A fúria do mar

Há várias façanhas pelas quais os portugueses são conhecidos mundialmente. Terá sido, aliás, Mário Cesariny um dos primeiros a descobri-lo e a demonstrá-lo com evidência científica e surrealista, na sua “pena capital”:

quando acabava de ser identificada a casa onde viveu
Miguel Cervantes, em Alcalá de Henares,
eu saía para o campo com Rufino Tamayo
enquanto um português vivia trinta anos com uma bala
alojada num pulmão
chegava eu ao conhecimento das coisas

A verdade, é que parece haver uma tendência, nos portugueses, para uma certa satisfação pelos extremos e um cultivo alegre do espanto perante fenómenos ou acontecimentos totalmente insusceptíveis de o gerar ou, em gerando-o, mais tendentes, num “povo normal”, a suscitar uma reacção de cautela, previdência e algum recato. Não se trata de uma realidade circunscrita espacialmente à zona do Entroncamento, ou da Cova da Iria, mas, pelo contrário, presente em qualquer lugar onde chegue a alma lusa. A capacidade portuguesa para fazer do banal, extraordinário, e do extraordinário, banal, é algo do nosso quotidiano morno e acontece onde quer que estejamos e sejam quais forem as circunstâncias do tempo e do lugar.

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O impaciente inglês

o-paciente-inglesUm paciente inglês, sujeito às agruras de uma lista de espera, impacientou-se e resolveu operar-se a si mesmo. A história tem mais alguns nós, mas dá que pensar. O pior, para alguns mais tendenciosos, será o facto de o pobre homem ter andado quinze anos inclinado para a esquerda, esperemos que sem cair em extremismos.

Portugal é um país com alguns hábitos estranhos, como, por exemplo, a manutenção, há anos, de épocas de incêndios e de cheias, infelizmente nunca coincidentes. Não sou de ler o Diário da República, mas, diante da constância de fogos estivais e invernais inundações, não me admiraria que as referidas épocas resultassem de decretos. Chegou mesmo a haver um ministro a explanar uma verdadeira teologia da enxurrada, que, para isso, pelo menos, os ministros servem, sejam de Deus ou do Diabo.

Outro hábito estranho é o das listas de espera nos hospitais, numa contradição evidente, já que a espera pode fazer mal à saúde. Se há sítios em que a palavra ‘paciente’ faz sentidos, é nos hospitais.

As listas de espera resultam, certamente, de vários factores e o mercantilismo economês não será um dos menos importantes, com os espécimes que gerem hospitais muito preocupados com competitividade, porque tudo é um campeonato. Os que (se) ocupam (d)o Estado têm, de qualquer modo, tecido o esvaziamento dos hospitais públicos, favorecendo empresas, porque ao lado de uma lista de espera há sempre um hospital privado a abrir. O cidadão que seja desinformado ou desabonado ficará sentado na lista de espera e não faltará muito tempo para que os portugueses, desenrascados como são, passem a tratar da própria saúde, seguindo o exemplo do impaciente inglês. [Read more…]

Catástrofe no Rio de Janeiro, um abraço de Portugal

As chuvas, com as consequentes derrocadas e inundações, mataram já mais de 100 pessoas no Rio de Janeiro e desalojaram 2000. Este é considerado o pior temporal da sua história. Segundo noticia o jornal Público,  “em 12 horas choveu o dobro do que se esperava que chovesse em todo o mês de Abril. Foi a maior precipitação acumulada no Rio num período de 24 horas: 278 milímetros contra os 245 do anterior recorde, de 1966.”

Imagens e vídeos da catástrofe correm o mundo. Niterói e algumas favelas foram as zonas mais atingidas. Segundo as notícias que nos chegam, continua a chover. O Aventar, que tem muitos leitores brasileiros, manda um abraço de solidariedade e espera que o sol do Rio volte rapidamente a brilhar.

Ontem – era o sr Pinto de Sousa, Hoje – estou muito agradecido ao sr Primeiro Ministro

E depois toda a gente sacode a água do capote:

– “se ribeiras não fossem canalizadas teria sido muito pior”

– “a pressão demográfica é que obrigou a toda esta construção”

– ” a mim não chegaram estudos”


Calamidade na Madeira [em actualização]

Parece que na nossa comunicação social não se passa nada.  Via net fala-se em 7 mortes confirmadas, devido a inundações.

RTPMadeira fala em 9 mortes. Meios médicos falam em mais de 20 mortos.

17h23 – já se fala em 31 mortes

Norte da Madeira com sol e sem chuva.

Entretanto pelo menos a RTPN acordou. Siga a emissão.

Se está na Madeira coloque informações neste mapa.

Ligação para mais informações.

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=9597431&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=1&show_portrait=0&color=&fullscreen=1

Madeira Storm February 20, 2010 from Wind Birds on Vimeo.

Chuvas em Rio Tinto e o Caos…

“Nasci” juntinho ao Rio Tinto. Ouvi as histórias de peixes e dos Moinhos ali junto ao ALARO…o café de António Luís… Oliveira. Sim. Esse – um dos Oliveirinhas. O mesmo onde hoje existe um restaurante onde se paga melhor para comer pior, mas enfim… voltemos ao assunto.

rio_tinto_poluido
Ali mesmo juntinho ao Rio vi vezes sem conta a sua fúria que teimava em chatear os mais desprotegidos – quem nada tinha, sem nada ficava por causa da água, esse elemento vital tantas vezes inimigo.
Depois veio uma ETAR que a troco dos maus cheiros e incómodos vários trouxe alguma requalificação às margens e ao leito do rio que dá nome à freguesia que quer ser concelho.
E esta madrugada, uma vez mais, a água entrou em casa dos meus familiares – um metro. Isso mesmo – um metro de água dentro de casa.
(RTP, JN, RR, SIC )
Imagine, caro leitor, que isso acontece em sua casa – além do lixo, o que ficaria danificado?
Agora se me permitem, uma conclusão demagógica: o sr. Major, esse exemplo raro do poder autárquico, que tantos anos leva de mentiras e enganos, fez o quê nas duas últimas décadas para resolver este problema?
Por mim, fica novamente claro que RIO TINTO tem que ser independente de Gondomar porque quem por lá anda faz de conta que a freguesia que mais dinheiro dá ao concelho não existe.