Alternadeiras e palhaços

3995380410_604d7c5851_o

O pitoresco caso Nogueira Pinto/Ricardo Gonçalves, deu azo a uma catadupa de protestos e manifestações do direito à indignação de toda a imprensa. Estes exageros reactivos, denotam bem a total ausência de interesse do debate político que para os media só é relevante na forma, atirando-se para o monturo dos recicláveis, os problemas de urgente reflexão. Se há uns tempos um debate parlamentar se resumiu aos corninhos ameaçados por um ministro, agora temos a “Comissão dos Palhaços e Alternadeiras”.

Na Dieta Imperial de Tóquio, os deputados esmurram-se semanalmente. Na sua equivalente de Seul, a parada sobe para o patamar das cadeiras voadoras, pontapés na cabeça e esganamento por gravatas. O Reichstag de Berlim e o Reichsrat de Viena, já tiveram piores e melhores dias. Moscovo ou Kiev, são também bons exemplos de ringues de boxe em anfiteatro. Em Roma, é o que se sabe, com o lógico reflexo em Buenos Aires onde os espano-italianizados argentinos chamam uns aos outros, nomes que qualquer regateira do Bolhão não ousa proferir.

Num Palácio de S. Bento que já ouviu um deputado (1) sugerir a decapitação do Rei e onde Presidentes (2) eram acanalhados pelos seus, pasma-se agora com uma inofensiva troca de piropos mais ou menos saborosos. Se um foi apodado de palhaço, à outra sugeriu-se a pertença a um sector profissional que nas ruas deputa a freguesia, fazendo pela vida. Paciência, podia ser bem pior.

Coisas do sistema eleitoral de lista, onde aquecem os traseiros, fulanos e fulanas de quem jamais ouvimos falar e que “nos representam”. É a república semi-parlamentar e semi-presidencial. Habituem-se.

(1) Afonso Costa

(2) Manuel Arriaga, Teixeira Gomes, Bernardino Machado

Porca é a tua mãe! (à beira disto Maria José Nogueira Pinto é de uma educação esmerada)

Sessão da Assembleia Constituinte de 24 de Setembro de 1975

«Vamos proceder à votação deste artigo 10.º [artigo que proibía o lock-out].
Extremamente curto, mas extremamente importante como todos se aperceberam.

Submetido à votação, o artigo foi aprovado por unanimidade.

Aplausos.

O Sr. Presidente: – Tem a palavra o Sr. Deputado Vital Moreira, para declaração de voto.

O Sr. Vital Moreira (PCP):- Sr. Presidente, Srs. Deputados: Creio que devemos estar duplamente regozijados com a aprovação deste artigo. Em primeiro lugar, pelo seu significado, intrínseco e material de proibição sem limites do lock-out, ao entendido como encerramento total e imparcial das empresas ou dos locais de trabalho para impor condições de trabalho aos trabalhadores, mas também, e esse é o segundo motivo, porque vimos das bancadas do PPD e do CDS aplausos, quando julgaríamos – a esperar alguma coerência desse grupo de Deputados – que tentariam impor alguns limites à proibição do lock-out. Na realidade …

Burburinho.

O Sr. Emídio Guerreiro (PPD): – Não seja malcriado! Preocupe-se com as suas incoerências.

O Sr. Presidente: – É favor não interromperem.

O Orador: – Quero lembrar ao Sr. Deputado que as declarações de voto permitem pedidos de esclarecimento e o Sr. Deputado estará livre de os pedir e eu terei muito gosto em lhos prestar.

Risos. [Read more…]

Coulrofobia é um estado ausente do aventar

Vejamos: o que pode ser melhor tema para uma noite na blogosfera do que o debate em torno de “A Zézinha no parlamento a vociferar contra alguém“?
Sendo que esse alguém pode muito bem ser ninguém, mas alguém o saberá, porque eu, um zé ninguém, nada sei de ninguém.
Agora imagine, caro leitor, agora que tirou o indicador esquerdo da narina direita, que chegava a casa, começava a tratar da sopinha e da caldeirada de raia (se me permitem, um intervalo, para dizer o quanto gostei de saborear este Bathoidea), ligam o canal x e: pasme-se, uma tia de direita óscula o provinciano (a definição é auto-biográfica) com um impropério digno de qualquer casa de chá da linha.
E eu, qual peixinho de aquário em gabinete de dentista, abro a boca de espanto: ai!
Olha… eu a pensar que a miúda que hoje vi à porta da escola a chamar peixeira à mãe de outra (sim, é verdade! A mãe da hostilizada é mesmo peixeira, isto é, vende peixe) era mal -educada.
Exemplos… Pois claro, também não me parece bem. Ou antes, seria muito pior se eu chegasse a casa e no noticiário das 20h visse a zézinha a óscular na face o ricardinho (não o nosso, claro, porque nós aqui no Aventar não sofremos de coulrofobia).
Sim. Pior do que isso só a raia cair mal, mas não há nada que um bom copo de coca-cola não resolva.

O circo saiu à rua num dia assim

Já tínhamos o “circo” da Fórmula 1, o “circo” em que se transforma, por vezes, o futebol nacional, o verdadeiro e real circo, aquele espectáculo de saltimbancos que corre o país de lés a lés.

Agora temos o “circo” do Parlamento. E com  direito a palhaçadas e tudo… Que dois belos minutos. Que dois belos exemplos. Será que estamos a pagar a deputados ou a artistas saltimbancos?

http://sic.sapo.pt/online/flash/playerSIC2009.swf?urlvideo=http://videos.sapo.pt/oI8zghL3Ws9mvmVzp3Hw/mov/1&Link=http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2009/12/troca-de-insultos-entre-maria-jose-nogueira-pinto-e-deputado-socialista-ricardo-goncalves09-12-2009-.htm&ztag=/sicembed/info/&hash=FF3C1208-4291-4FCC-8A32-9B9AB0E99B57&embed=true&autoplay=false