Postais da Raia #6 a #10 (de Cáceres a Castelo de Vide)

As terras do extremo e a campa triste de um capitão de Abril

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Tenho passado os últimos dias a atravessar fronteiras, sempre entre os mesmos países, embora em sítios diferentes. Saindo do Sabugal e do maravilhoso e relaxante hotel do Cró, de um quarto com vista para todas as estrelas do universo e com uma banheira também com vista para os campos, atravessei a fronteira na Aldeia do Bispo, sem que Espanha se fizesse anunciar. Apenas reparei que os sinais de trânsito eram diferentes e a estrada um pouco melhor. De resto, não se dá pela fronteira, nem creio que ela exista para muitos dos que a cruzam quotidianamente entre o lado português e o lado espanhol. Anda-se um bocadinho em Castela e Leão e entramos na Extremadura, ou nas terras que estão no extremo. De Espanha, claro, porque a seguir ainda há Portugal que tem as suas próprias terras do extremo, ali à beira do oceano, a última das fronteiras, o último dos horizontes, ou se calhar (de certeza, vá) não.
 

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O regresso do cavaco-vivo

A universidade de Verão de Castelo de Vide está para o Ensino Superior como as notas do Monopólio estão para o dinheiro, o que quer dizer que as aulas que ali decorrem não são, portanto, aulas, concluindo-se, portanto, que os docentes não são professores e que os alunos, portanto, os alunos, dizia eu, não estão ali para aprender. Pronto, confesso: é um rodízio de comícios.

Cavaco Silva foi um dos “professores” convidados e, de modo coerente, confirmou aquilo que de pior tem em si, que é, afinal, o melhor que pode dar ao mundo. O político que fingiu, durante anos, não ser político deu mais uma lição de vacuidade, o que, afinal, faz sentido na universidade de Verão de Castelo de Vide. [Read more…]

Resíduos de botas nas línguas dos jotas

the-island-of-dr-moreau-pic-2O jota do centrão é uma mutação produzida em laboratório. Por fora, parece uma pessoa; por dentro, é um híbrido obediente, entre o porco e o lobo, que vota caninamente no que lhe mandam em vez de dar a pata e que diz o que lhe ditam, atacando uma jugular retórica à ordem do dono.

Os laboratórios em que produzem os jotas têm escrito na fachada “Sede do Partido Coiso”. Lá dentro, os chefes estendem a bota e o jota, como em qualquer praxe universitária, lambe até ficar dependente. De tanto lamber, dá-se a mutação.

No fundo, lamber a bota é um sucedâneo da célebre “água do cu lavado” com que, diz a tradição, as mulheres seduziam os futuros maridos. Como é que isto se compagina com a teoria de que os homens se prendem pelo estômago não sei, mas o mundo está cheio de mistérios. [Read more…]

Passos Coelho sob investigação

A notícia foi dada por Paulo Rangel, professor da Universidade de Verão: há “um primeiro-ministro sob investigação.”

Hospitais da luz vermelha

imagesDaniel Bessa teve medo de assumir, frontalmente, as consequências das suas declarações. Na Universidade de Verão de um dos seus partidos, o ex-ministro da Economia explicou que há demasiadas semelhanças entre um hospital e um hotel para que o primeiro não possa ser, também, o segundo, porque, segundo Bessa, “na saúde, há muito de hotelaria.” E acrescentou: “O que é um hospital? São camas, como um hotel. Tem uma cozinha, como um hotel. Muito do que se passa num hospital é equivalente ao que se passa no turismo.”

Nunca tinha pensado nisso, mas, na realidade, não há nada mais parecido com um turista do que um paciente que passeia, com vagares ociosos, a sua garrafinha de soro, que, conforme as posses, poderá passar a ser gourmet. E haverá turista mais privilegiado do que alguém que, por exemplo, tenha ficado incapaz de comer pelas próprias mãos, podendo, agora, ser alimentado sem se cansar?

Mas Daniel Bessa deveria ter ido mais longe e não soube ver mais além. E se, em vez de “O que é um hospital? São camas, como um hotel!”, saltássemos para fora do quadrado e disséssemos “O que é um hospital? São camas, como um bordel.” [Read more…]

O futuro governo PS desrespeitará a Constituição

António Vitorino antecipa que decisões do TC irão trazer “problemas” ao próximo Governo

Coelho transforma-se em porco

pocilgaOs animais nunca deixaram de falar. Na verdade, estou ansioso por ouvir uma história que comece por “No tempo em que os animais se calaram…”, porque já falaram muito mais do que deviam.

Devo dizer que gosto muito de animais, porque, como se costuma dizer nas revistas femininas, se eu não gostar de mim, quem gostará? Para além disso, tenho por eles um enorme respeito e é por isso que acredito que não devem estar fechados em jaulas ou dirigir governos de países: enjaulados, são infelizes; governando, atacam os seres humanos.

