Sons do Aventar – The National – Primavera Sound Porto

10441259_10202327606453118_2365415794152009152_n

 

Escrever sobre o concerto dos The National na noite de ontem no NOS Primavera Sound do Porto não é fácil. Acreditem. Nada fácil. Por isso este vai ser longo…

O Parque da Cidade (Porto) é especial e quem “descobriu” o seu potencial para um festival como este merece receber as “Chaves da Cidade” numa próxima cerimónia da CMP ou mesmo uma Comenda pelas mãos do PR. O local é irreal de tão bom. A fauna não fica a dever muito ao espaço. São poucos os festivais que se organizam por cá onde se consegue assistir a concertos sem ter de aturar hordas de bêbados ou teenegers histéricos/as a tudo o que acontece e ao que ainda está para acontecer. Isso e malta de costas para o palco na conversa, literalmente a marimbar-se para a música e a incomodar quem está ali pela música, como acontece em demasia no SW. Aqui, tirando uma ou outra excepção, estamos todos pela música aproveitando o espaço e o ambiente. É por isso que, juntamente com Paredes de Coura, este é o “meu” festival. A escolha das bandas é de excelência e o público idem.

Continuar a ler “Sons do Aventar – The National – Primavera Sound Porto”

O beijo

…para os meus netos…

Bem sei que não conhecem a língua portuguesa, mas os vossos pais podem-vos explicar em inglês ou en neerlandês. Escrevo na língua impossível para vós, porque há obras do ser humano que impressionam os nossos sentimentos.

Esta imagem que vós apresento, foi esculpida em mármore pelo escultor francês Auguste Rodin (1840-1917), esculpida em 1883. Foi exibida na exposição internacional de Paris, em 1989, época em que se inaugurou A Torre Eiffel, cheia de luzes para a exposição. Em 1879, Thomas Edison tinha criado a iluminação eléctrica, base não apenas para a exposição, bem como para substituir os faróis a gás que iluminavam as ruas à noite. Foi a base do sucesso de exposição Internacional de Paris de 1889. A Exposição de Paris de 1889, centrava-se na “Torre de Gustav Eiffel” com 300 m., de altura, pesando mais de 7.000 toneladas e tendo mais de um milhão de rebites. Tinha duas longas galerias devotadas às Belas-Artes e às artes decorativas, por detrás ficava o imponente “Palácio das Máquinas”. Este último, projectado por Ferdinand Dutert e construído por M. Contamin, excedia em tamanho qualquer vão coberto construído até á data, com as suas 20 treliças principais, cobrindo um comprimento de 380 m., e cada uma vencendo 144 m., de vão livre. As treliças trianguladas, formavam arcos apontados sendo articuladas na sua base por eixos. Os visitantes circulavam num comboio interior em vagões abertos e sentados em cadeiras, sendo treliças um conceito arquitectónico que significa sistema de vigas cruzadas usado no tracejamento das pontes.

Continuar a ler “O beijo”

A impossivel subordinação

Para Paula Iturra van Emden, que me ensinou a sentir e não apenas a pensar

1. A ideia

É quase evidente, é quase uma verdade que grita, o facto dos pequenos serem educados pelos adultos como se a eles pertencessem, como se fossem da sua propriedade, até uma coisa, diria eu. Uma coisa que deve ser estruturada conforme as formas de pensar e agir dos adultos. Um dever, o estruturar, o comportamento infantil à maneira que o adulto entende o mundo. Tenho observado ao longo dos meus anos de trabalho de campo, o facto da subordinação dos mais novos aos adultos, no lar ou nas instituições para as quais são enviados para aprenderem a teoria da cultura do seu grupo social. Uma subordinação definida por mim já há alguns anos, como a sujeição sem alternativas, na medida em que o adulto ao pretender retirar ao mais novo as várias alternativas retira-lhe, assim, a capacidade de optar. Até ao ponto de existirem adultos que escrevem o que deve ser feito, e quando, para organizar o processo de subordinação que estruture a personalidade. Continuar a ler “A impossivel subordinação”

Apenas um pequeno remate, amigo Raul Iturra

 

Permita-me que o trate assim. A mim trate-me por Adão Cruz. Aliás, não sou professor, sou assistente graduado em chefe de serviço hospitalar. Mas isso pouco interessa.

Em primeiro lugar as suas melhoras e os meus agradecimentos pelas suas elogiosas considerações.

O estímulo, a imagem, a emoção, o sentimento, a consciência, a reflexão e a decisão são elos da mesma cadeia fenomenológica, mas são diferentes e não podem ser misturados aleatoriamente dentro de um texto ou de uma conversa. Continuar a ler “Apenas um pequeno remate, amigo Raul Iturra”