Pergunta (i)nocente

Por uma questão de transparência, vai a Senhora Procuradora Geral da República comunicar ao país a identidade dos desconhecidos?

Não temos água, não temos electricidade, mas também não temos os russos

“Não temos água, não temos electricidade, não temos televisão, não temos internet, mas também não temos os russos.”
Cidadão de Xerçon em entrevista divulgada na CNN ontem.
Lembro-me dos tempos em que debatia quando surgiu a nação em Portugal e, ainda hoje não temos, nem precisamos de uma resposta, porque é algo que se vai assimilando e incorporando no tempo, mas este senhor define, na sua simplicidade, o seu sentimento de pertença a uma nação, no caso, a da Ucrânia.

Quando abalam esse sentimento de pertença ao grupo que faz parte da nossa identidade, dói-nos e reagimos na defesa dele, mesmo colocando a vida em risco. A essência social humana e a de muitos outros animais, diga-se, é essa, a de pertença a um grupo com características naturais, econômicas, sociais, culturais e um território. Foi esse o salto civilizacional da família para a sociedade, grupo de famílias e indivíduos que partilham a mesma identidade [Read more…]

A Própria

Tive de ir reconhecer a minha assinatura. Eu própria tenho, com frequência, dificuldade em reconhecê-la, por isso sempre me pareceu injusto esperar que outra pessoa o fizesse por mim, mas a 20 euros por reconhecimento, também eu era capaz de pôr mais afinco nesse esforço. A pessoa que deveria reconhecer a minha assinatura nunca me tinha visto mais gorda, nem eu a ela, e quando lhe perguntei se queria que eu afastasse a máscara para comparar-me com a foto do Cartão de Cidadão, negou com um ímpeto como se eu tivesse acabado de propor lançar-lhe gás Sarin para a secretária. Já não insisti.

Como seria de esperar, lançou-me aquela frase tenebrosa:

vVai assinar exactamente como no documento de identidade. [Read more…]

Eu, refugiada

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Max Ernst, Les apatrides (1940)

A senhora da secretaria da escola anunciou cruel:
Sem um documento de identificação válido não poderá fazer o exame.
Tínhamos tido uma trabalheira para arranjar aquele documento, que a senhora da secretaria, que jamais tinha visto algo assim na vida, se recusava agora a aceitar.
Este documento não serve, disse ela firme.
Não tenho outro, ripostei segura dos meus direitos.
Diga à mãezinha que venha à escola, disse a senhora da secretaria.
Este documento não serve, repetiu ela. O que a menina precisa de trazer é um bilhete de identidade de cidadão nacional. A menina é uma cidadã nacional, não é?
Eu não sabia se era uma cidadã nacional. Se ser um cidadão nacional era ter um documento onde isso estava escrito, então eu não era um desses cidadãos. E no entanto, no meu coração, ainda tão jovem, eu era alguém que trazia já o país todo dentro de si, [Read more…]

A epistemologia da infância: ensaio de Antropologia da Educação

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O falecimento de Celso Costa, em 18 de Outubro deste ano, fez-me lembrar das nossas conversas e dos trabalhos partilhados com a sua mulher, Maria Luiza Cortesão, desde 1984, em Alfândega da fé. Este original ensaio, é dedicado a ela dedicado a ela, Luiza. Entre os Zuzarte Cortesão, se escreve de forma tradicional.

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apDC – Direito ao nome e à identidade

A apDC – associação portuguesa de Direito do Consumo – é uma sociedade cientifica de intervenção que se vota à:

– formação e educação para o consumo

– informação para o consumo

– e a estudos técnico-científicos susceptíveis de reforçar o estatuto do consumidor mediante sugestões e propostas de alterações legislativas.

Como sociedade científica produz documentos com que intervém no mercado de consumo, denunciando situações que merecem o mais vivo repúdio dos consumidores.

Conquanto sistematicamente confundida, a apDC distingue-se da DECO-Proteste.

Em quê? [Read more…]