Tem toda a razão, Dra. Maria Luís Albuquerque

Agora que não tem barretes para enfiar na cabeça dos portugueses, estilo devolução pré-eleitoral da sobretaxa, ou bancos para varrer para debaixo do tapete, para simular uma saída limpa que, no fim de contas, mais não foi do que outro barrete, Maria Luís Albuquerque foi entrevistada pelo Público e fez questão de recordar a plebe que o país precisa de uma alternativa. Mais ou menos como a senhora deputada, que quando não está no parlamento a levantar a mão conforme lhe manda o partido, está ao serviço dos abutres da Arrow Global.

Mas desta vez, extraordinariamente, estou com a Dra. Maria Luís. O país precisa de uma alternativa, capaz de fazer oposição responsável ao governo minoritário de António Costa. Pena que o seu partido esteja tão ocupado com discursos catastrofistas, sanções e resgates imaginários, diabos e aritméticas da treta, sempre à espreita da próxima tragédia para dela capitalizar. Fosse liderado por gente mais responsável e o cenário talvez fosse diferente. Entregue a figuras tão distintas como Hugo Soares, Marco António Costa ou a própria Maria Luís, não podemos esperar muito. Excepto gargalhadas.

Rui Rio: para que não restem dúvidas sobre o que aí vem

Fotografia: Luís Barra@Expresso

Nas jornadas parlamentares, na segunda-feira, Rui Rio e Santana Lopes falaram aos deputados à porta fechada. No final da intervenção do antigo autarca do Porto, alguns deputados relataram que Rio disse que teria “feito igual ou pior” no lugar de Maria Luís Albuquerque para manter as contas públicas em ordem.

Questionado pela Lusa, o candidato à liderança do PSD esclareceu o contexto da afirmação, que partiu de uma pergunta do deputado Paulo Rios – que apoia Rui Rio -, que o questionou se iria haver uma rutura e como é que um grupo parlamentar alinhado numa determinada política – desenhada por Passos Coelho – poderia defender outra completamente contrária.

“Na resposta, expliquei que não há mudança de rumo, estamos no mesmo partido”, disse, salientando que desde sempre, até enquanto deputado na Assembleia da República, defendeu o rigor das contas públicas.

Tendo Maria Luís Albuquerque à sua frente na sala das jornadas, Rui Rio dirigiu-se depois à deputada e vice-presidente, dizendo que, apesar de terem tido muitas divergências no passado, “nunca contestou o rumo seguido”.

“Comigo se estivesse nesse lugar o rumo seria inalterável. Não sei se disse ‘pior’, eventualmente mais inflexível no rigor”, afirmou, acrescentando que sempre foi o que defendeu toda a sua vida.

[via Expresso]

Maria Luís Albuquerque não leva Portugal a sério

Foto: Lusa@Dinheiro Vivo

e como tal está-se um bocado nas tintas para o cargo para que foi eleita, tendo ficado, na última sessão legislativa, a apenas uma falta de perder o mandato de deputada. Ainda tive esperança que fosse desta, que ter que pagar ordenado e mordomias a uma indivídua que torrou milhões em swaps e nos Banifs desta vida, que ajudou a varrer para debaixo do tapete para nos aldrabar com a fraude da saída limpa, é uma maçada, mas a senhora lá se safou e, para grande tristeza minha e de uma quantidade significativa de portugueses, continua a acumular o cargo com as funções exercidas no sector da pirataria especulativa. A parte boa no meio disto tudo é saber que, enquanto o laranjal for liderado por gente desta, que não leva nem é para ser levada a sério, estaremos a salvo de novas aventuras além-Troika. A parte má é que convinha termos uma oposição útil e responsável no Parlamento. Esta já praticamente só serve para envergonhar diariamente a direita.

Sobre o comunicado da Administradora Não Executiva da Arrow Global

“A autossatisfação com alguns resultados alcançados, ignorando o que os permitiu e desprezando o que devia ser feito para os manter, é a receita infalível para voltarmos, mais dia menos dia, aos problemas do passado.” Maria Luís Albuquerque 

Em 2016 o crescimento era fraco porque a Geringonça só fazia reversões. Agora, o crescimento deve-se ao que veio de trás, apesar de ter sido revertido. A tese do PSD resume-se a isto.

Este crescimento deve-se à conjuntura externa e aconteceria independentemente do governo que estivesse em funções. Maria Luís Albuquerque é apenas mais uma demagoga que não preza a honestidade intelectual. 

Com uma pequena diferença. Estivessem o PSD e o CDS agora no governo e ninguém calaria as suas teses de que a austeridade estava a funcionar. Por isso é que Maria Luís tenta demonstrar, sem o conseguir, que a austeridade se manteve igual. 

E, no entanto, aí está o crescimento,  sem o constante matraquear miserabilista do viver acima das possibilidades para continuar a fazer a única coisa que PSD e CDS fizeram: baixar salários,  pensões e reformas.

É um crescimento efémero? Pois é. E o segredo está em aproveitar as oportunidades, em vez de insistir na auto-flagelação. 

Mas que raio de números são estes?

Perante os resultados ontem conhecidos do crescimento económico, revelados pelo INE, várias são as análises que podem ser feitas. Deixo-as para os economistas. A mim interessa-me mais olhar para este crescimento de 2,8%, que se saúda, e tentar interpretá-lo à luz do culto apocalíptico que surgiu no final de 2015, que anunciava o fogo do Inferno e a danação eterna. O tal conto para crianças que nos foram contando, até o ridículo se tornar insustentável, que garantia que nada de bom poderia vir de um acordo de incidência parlamentar entre o PS e os hereges de esquerda. O desemprego subia em flecha, o investimento estrangeiro a fugia a sete pés, não fosse o imposto sobre o património apanhá-lo, o défice descontrolado como nunca, profetizava a matemática infalível de Maria Luís Albuquerque, e as sanções, meu Deus, as sanções, tantas e tão tenebrosas, mas que nunca deram o ar da sua graça. As sanções e o Dr. Belzebu, que continua em parte incerta, possivelmente alojado num hotel da Baixa do Porto, a aproveitar o que o melhor destino europeu de 2017 tem para oferecer.  [Read more…]

Prémio Cheio de Moral 2017

Vai este ano para a São Caeteno à Lapa, depois da inesquecível performance de Maria Luís Albuquerque, saudosa ministra das Finanças que tantos e tão bons swaps nos deu, para não falar na fantástica na curta-metragem Banif, uma saída limpa debaixo do tapete. Depois do grande sucesso da devolução da sobretaxa, que garantiu o galardão de 2015 ao PSD, Maria Luís regressa com esta memorável acusação e volta a fazer história na edição de 2017.

Sobre o denominador comum da fraude financeira em Portugal, já tive oportunidade de dar os meus cinco tostões. Sobre a seriedade com que o anterior governo lidou com a banca também. Mas se vamos falar de generosidade com a banca, e com os poderosos em geral, não tenhamos memória curta. 2013 não foi assim há tanto tempo.

Imagem via Expresso

É oficial: a aritmética do défice de Maria Luís Albuquerque é uma treta

Recuemos até Novembro passado. Em entrevista ao insuspeito José Gomes Ferreira, Maria Luís Albuquerque afirmava categoricamente que não era “de todo possível” que o défice de 2016 cumprisse a meta europeia. Peremptória, a ex-ministra concluia que “aritmeticamente não é possível. [Read more…]