Os artistas de circo na hora da morte de Otelo

Capaz de defender tudo e o seu contrário: eis o bufão-mor.

Honra lhe seja feita:

   A morte do Otelo e a posterior decisão de António Costa de não decretar luto nacional, teve o condão de pôr os mais acérrimos críticos do primeiro-ministro a beijar-lhe os pés.
   Ler o João Miguel Tavares, o pinscher da opinião política, a louvar Costa por esta decisão, não só é lindo (o amor tudo supera), como é, ao mesmo tempo, embaraçoso. É preciso lembrar que esta gente é a mesma que, há uns meses, depois do inconsequente derrube de estátuas, veio defender, com o ar mais paternalista do mundo, que “é…preciso…enquadrar…na…época…não…podemos…julgar…com…os…olhos…de…2020…o…que…se…passou…em…1920!”. Teriam razão, se, agora, não se prestassem a fazer estas figuras quando o tema é Otelo, usando, como combustível, as FP-25 (e isto também é gente que tem zero para dizer acerca das spínoladas e do MDLP).
   Ainda assim, é natural: a postura de reaccionarismo, típica da direita em Portugal, leva-os a cair neste ridículo vezes sem conta. Não se cuidem, não…

Fotografia: José Carlos Carvalho