Maioria de Esquerda

Todas as forças políticas que compõem a maioria que apoia este governo têm tido um comportamento exemplar.
Ao contrário do que alguns “especialistas” e outros inteligentes conselheiros previam, a coligação parlamentar de esquerda tem sabido manter-se coesa, mostrando que é possível a cooperação em nome de um Bem maior.
Sem nenhum desprimor para os outros, é justo destacar a verticalidade com que o Partido Comunista se tem posicionado, num exemplo raro de lealdade à palavra dada e de intransigente defesa do superior interesse nacional.

A Maioria de Esquerda e o futuro

O trabalho a realizar pela Esquerda nesta legislatura não deve limitar-se a reverter as políticas com que a Direita destruiu o país. A Esquerda deve assegurar que uma tal experiência política e social jamais se repetirá, criando as bases de uma sociedade mais justa e mais esclarecida, e mais protegida, política e juridicamente, dos ataques que, certamente, sofrerá no futuro.
É verdade que não é uma tarefa fácil, mas, para a cumprir com sucesso, é necessário compreender que o mal que foi feito ao país não admite respostas dúbias, abstenções violentas, ou outras posições políticas que não sejam o testemunho de uma firme determinação em marcar um tempo novo e irreversível.

Canhota

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Como registo inicial de interesses, deixem-me dizer que não acredito na dicotomia entre esquerda e direita. Mas como até na ciência se trabalha com conceitos que se sabem ser falsos ou inexistentes para facilitar a investigação, vamos utilizar essa geometria política para adiar uma discussão que terá, forçosamente, de ser feita mais tarde e que determinará, felizmente, a alteração estrutural do sistema político atual.

Assim, o que é a esquerda de que tanto temos ouvido falar nos últimos dias e que dizem, dichosamente, vai ser governo em Portugal? Pois. Boa pergunta. Pelo que eu pude ler, ninguém sabe muito bem o que é. Melhor, num escrutínio ao que se tem escrito, a conclusão óbvia é que a tal “esquerda”, aquela que tem a maioria dos deputados, é uma realidade, puramente, virtual. É um ente etéreo que se solidificou nas mentes de alguns para justificar o injustificável. Obviamente que esses iluminados fabricam essa miragem sem qualquer interesse pessoal. Obviamente. Tal e qual o novo alfaiate do rei no conto de Hans Christian Andersen.

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“Costa, um homem devorado pela ambição de governar e angustiado com a própria sobrevivência política”

Contra-argumento #1.
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António Costa quer fazer história.

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António Costa foi sempre conhecido por ser um político moderador e um homem de diálogo. Temos que reconhecer que a sua gestão política na autarquia de Lisboa, nos últimos anos, é disso um excelente exemplo.

Nos últimos 40 anos estivemos habituados que o Partido que ganhava as eleições, independentemente de ter maioria absoluta, era quem governava o País. Mas também não me esqueci ainda que um governo de maioria absoluta, presidido por Pedro Santana Lopes, foi demitido pelo Presidente da República, Jorge Sampaio. Isto foi o passado, esta é a hora de tratar do futuro.

Pela primeira vez coloca-se a hipótese que o Partido mais votado possa não vir a formar Governo atendendo a que estes tempos exigem estabilidade governativa. Eu apoiei e votei em Pedro Passos Coelho. Lamento muito que eventualmente não venha a ser o próximo Primeiro- Ministro, mas confesso que, neste momento, estou mais preocupado com a estabilidade governativa e o futuro do meu País, do que com os interesses do meu Partido. Estou convicto que o exercício do poder ” amacia ” e modera os partidos e os seus políticos. Ainda me recordo bem do tempo em que Paulo Portas tinha decidido que nunca ia ser político. Recordo-me também que quando chegou à liderança do CDS/PP era um anti-europeísta convicto. Hoje é Vice-Primeiro- Ministro e é o maior de todos os europeístas.

Parece-me que se poderá estar a inaugurar um novo tempo.  As reacções, atitudes e comportamentos de António Costa, desde o dia 5 de Outubro, deixam transparecer que o líder socialista está envidar todos os esforços no sentido de conseguir congregar à sua volta o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista, Os Verdes e o PAN, de modo a poder apresentar ao Presidente da República uma solução governativa maioritária no Parlamento que garanta a estabilidade preconizada e defendida pelo Professor Cavaco Silva nos últimos anos.

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