Nem sempre é fácil distinguir onde começa o animal e acaba o homem, mas este, tal como o imagino, não se rege pela lei da selva e procura viver numa sociedade em que os mais fracos são protegidos. Infelizmente, quando o homem é um animal político, revela uma triste tendência para confirmar Plauto, quando dizia que o “homem é lobo do homem”. Justiça seja feita a José Sócrates, que admitiu ser um animal feroz.

Por esta altura do ano, em Castelo de Vide, há como que uma transumância que junta jovens animais políticos. O objectivo é aprender a caçar com os mais velhos. [Read more…]

Hoje há bandarilhas – Canadá

Agora dou inteira razão a Don Miguel de Unamuno:  “you no creo en brujas pero que las hay, hay”.   Só pode ser bruxedo o  que se passa com Passos Coelho quando discursa. Coisa de assombração ou de fantasma malandro.
Ainda ontem em Castelo de Vide, por exemplo.  Quando,  todo esticado e à maneira, ia a confessar ao país: “o governo está a caír”,  viram o que aconteceu?  Saíu-lhe a bacorada: “o défice está a caír”.  E é sempre assim, coitadinho,  vai para dizer uma coisa e o mafarrico sopra-lhe outra.
Não se riam  nem escrevam maldades.  Tenham dó.  Chamem a bruxa.

Salgueiro Maia, o maior português do séc. XX

Há uns meses atrás, o Aventar lançou uma petição para salvar a casa onde nasceu Salgueiro Maia, em Castelo de Vide. Uma casa que, como se pode ver pelas imagens, está em avançado estado de degradação.

Entretanto, com o vírus que nos afectou em Outubro, perdemos as centenas de assinaturas que já tínhamos reunido e tivemos de começar tudo de novo. Muitos dos que assinaram inicialmente não voltaram a fazê-lo.

Passados todos estes meses, sentimos que cumprimos o nosso dever de homenagear aquele que, na minha humilde opinião, foi o maior português do século XX. Nas palavras de Sophia de Mello Breyner,

Aquele que na hora da vitória
respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse

Em sete meses, reunimos mais de 600 assinaturas. Como é nosso dever, serão endereçadas à Assembleia da República, à Câmara Municipal e Assembleia Municipal de Castelo de Vide e à Associação 25 de Abril. Ainda não é tarde para salvar a Memória da Revolução.

Obrigado a todos.

Petição para salvar a casa onde nasceu Salgueiro Maia

 

Como sabem os nossos leitores, o Aventar está a promover uma Petição para salvar a casa onde nasceu Fernando Salgueiro Maia em Castelo de Vide.

Infelizmente, quando já contávamos com centenas de assinaturas, fomos atacados por «hackers» coreanos e os vírus acabaram por destruir grande parte dos nossos ficheiros, entre os quais aquele que continha as assinaturas.

Neste momento, resolvemos a situação e alojámos a petição num «site» próprio de petições, mas as assinaturas que tínhamos perderam-se.

Assim, pedimos que todos aqueles que assinaram voltem a fazê-lo. Não por nós, mas pela memória de Salgueiro Maia, que deve ser preservada. Para assinar, agora com toda a segurança, basta carregar na imagem da barra lateral.

As nossas desculpas por uma situação que nos penalizou muitíssimo.

I Tertúlia do Aventar – Salgueiro Maia e a Memória da Revolução

 

Cartaz de Isac Caetano

 

No dia 5 de Dezembro, dando continuidade à Petição lançada para preservar a casa onde nasceu Salgueiro Maia, petição essa que em breve voltará a estar disponível no nosso blogue, o Aventar vai promover a sua primeira Tertúlia. «Salgueiro Maia e a Memória da Revolução» é o tema e o Clube Literário do Porto, junto à Ribeira, o local. O coronel Vasco Lourenço, um dos capitães de Abril e o Presidente da Associação 25 de Abril, está desde já confirmado como um dos oradores.

Como é óbvio, todos estão convidados. Para celebrar um momento único da história de Portugal. Para relembrar alguém a quem muito devemos. A quem TUDO devemos. É no Sábado de 5 de Dezembro às 18 horas.

No fim da Tertúlia, vamos todos para o «Verso em Pedra», a poucos metros do Clube Literário do Porto. Está ali a francesinha original, tal qual foi inventada há décadas atrás. Um prémio para quem aguentar o molho original.

Petição para salvar a casa de Salgueiro Maia

 

O Aventar lançou uma petição para salvar a casa onde nasceu o capitão Salgueiro Maia em Castelo de Vide. Uma casa que se encontra em estado de degradação evidente e em perigo de ruína. Para assinar a petição, que será enviada à Assembleia da República, basta colocar nesta caixa de comentário o nome e respectivo Bilhete de Identidade. Já temos centenas de assinaturas e, enquanto a respectiva página na barra lateral não está disponível, terá de ser este o método utilizado (coisas da mudança do wordpress para os blogs do Sapo. Salvar a memória de Salgueiro Maia é salvar a nossa memória comum. Façamos alguma coisa por todos nós. Um agradecimento final à Maria Monteiro, a autora da foto e a primeira a alertar para o estado de destruição da casa.

 

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