipulam que o principal adversário de qualquer equipa é o árbitro.