A fortuna de Evo Morales e outros crimes sem importância

Há pouco mais de uma semana, um dos temas quentes na imprensa portuguesa foi o estratosférico saldo bancário acumulado pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, que passou de 21.276 mil dólares, em 2006, ano em que foi eleito pela primeira vez, para os actuais 58.681. Apesar de não faltarem em Portugal presidentes de junta que em menos de um ano desviam bem mais do que esse valor, através de ajustes directos para família, amigos e esquemas que revertem para os próprios ou para futuras campanhas, às claras e perante o silêncio generalizado da esmagadora maioria da população, a fortuna de Evo Morales foi por cá motivo de grandes discussões filosóficas e linchamentos virtuais que duraram vários dias. [Read more…]

Então, falemos de escândalos

No passado dia 3 de Agosto, o blog da direita portuguesa chamava à atenção para um escândalo envolvendo Evo Morales. Parece que o saldo bancário do presidente boliviano triplicou em 12 anos, tendo atingido uns inenarráveis 51 mil euros, correspondendo à acumulação de 354 euros (e 17 cêntimos) por mês. Notícia, portanto.

Só para colocar as coisas em perspectiva, quanto é que Cavaco Silva ao vender as suas acções da SLN?

Cavaco lucrou 147 mil euros com acções da holding do BPN
Apesar de ter negado à TVI24 ter comprado ou vendido algo do BPN, a verdade é que Cavaco Silva teve um lucro de 147.500 euros com a venda de acções da SLN, que é dona deste banco. O negócio remonta a 2003. A filha do candidato presidencial também ganhou 209.400 euros. [esquerda.net]

Testemunha confirma que Oliveira Costa vendeu a Cavaco Silva e à filha acções da SLN com prejuízo
Uma testemunha confirmou hoje em tribunal que o ex-presidente do BPN vendeu, em 2001, a Cavaco Silva e à sua filha 250 mil acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a um euro cada, quando antes as adquiriu a 2,10 euros cada à offshore Merfield. [Público]

Deixo para o Observador, que parece ter apetência para escândalos, investigar quanto é que enriqueceram Dias Loureiro, Paulo Portas, Miguel Relvas, Oliveira e Costa, Duarte Lima e demais figurões da direita, tal como já fizeram com Sócrates e amigos.

Caso Morales, Portas que se cale!

Paulo PortasPaulo Portas, sabemos, é o género de político teatral. Umas vezes dramatiza, comunicando a irrevogável demissão do governo a que, afinal, está irrevogavelmente colado como lapa; outras, faz incursões pela alta comédia, recorrendo a declarações filosóficas e premonitórias do tipo:

Os Governos foram inventados para governar, se não o fizerem é porque alguém governa por eles

Jornal de Notícias em 04-07-2003

Esta antecipação da intervenção de Cavaco Silva em matéria governamental é, de facto, fenómeno temporão de rara qualidade.

Todavia, há ocasiões em que Portas consome a manha e o talento em representações de ‘Teatro Burlesco’, integrado, como se sabe, na estética do grotesco. O desastroso regresso ao tema Evo Morales é o caso.

Diz o nosso revogado MNE que o Presidente Boliviano “pode ter razões de queixa”. – Pode? – pergunto eu. – Tem razões de queixa – sublinho com firmeza. Estamos perante a velha história da mulher está grávida ou não está grávida? Meias-grávidas não existem.

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No cu dos outros é pimenta

cjornadap

Já fiz uma bandeira da Indonésia, em papel. Queimei-a sobre a A1, no primeiro directo radiofónico português  feito a partir de um balão de ar quente, porque achámos, na RUC, ser uma oportunidade para sermos solidários com Timor, contra a ditadura indonésia.

Queimam-se bandeiras contra governos, não ardem contra os povos. Fosse boliviano, e ontem também tinha inventado uma bandeira portuguesa, lançando-lhe as chamas que merecem os que abrem o cu ao governo dos Estados Unidos da América, ou de outra potência estrangeira qualquer. O nosso, e não o seu.

Quem finge não perceber isto chama-se Paulo Portas e está a esta hora metendo a cabeça entre as pernas, perante o nosso parlamento, demonstrando não passar, irrevogavelmente, de um mentiroso compulsivo a caminho de voltar a S. Bento de lambreta, haja eleições entretanto. Teria a certeza absoluta disso não fosse a liberdade de imprensa o poder e propriedade dos que lhe telefonaram a semana passada, transformando acabou no matrimónio que vem já a seguir

A Bolívia rompeu relações com Israel

Foi há 3 dias mas a imprensa portuguesa ainda não descobriu.