Resíduos de botas nas línguas dos jotas

the-island-of-dr-moreau-pic-2O jota do centrão é uma mutação produzida em laboratório. Por fora, parece uma pessoa; por dentro, é um híbrido obediente, entre o porco e o lobo, que vota caninamente no que lhe mandam em vez de dar a pata e que diz o que lhe ditam, atacando uma jugular retórica à ordem do dono.

Os laboratórios em que produzem os jotas têm escrito na fachada “Sede do Partido Coiso”. Lá dentro, os chefes estendem a bota e o jota, como em qualquer praxe universitária, lambe até ficar dependente. De tanto lamber, dá-se a mutação.

No fundo, lamber a bota é um sucedâneo da célebre “água do cu lavado” com que, diz a tradição, as mulheres seduziam os futuros maridos. Como é que isto se compagina com a teoria de que os homens se prendem pelo estômago não sei, mas o mundo está cheio de mistérios. [Read more…]

As consoantes e as vogais

portugês

Tendo Daniel Bessa como objetivo “falar sobre economia”, é natural que Carvalho da Silva seja um político *portugês. Dir-me-ão que *portugês, como *Portigal e *seretário-geral, é gralha.  Responder-vos-ei: efectivamente, tendes razão; de facto, *portugês é gralha (entretanto corrigida). Mas deverei acrescentar: objetivo também é gralha e, como *portugês, merece correcção. Sendo o ‘u’ necessário para que se leia [puɾtuˈɡeʃ] em vez de [puɾtuˈʒeʃ], é inaceitável este desprezo pelo ‘c’, importante para que, em vez de [obʒɨˈtivu], se leia [obʒɛˈtivu]. Esta discriminação das consoantes em relação às vogais é pura e simplesmente inadmissível. Corrijam, sff. Obrigado.

Hospitais da luz vermelha

imagesDaniel Bessa teve medo de assumir, frontalmente, as consequências das suas declarações. Na Universidade de Verão de um dos seus partidos, o ex-ministro da Economia explicou que há demasiadas semelhanças entre um hospital e um hotel para que o primeiro não possa ser, também, o segundo, porque, segundo Bessa, “na saúde, há muito de hotelaria.” E acrescentou: “O que é um hospital? São camas, como um hotel. Tem uma cozinha, como um hotel. Muito do que se passa num hospital é equivalente ao que se passa no turismo.”

Nunca tinha pensado nisso, mas, na realidade, não há nada mais parecido com um turista do que um paciente que passeia, com vagares ociosos, a sua garrafinha de soro, que, conforme as posses, poderá passar a ser gourmet. E haverá turista mais privilegiado do que alguém que, por exemplo, tenha ficado incapaz de comer pelas próprias mãos, podendo, agora, ser alimentado sem se cansar?

Mas Daniel Bessa deveria ter ido mais longe e não soube ver mais além. E se, em vez de “O que é um hospital? São camas, como um hotel!”, saltássemos para fora do quadrado e disséssemos “O que é um hospital? São camas, como um bordel.” [Read more…]

Prémio tese mais estúpida da semana

daniel bessa
Vai para Daniel Bessa, com grande vantagem sobre os outros candidatos, o que é uma proeza assinalável numa semana em que a estupidez produzida deu razão a Einstein sobre o assunto.

Afirmou o economista que, se inscrevermos na Constituição da República um défice máximo apertado (3%, para ser generoso) o Tribunal Constitucional não poderia ter tomado ou, se tal proposta vingasse, jamais viria a tomar decisões como as que tem produzido. Porquê? Porque poria em causa o défice “constitucionalizado”! Este passaria a ser o núcleo central perante o qual todos os preceitos constitucionais se vergariam. A tese é tão estúpida – e por tantas razões – que deixo à imaginação dos meus amigos todas as barbaridades que tal possibilidade libertaria. Eleições marcadas? Não pode ser, prejudicam o défice. Pagar o ordenado aos funcionários públicos no dia estabelecido? Idem. Despesas do Serviço Nacional de Saúde? O mesmo. Queixam-se ao Tribunal Constitucional ou a qualquer outro Tribunal? Tenham paciência, não pode haver decisões que prejudiquem o sacrossanto défice. E a Democracia? O défice. E os direitos? O défice.

Lembrar que este idiota foi, em tempos, promovido de comentador a ministro! Os deuses todos nos valham, se não formos capazes de nos valer a nós próprios.

Ora Bessa!

Daniel Bessa

Há comportamentos de certos homens públicos que me causam psoríase. Olho para o percurso político-partidário deles e fico perplexo e indignado.

Daniel Bessa, Joaquim Pina Moura, Mário Lino e António Mendonça, todos oriundos de certa esquerda, constituem alguns exemplos de eloquente falta de vergonha. Vidas de videirinhos que, para manter benesses, não hesitam em tornar-se serventuários de ideologias que antes combateram (?) e opostas ao individualista egoísmo que, pelos vistos, sempre os norteou.

Segundo o ‘Público’, Daniel Bessa considera: “A economia está ser aniquilada pelo Estado Social”. É caso para afirmar com estrondo: “Ora Bessa!!!”. Eu e felizmente muitos, muitos mais pensamos exactamente o contrário; isto é: “O Estado Social está a ser aniquilado pela economia”. Então não foi Bismarck, um conservador do século XIX, o fundador do Estado Social? É ou não verdade que, terminada a Guerra Fria, os Estados europeus, a partir de Margaret Tahtcher, e com neoconservadores e socialistas (?) em sintonia, produziram e desenvolveram o modelo  da drástica redução do papel do Estado na economia, das PPP’s e da infabilidade  do mercado da ‘mão invisível’? O que é que o Estado Social contribuiu para as bolhas financeiras, imobiliárias e desgovernação do sistema financeiro? Tudo o que nos fez aportar ao território do descalabro dos sistemas económicos, do euro e das desigualdades sociais emanou do Estado Social? [Read more…]