Vivi tempo suficiente para ouvir o Ventura dizer que a IL é o partido dos grandes grupos económicos – o que também não é mentira – quando é financiado pelos Champalimaud e pelos Mello.
André Champalimaud Mello Ventura

Champalimaud e Mello são duas famílias que têm em comum a ligação ao Estado Novo. Receberam de Salazar o favor do tráfico de influências e da corrupção política que não aparecia na estatísticas porque as estatísticas eram aquilo que o regime fascista quisesse.
Não vou maçar-vos com detalhes sobre as ligações e compadrios das duas famílias com a ditadura salazarista ou com o centrão da porta giratória. Existe boa literatura que o fará bem melhor que eu e, querendo, até vos posso sugerir alguma.
Mas vou dizer-vos isto: alguém vai ter que explicar aos chorões do CH, devagarinho e se possível com desenhos, que São Ventura não é anti-sistema, muito menos líder de um partido “contra as elites”. Tal como Salazar nunca o foi. André Ventura e o CH têm entre os principais financiadores vários membros das famílias Champalimaud e Mello, que são tudo menos anti-sistema. São, isso sim, o próprio sistema. São a elite das elites. A elite dos negócios com o Estado em que a elite sai a ganhar e o contribuinte a perder. Basta ver quem anda por aqueles conselhos de administração para perceber isso mesmo. E chegará o dia em que Ventura e seus correligionários lá estarão, juntamente com os utilitários de PS, PSD e CDS. Até porque como agora já sabemos, as famílias Mello e Champalimaud não precisam de continuar a esconder que financiam a extrema-direita que quer brutalizar a democracia, mas que será sempre mansinha e obediente à elite que lhes paga cartazes.
Donos de Portugal: à venda por 4, 99€
“No momento em que a crise expõe as fragilidades do desenvolvimento económico do país, o documentário revela quem foram os principais intervenientes e protagonistas na economia portuguesa durante o último século. Produzido para a RTP2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme é realizado por Jorge Costa (juntamente com Cecília Honório, Luíz Fazenda, Francisco Louça e Fernando Rosas)” (Público, 13/7).
Repare nisto: “Os nomes das grandes famílias que detêm o poder económico em Portugal são as mesmas de há 100 anos“. Uma delas e no centro do referido grupo, “sempre esteve a família Mello”: os Mello ligaram-se, na primeira metade do século XX, aos Lima Mayer pelo casamento de Jorge de Mello com Luísa Lima Mayer. Um dos filhos desta união, Manuel de Mello, vai casar-se com a filha do industrial Alfredo da Silva integrando assim o grupo CUF no império Mello. Desta união nasce Cristina, futura esposa de António Champalimaud. Os seus filhos iniciam a linhagem Mello-Champalimaud.” Esta é apenas uma dessas famílias que o documentário refere.
Ligações desinteressadas… Tudo por amor!
Podemos falar em «dinastias» e «impérios» depois do fim «oficial» das Monarquias e Impérios… Outros reis e rainhas, outros imperadores e imperatrizes, o mesmo povo.
O DVD Donos de Portugal está à venda a partir de segunda-feira juntamente com o jornal Público, por mais 4, 99€.






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