Quem te viu e quem te vê: a estória do idiota útil à esquerda do BE

O Bloco de Esquerda, partido que está, este fim-de-semana, em convenção, é criticado por outros camaradas bloquistas por, no seu entender, se ter chegado demasiado ao centro e ao PS. Desde 2015 que a aproximação foi clara e certas franjas do partido não aprovam; pedem, antes, uma radicalização que devolva o partido às bases e que se olhe mais para o Manifesto Fundador do BE. É uma crítica legítima que farei questão de comentar publicamente, na qualidade de militante, noutra ocasião.

Catarina Martins, coordenadora do BE, critica o PS por sempre ter estado demasiado ao centro e por só se virar para a esquerda quando lhe convém. Ou seja, a mesma crítica que lhe é apontada por camaradas, esta aponta aos social-democratas com “socialista” no nome. António Costa é um cata-vento, é sabido, e esta sempre foi a táctica do ex-presidente da Câmara de Lisboa: olhar para a esquerda – pisca, pisca -, olhar para a direita – pisca, pisca – e manter-se ao centro, sabendo que, de qualquer forma, é no centro a tender para a direita que a União Europeia mais gosta de ver os seus enteados.

O insólito ou não, veio depois. António Filipe, deputado do PCP, veio comentar a convenção bloquista, congratulando-se por o PCP estar ainda mais ao centro que o Bloco de Esquerda, e de terem sido os comunistas a segurarem o Orçamento de Estado desastroso do Governo (OE que teve de ser revisto, dando, em vários aspectos, razão ao chumbo dado pelo BE). [Read more…]

A progressiva optimização da fiscalidade do professor

O consenso aparentemente existente, entre falantes de português europeu, acerca da pronunciação da amálgama ‘setor’ deveria ser motivo suficiente para quem se entretém a adoptar o Acordo Ortográfico de 1990 – por obrigação, engano, prazer ou convicção – ter uma ideia bastante clara sobre a perturbação introduzida na ortografia portuguesa europeia através da supressão do cê de ‘sector’ — a grafia ‘setor’, note-se, não cai do céu, encontrando-se, por exemplo, não só no Assim Mesmo, no Ciberdúvidas, na Sábado e no Expressomas também cá por casa, em trabalhos académicos (cf. Zenhas, 2004  e Dias, 2011) e na Infopédia.

Acrescentemos ao raciocínio uma dose de estupefacção: apesar de a hipótese ‘sector’ existir, estando prevista na própria base IV do AO90 (sector e setor”) e sendo autorizada pelo VdM, há quem opte por ‘setor’ — neste preciso momento, ocorrem-me umas cinco ou seis razões para tal acontecer, mas hoje, convenhamos, é domingo.

Antes que me esqueça: repararam na ‘optimização’? Com pê? Sim? Pois, no título. Óptimo. Adiante.

Continuando na senda de ‘setor’, o título deste trabalho (“Uma análise das competências do professor de Turismo a partir da perspectiva dos estudantes”) é mais uma demonstração de que efectivamente o AO90 não veio “fazer com que a língua portuguesa tenha uma ortografia única. Ou tanto quanto possível aproximada”, como se pode depreender dessa perspectiva mantida no Brasil, mas em Portugal, pois, claro, proscrita — se lerem o artigo completo e encontrarem aspectos (sim, aspectos) e respectivamente, não se admirem, lembrem-se da “ortografia única” ou “tanto quanto possível aproximada” da “língua portuguesa” e  continuem sempre a acreditar.

Actualização (1/7/2013): Referência ao VdM.

A vez dos Estrunfes

estrunfes

Estaline (de vermelho) no meio dos proletas

Já calhou ao Tintin, ao Super-Homem, ainda não calhou ao Sandokan, agora foi a vez de um alucinado fazer uma releitura dos Estrunfes (Strunfs), com Estaline à mistura e valores totalitários, sempre à luz do politicamente correcto.

Eu, que de estalinista não tenho nada, acho que o homem devia ir para a Sibéria trabalhar, já que, pelas preocupações evidenciadas, não deve ter nada para fazer e mostra necessidade de andar ocupado.

E quando tiver lazer a mais vou reler a Carochinha. Entre o dinheiro dela, a gula do João Ratão e o tamanho do caldeirão, deve haver um filão de coisas politicamente incorrectas a explorar.