Resíduos de botas nas línguas dos jotas


the-island-of-dr-moreau-pic-2O jota do centrão é uma mutação produzida em laboratório. Por fora, parece uma pessoa; por dentro, é um híbrido obediente, entre o porco e o lobo, que vota caninamente no que lhe mandam em vez de dar a pata e que diz o que lhe ditam, atacando uma jugular retórica à ordem do dono.

Os laboratórios em que produzem os jotas têm escrito na fachada “Sede do Partido Coiso”. Lá dentro, os chefes estendem a bota e o jota, como em qualquer praxe universitária, lambe até ficar dependente. De tanto lamber, dá-se a mutação.

No fundo, lamber a bota é um sucedâneo da célebre “água do cu lavado” com que, diz a tradição, as mulheres seduziam os futuros maridos. Como é que isto se compagina com a teoria de que os homens se prendem pelo estômago não sei, mas o mundo está cheio de mistérios.

Voltando à transformação dos seres humanos em jotas, percebe-se que a ASAE, estando dependente do poder, não faça umas visitas às sedes dos partidos, porque, na realidade, a higiene está em causa e a crueldade com os animais é, hoje em dia, condenada por uma grande maioria da opinião pública.

Manter um jota ainda dá trabalho e despesa. É que não basta alimentá-lo, o que já seria caro. É preciso, pela vida fora, manter-lhe o cérebro em inactividade constante, o que leva, há vários anos, o PSD a promover um campo de treino a que chama Universidade de Verão, em Castelo de Vide. Aí, a bicharada aprende a fugir do raciocínio, gozando dos bons ares do Alto Alentejo e aprendendo que um hospital pode ser um hotel e, porque não?, um bordel.

Foi aí que Duarte Marques aprendeu muito do que não sabe e terá sido aí que Hugo Soares retrocedeu no mesmo sentido.

Soares já se tinha celebrizado, quando defendeu que a Educação, em Portugal, deveria deixar de ser gratuita, declaração que deve divertir imenso aqueles pais que insistem em comprar manuais escolares e outros materiais que, por serem comprados, não entram, estranhamente, na categoria de ‘gratuito’.

Hoje, li algumas declarações de Hugo Soares sobre o Orçamento de Estado. Sendo eu ainda mais leigo que o João Mendes, não vou analisar o documento, mas aproveitarei para realçar algumas frases do jovem exemplar jota.

Em primeiro lugar, Hugo sabe que vai haver um “gigantesco aumento de impostos”, apesar de ainda não ter “as contas feitas”. Para uma pessoa sensata, isto poderia parecer uma insensatez, mas o jota não precisa de fazer contas para dizer que as contas do adversário estão erradas. As contas são do adversário? Estão erradas.

Insensatez poderia parecer, ainda, criticar o facto de o adversário aumentar impostos, depois de o partido a que pertence ter passado quatro anos a fazer o mesmo. É simples: o jota aprende que o aumento de impostos do seu partido é sempre melhor do que o aumento de impostos do adversário.

Finalmente, o desejável efeito redistributivo dos impostos deveria levar a que todos os orçamentos se baseassem num “toma lá dá cá”, mas o jota, enquanto torce o pepino, aprende que é muito importante, em política, produzir umas frases com efeitos sonoros e de ressonâncias populares ou popularuchas, mesmo que não se queira dizer nada, até porque não se pode querer o que não se consegue.

Confirma-se que o vício de lamber botas tem efeitos secundários terríveis. Infelizmente, a intoxicação atingiu níveis tais que a recuperação é praticamente impossível. Felizmente, há uma instituição que acolhe estes pobres mutantes: bem podiam chamar ao Palácio de São Bento a Ilha do Dr. Moreau.

Comments

  1. j. manuel cordeiro says:

    Está genial, Fernando.

  2. É escusado colocar o polegar para baixo, porque o Nabais tem carradas de razão!

  3. José Peralta says:

    Enquanto o PSD estiver subjugado a esta clique de crápulas arrivistas e hipócritas como o aldrabão-mór coelho (que AGORA, e não por acaso, anda a vender a banha da cobra do “regresso
    à social-democracia”…) e os seus sequazes !

    Enquanto não houver uma vaga de fundo promovida por “Homens-bons” (que o partido também os têm, mas estão amordaçados e/ou manietados) que se proponham dar um “murro na mesa” e façam com que o PSD volte à sua génese social-democrata, a dos seus fundadores, Sá Carneiro (de quem eu, em tempo revolucionário, era “contra” por estar – e estou ! – noutra “trincheira”…), Magalhães Mota e tantos outros !

    Enquanto houver esta côrte de “jotas”, servos e lacaios domesticados e paulatinamente formados nas “universidades de verão” com “professores” como o traidor rangel. Os quais, sem o partido não têm “onde caír mortos”, tão dependentes dele são, “alimentados à mão”, caninamente fiéis aos seus “padrinhos” e engrossando aos milhares a legião de “boys” que infestam e armadilham o Estado !

    Enquanto tudo isto for permitido, tão cedo o PSD não renascerá das cinzas !

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  1. […] hoje: entra-se na política e, por defeito, passa-se a ser doutor. Além disso, o esforço que um jotinha faz para entrar numa universidade (acto diferente de entrar para a universidade) já é tão grande […]

  2. […] aulas, concluindo-se, portanto, que os docentes não são professores e que os alunos, portanto, os alunos, dizia eu, não estão ali para aprender. Pronto, confesso: é um rodízio de […]

  3. […] ao conceito de crescimento que povoa a mente desta gentinha alimentada a doses de cavaquismo e a restos da universidade de Verão e para quem as pessoas são abstracções, objectos puramente mentais que, portanto, não precisam […]

  4. […] à coisa de ano e meio que o António Fernando Nabais trouxe a este espaço o epidémico flagelo dos resíduos de botas na língua dos jotas, sobre o qual não me alongarei em face do diagnóstico cabal apresentado pelo meu amigo e colega […]

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