Homodireita: não tenho nada contra, mas…

JN – 2 de Outubro de 2008: esclarecedor

E por Vezes
de David Mourão-Ferreira

«E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos   

E por vezes
encontramos de nós em poucos meses

o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos

E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites, não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos»

Depois de anos, décadas e séculos em que a direita fez questão de ostracizar homossexuais, confesso que é lindo, agora, depois de um homem, branco e de direita se ter assumido homossexual, ver a direita a fazer dos mais belos malabarismos para se vir dizer defensora dos direitos LGBTQI+.

Senhores, deixem-se de merdas. Isto é só a prova de que direitos LGBTQI+ são direitos humanos e que, enquanto estes (e outros direitos) não forem cumpridos, os direitos universais não serão cumpridos.

A homofobia combate-se com políticas públicas de inclusão, de informação e de educação. Todo o escabeche que foi feito nos últimos dois dias em relação a Paulo Rangel tem um nome: hipocrisia. E quem melhor do que a direita para nos mostrar, tão bem, o que é ser hipócrita?

Se um dia Paulo Rangel for líder da oposição, ou, quem sabe, de um governo, aí sim, saberemos, finalmente, como age a direita perante os direitos humanos. Até lá, continuemos a dar a todos os eleitores de direita, aquilo que eles gostam: beijos gregos.

Caso Morales, Portas que se cale!

Paulo PortasPaulo Portas, sabemos, é o género de político teatral. Umas vezes dramatiza, comunicando a irrevogável demissão do governo a que, afinal, está irrevogavelmente colado como lapa; outras, faz incursões pela alta comédia, recorrendo a declarações filosóficas e premonitórias do tipo:

Os Governos foram inventados para governar, se não o fizerem é porque alguém governa por eles

Jornal de Notícias em 04-07-2003

Esta antecipação da intervenção de Cavaco Silva em matéria governamental é, de facto, fenómeno temporão de rara qualidade.

Todavia, há ocasiões em que Portas consome a manha e o talento em representações de ‘Teatro Burlesco’, integrado, como se sabe, na estética do grotesco. O desastroso regresso ao tema Evo Morales é o caso.

Diz o nosso revogado MNE que o Presidente Boliviano “pode ter razões de queixa”. – Pode? – pergunto eu. – Tem razões de queixa – sublinho com firmeza. Estamos perante a velha história da mulher está grávida ou não está grávida? Meias-grávidas não existem.

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