É preciso evitar falar em responsáveis

A verdade sobre o que aconteceu em Pedrógão é insuportável. É esse o motivo pelo qual os agentes políticos e os seus porta-vozes evitam, a todo o custo, falar em responsabilidades. Foi conhecendo já a verdade insuportável que o Presidente da República se apressou a dizer que “fez-se o máximo que se podia ter feito”. Mas não fez. E a própria declaração apressada do Presidente foi o primeiro sinal de que uma gravíssima negligência tinha ocorrido e que a estratégia de protecção mútua dos responsáveis políticos tinha começado.

Enquanto os bombeiros apagam o fogo e as televisões facturam, por detrás da cortina há reuniões permanentes de gabinetes, encontros assessorados por empresas especializadas na gestão da comunicação em ocasiões de crise, há snipers anónimos espalhados pelas redes sociais, cooptados nas juventudes ou entre dirigentes partidários arruaceiros contumazes, mais propensos à cacetada e ao vernáculo de taberna, cuja missão é insultar quem questione a palavra de ordem: é preciso proteger a imagem do governo. É preciso evitar que se fale em responsáveis. Daqui a uma semana já ninguém se lembra disto.

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Ponte Aérea

Cartaz 09A Dora e o Raul foram deixar a filha no aeroporto. O Alfredo e a Catarina foram deixar o mais velho no aeroporto. A Guida e o André foram levar o primogénito ao aeroporto. Manuel e Teresa foram deixar a filha no aeroporto. Maria Rocha e Jorge Ferreira foram levar o filho ao aeroporto. Artur e Laura foram deixar a filha no aeroporto. Emanuel e Sofia foram levar os gémeos ao aeroporto. Vítor e Yolanda foram deixar o rapaz no aeroporto. Manuela e Vitória foram deixar a mais velha no aeroporto. Fernando e Socorro foram levar o moço ao aeroporto. O Partido Socialista e o Partido Social Democrata construíram estradas ao lado de estradas e aeroportos a fazer de mortos para que finalmente, num certo dia, acabássemos por ir deixar a nossa juventude no aeroporto. A Procuradoria Geral e o Presidente da República fecharam diligentemente os olhos para que, num belo dia, pudéssemos deixar os nossos irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas, no aeroporto. O Regime, os Corruptos do Regime, os Ladrões e Comissionistas Perpétuos dos Orçamentos do Regime, trabalharam arduamente para que nos não fosse de todo impossível deixarmos filhos, irmãos, cunhados e  genros, no aeroporto. Enfermeiros. Engenheiros. Arquitectos. Professores. Operários. Criativos. Ámen. Assim seja.

Silêncios

São um sim?

Com o despedimento previsto para as nossas escolas, quer pela reorganização curricular, quer pelos TERA-agrupamentos, o que falta para um MEGA – levantamento dos Professores?

Será que foi só a incapacidade comunicativa de Maria de Lurdes?

Não entendo…

Contratados, deixem-me ver se consigo dizer isto com as letras todas:

– no próximo ano TODOS os contratados vão estar sem colocação, isto é, vão ser TODOS despedidos! Dá para perceber isto ou não?!!!!

Catástrofe no Rio de Janeiro, um abraço de Portugal

As chuvas, com as consequentes derrocadas e inundações, mataram já mais de 100 pessoas no Rio de Janeiro e desalojaram 2000. Este é considerado o pior temporal da sua história. Segundo noticia o jornal Público,  “em 12 horas choveu o dobro do que se esperava que chovesse em todo o mês de Abril. Foi a maior precipitação acumulada no Rio num período de 24 horas: 278 milímetros contra os 245 do anterior recorde, de 1966.”

Imagens e vídeos da catástrofe correm o mundo. Niterói e algumas favelas foram as zonas mais atingidas. Segundo as notícias que nos chegam, continua a chover. O Aventar, que tem muitos leitores brasileiros, manda um abraço de solidariedade e espera que o sol do Rio volte rapidamente a brilhar.

Madeira: Pessoas da Madeira comentam a situação no Aventar

Temos recebido mensagens de pessoas que se encontram na Madeira a dar-nos conta da situação que se vive. Veja os comentários aqui.

Um simples texto sobre o Haiti

Registei este texto, mas não sei porquê, estupidamente esqueci de onde o retirei e quem é o autor. Penso que, de qualquer forma é útil.

Para EEUU la catástrofe de Haití es un polvorín, no por la amenaza que representaría un posible estallido social para su sistema de seguridad, sino por la ubicación estratégica que reviste el país devastado dentro de su dispositivo imperial de control y dominio en América Central y el Caribe. La decisión de Washington de desplegar unidades y tropas especiales y una flota nuclear (invocando “ayuda humanitaria”) implica una virtual ocupación militar de Haití, entre cuyos objetivos hay uno que sobresale nítidamente: Reemplazar a los Cascos Azules de la ONU y constituirse en única autoridad militar con un control directo sobre el gobierno de Haití. En otro juego de piezas EEUU (utilizando Haití) busca afianzar su hegemonía de potencia nuclear en el Caribe y en Centroamérica con la vista fija en un objetivo de máxima: Chávez y su alianza estratégica militar con el eje Rusia-China-Irán.

Acrescento este comentário meu, a um comentário de Carlos Loures: E ainda por cima este “quero, posso e mando”. Mexem mais comigo a falsidade, a mentira, a hipocrisia e o cinismo do que o próprio insulto directo. Não basta o que diz Fabrício Estrada, (Os EUA exploraram o território e a mão-de-obra, e deixaram o país desertificado, sem recursos, as pessoas sobrevivendo de uma forma desumana. Como se explica que um Estado, perante uma catástrofe, não possua a mínima capacidade de resposta e fique cem por cento dependente da ajuda internacional? ). Ainda no seio de tão grande catástrofe, assaltam o aeroporto, expulsam jornalistas, desviam aviões de outros países, já estacionados e carregados de material de ajuda, impedem a aterragem de outras aeronaves que não as suas, desembarcam milhares de soldados, dispondo assim do Haiti como se de uma quinta sua se tratasse. Bárbaro! Obsceno! O prémio Nobel da Paz treinando!