Os artistas de circo na hora da morte de Otelo

Capaz de defender tudo e o seu contrário: eis o bufão-mor.

Honra lhe seja feita:

   A morte do Otelo e a posterior decisão de António Costa de não decretar luto nacional, teve o condão de pôr os mais acérrimos críticos do primeiro-ministro a beijar-lhe os pés.
   Ler o João Miguel Tavares, o pinscher da opinião política, a louvar Costa por esta decisão, não só é lindo (o amor tudo supera), como é, ao mesmo tempo, embaraçoso. É preciso lembrar que esta gente é a mesma que, há uns meses, depois do inconsequente derrube de estátuas, veio defender, com o ar mais paternalista do mundo, que “é…preciso…enquadrar…na…época…não…podemos…julgar…com…os…olhos…de…2020…o…que…se…passou…em…1920!”. Teriam razão, se, agora, não se prestassem a fazer estas figuras quando o tema é Otelo, usando, como combustível, as FP-25 (e isto também é gente que tem zero para dizer acerca das spínoladas e do MDLP).
   Ainda assim, é natural: a postura de reaccionarismo, típica da direita em Portugal, leva-os a cair neste ridículo vezes sem conta. Não se cuidem, não…

Fotografia: José Carlos Carvalho

Comments

  1. António Torres says:

    Olho para estas aberrações como tal e tenho sérias dúvidas se se devem, sequer, comentar aquilo que dizem.
    Neste caso, o que me vem à memória, é a metáfora do cego que era racista porque nunca ninguém lhe disse que ele próprio era negro.
    Sindromas do Filho do Carteiro?
    Os Melos (Nuno) pronunciar-se sobre Otelo o que interessa?
    A criatura, se tinha ou tivesse (não sei) idade para descernir o que aconteceu no 25 de Abril de 1974, teria odiado o Otelo nesse mesmo dia, tal como o tio o odiou (Cónego Melo).
    A quem interessa o que dizem estas personagens?
    Não se advinha logo o que eles dirão sobre qualquer situação social ou política?

  2. JgMenos says:

    Ridículo é louvar o ridículo!
    A constante cobertura das acções de Spínola na Guiné – em particular pelo Expresso – publicado o livro de Spínola ‘Portugal e o Futuro’, o seu prestígio e a expectativa de mudança, que se sabia necessária, criaram as condições necessárias a essa mudança.
    Daí resultou que, a parir de um incidente corporativo (salários e carreiras na função pública – que há de mais mobilizador?) os homens-de-mão de Spínola tiveram nesse movimento um ascendente que a sua valia individual não justificava.
    Otelo foi dentre eles o mais inconsistente, histriónico e aparvalhado de todos.
    Foi pasto da ganga esquerdalha, e é ainda essa canalha que o toma por bandeira.

  3. Paulo Marques says:

    É um perito em comprar consensos a curto prazo; as consequências ficam para quem vier a seguir.
    A Carmo Afonso disse tudo: As polémicas não matam a democracia, as cedências nos princípios sim.


  4. Comentar com o coração e as ideias há muito formatadas mas jamais fundamentadas dificilmente convencerá seja quem for. Procurei elaborar sobre o tema em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2021/07/otelo-o-espinho-que-nem-morte-arrancou.html , que o convido a visitar e, se assim o entender, a comentar.

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