Alternadeiras e palhaços

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O pitoresco caso Nogueira Pinto/Ricardo Gonçalves, deu azo a uma catadupa de protestos e manifestações do direito à indignação de toda a imprensa. Estes exageros reactivos, denotam bem a total ausência de interesse do debate político que para os media só é relevante na forma, atirando-se para o monturo dos recicláveis, os problemas de urgente reflexão. Se há uns tempos um debate parlamentar se resumiu aos corninhos ameaçados por um ministro, agora temos a “Comissão dos Palhaços e Alternadeiras”.

Na Dieta Imperial de Tóquio, os deputados esmurram-se semanalmente. Na sua equivalente de Seul, a parada sobe para o patamar das cadeiras voadoras, pontapés na cabeça e esganamento por gravatas. O Reichstag de Berlim e o Reichsrat de Viena, já tiveram piores e melhores dias. Moscovo ou Kiev, são também bons exemplos de ringues de boxe em anfiteatro. Em Roma, é o que se sabe, com o lógico reflexo em Buenos Aires onde os espano-italianizados argentinos chamam uns aos outros, nomes que qualquer regateira do Bolhão não ousa proferir.

Num Palácio de S. Bento que já ouviu um deputado (1) sugerir a decapitação do Rei e onde Presidentes (2) eram acanalhados pelos seus, pasma-se agora com uma inofensiva troca de piropos mais ou menos saborosos. Se um foi apodado de palhaço, à outra sugeriu-se a pertença a um sector profissional que nas ruas deputa a freguesia, fazendo pela vida. Paciência, podia ser bem pior.

Coisas do sistema eleitoral de lista, onde aquecem os traseiros, fulanos e fulanas de quem jamais ouvimos falar e que “nos representam”. É a república semi-parlamentar e semi-presidencial. Habituem-se.

(1) Afonso Costa

(2) Manuel Arriaga, Teixeira Gomes, Bernardino Machado