Mesmo os desconhecedores da língua inglesa usam correntemente este termo. Julgo que, se fosse pedido a algum que indicasse um significado, poucos se lembrariam de ‘desportivismo’, por exemplo. Já nos meus tempos de petiz, estava habituado a ouvir dizer ofessaide e não foi fácil habituar-me a perceber que era o mesmo que fora-de-jogo.
Trata-se de uma expressão ligada à ética. Ora, todos sabemos que a ética, na futebolândia, é como as sondagens: vale o que vale. Se for em nosso benefício, está certa; se servir o adversário, é um corpo estranho, entre o vírus e a bactéria.
O desportivismo é, de qualquer modo, algo que os nossos adversários nunca conseguem alcançar, porque são uma gente mal formada, sem educação, incapazes de um gesto de, lá está!, fair-play. É isso, aliás, que serve para explicar por que razão é que, por vezes (muito raramente, claro), também somos forçados a não praticar o fair-play: como os nossos oponentes são, sem excepção, uns facínoras da pior espécie, torna-se necessário ignorar a ética por razões estritas de sobrevivência no meio dessa selva onde é tão difícil ser-se bem-intencionado.
É por isso que um desarme de um jogador de outra equipa será sempre violentíssimo e um pontapé na cabeça de um adversário desferido por um dos nossos não passa de uma acção compreensível, porque, provavelmente, já tinha havido provocações num jogo qualquer da oitava jornada de há três anos.
Quantos jogadores seriam capazes de fazer o que faz Di Canio no vídeo que se segue?














Na maioria das vezes em que há um golo de cabeça, a explicação mais utilizada é “Fulano saltou mais alto”. Rui Veloso chega mesmo a cantar o voo de Jardel sobre os centrais.
Gosto tanto de futebol que chego a gostar mais de futebol do que do Benfica, o que, tendo em conta os últimos 20-30 anos, só pode ser saudável. Não renego a necessária irracionalidade com que o clubismo deva ser vivido, mas, como em muitas outras coisas na minha vida, procuro não ceder à estupidez, especialmente se estiver em público, porque acredito que há coisas que só devemos fazer ou dizer no recato do nosso lar. É por isso que, encerrado na sala com a Sporttv, deixo escapar palavreado impróprio, especialmente nas muitas ocasiões que o meu clube me tem proporcionado para me revoltar ou para me entristecer.





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