
Sábado fui ao mercado semanal da Trofa, como vou todos os Sábados. Encontrei as pessoas do costume, conversei com elas e fiz as minhas compras, tranquilamente. Uma manhã de Sábado normal na minha vida normal.
Numa dessas conversas, uma pessoa amiga disse:
- Este tempo está uma loucura. Nem dá para sair de casa.
- Mas estás aqui, não estás?
- Estou, mas olha que estive para não vir.
- A sério? Mas nem a chover está!
- Não está agora. Tu achas isto normal?
- Claro que acho. É o normal para esta altura do ano.
150km a sul, porém, a vida de milhares de pessoas estava tudo menos normal. Estava suspensa. Milhares de pessoas sem electricidade, sem comunicações, sem água. Pessoas com as casas sem telhado, carros destruídos e negócios arrasados. Pessoas em desespero, a quem o Estado falhou. Falhou na prontidão, na qualidade da resposta e no alerta às populações que se sabia que seriam afectadas, enquanto altos responsáveis do governo, como o ministro Leitão Amaro, apostavam em promover a sua própria vaidade, como um parolo deslumbrado, no timing perfeito. Brioches digitais.







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