O Assis das cantinas

Para Ricardo Gonçalves uma coligação com o PCP e com o Bloco de Esquerda “não é viável, nunca o foi, nem nunca será”. Quem? ah, é este:

Escolas do centro da Guarda …

não têm cantina. Juntem-se ao deputado Ricardo Gonçalves para reclamação conjunta, já que este passa dificuldades por não ter cantina no Parlamento para jantar.

Banco alimentar parlamento: o cabaz

Deu quem pôde e quanto lhe foi possível. Ficou composto e, para quem não tem dinheiro para jantar no restaurante, é muito mais do que tinha. É bonito quando os que pouco têm partilham com os que ainda menos têm.

Mas quanto nos custa a cantina da Assembleia da República?

O comentário do deputado Ricardo Gonçalves despertou-me uma pequena dúvida . Diz ele:

[Os políticos] Terão que se adaptar à crise, nem que para tal seja necessário abrir a cantina da Assembleia da República, à noite, para que lá coma quem quiser. Não vejo nisso nenhum problema, pois é um espaço gerido por uma empresa privada, sendo um sítio digno e aprovado pela ASAE. Em vários parlamentos da Europa a cantina está aberta ao jantar, sem que os opinadores lá da terra se escandalizem.

Gerido por uma empresa privada? Mas será que a cantina da AR dá lucro?

Consta do Orçamento da AR para este ano (Diário da República nº 28 – I série – 10 de Fevereiro de 2010 – Resolução nº 11/2010) a rubrica:

Serviços de restaurante, refeitório e cafetaria  – 960.850,00

prevendo-se a receita de 260.000,00 proveniente  da venda de senhas de refeição.

É só fazer as contas, e duplicar, almoço e jantar. Claro que isto não é uma simples subtracção. Mas quanto nos iria custar o jantar do ilustre deputado na “cantina” da AR, pelo qual ele iria pagar 4,65 euros ?

Comentário de Ricardo Gonçalves (deputado)

Exma(o). Sr(a).
São-me atribuídas afirmações que, no essencial, nunca proferi. São, por isso, falsas e injustas. Limitei-me a constatar o facto de que os políticos têm os maiores cortes nos vencimentos. Não critiquei esse facto, nem me queixei da situação.
Sei muito bem as dificuldades e as angústias pelas quais os portugueses estão a passar. Disse – e mantenho – que os políticos devem dar o exemplo em todos os aspectos, devendo ser os primeiros a assumir as medidas de austeridade. Terão que se adaptar à crise, nem que para tal seja necessário abrir a cantina da Assembleia da República, à noite, para que lá coma quem quiser. Não vejo nisso nenhum problema, pois é um espaço gerido por uma empresa privada, sendo um sítio digno e aprovado pela ASAE. Em vários parlamentos da Europa a cantina está aberta ao jantar, sem que os opinadores lá da terra se escandalizem. Já foram tomadas medidas como cortarem os cafés e os chás que sempre eram servidos durante as reuniões das comissões.
Mas tudo bem! Cabe aos políticos darem o exemplo. [Read more…]

O Banco Alimentar Parlamento é já no Sábado

anúncio banco alimentar

É já no próximo Sábado, pelas 16 horas, na cidade do Porto (local a designar), que o Aventar vai promover o seu BANCO ALIMENTAR PARLAMENTO, destinado à recolha de alimentos para o deputado socialista Ricardo Gonçalves, que ainda recentemente confessou com inegável vergonha que o dinheiro não lhe chegava para comer.
Como todos sabem, o Aventar é um blogue de causas sociais. Não de causas fracturantes, como outros, mas de causas sociais. E todos nós, sejamos de Esquerda ou de Direita, preocupamos-nos com os mais pobres, os mais necessitados, aqueles a quem as carências deixam marcas iniludíveis e inultrapassáveis.
E no dia em que soubemos que havia no nosso País um deputado a passar fome, fomos os primeiros, de forma comovida, a mobilizar-nos. Porque um tribuno notável como Ricardo Gonçalves não pode fazer o seu trabalho se não se alimentar correctamente. Não pode exercer com a dignidade que o cargo exige. E quem sofre é Portugal.
Sabemos que os portugueses são solidários. E tudo o que entregarem no Sábado ao BANCO ALIMENTAR PARLAMENTO terá como destino a humilde residência do deputado Ricardo Gonçalves. Não custa muito ajudar. Quem tem alguma coisa deve ajudar quem não tem nada.
O Aventar convida desde já os seus leitores a juntarem-se, no Sábado à tarde, no Porto, a esta cruzada de solidariedade. Da mesma forma, o Aventar convida todos os blogues que se quiserem juntar a nós. Seremos 10, seremos 100, seremos 1000. E nas páginas do Aventar haverá espaço para agradecer a cada um.
No Sábado, vamos todos fazer o bem!

BLOGUES PARTICIPANTES NO BANCO ALIMENTAR PARLAMENTO DO AVENTAR (Em actualização)

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Aventar solidário com Ricardo Gonçalves

Como procede o deputado mendicante, perante a solidariedade nacional

Faz um comunicado, e manda a um triste  que o  faça circular onde esteja googlado seu nome:

Tendo por adquirido que Ricardo Gonçalves, prof de filosofia, meu clega de origem, percebe a diferença entre um tubérculo e uma batata e numa escala de verme a animal doméstico consegue atribuir 1, 2, ou mesmo 3 por cento  a uma competência, como agora se diz, volta para as aulas pá.

A sério.

Vai dar Área de Integração aos putos dos cursos profissionais.

Com sorte, ainda apareces no youtube à procura do teu telemóvel, pá.

Adenda: comentário do nosso leitor Artur M. ao dito cujo comunicado:

Então não tem dinheiro para comer mas tem dinheiro para pagar a advogados? Prioridades, sr. deputado, prioridades…

Descubra as Diferenças (2)

Vá, eu dou uma ajudinha:

À ESQUERDA:

1) o deputado goza de imunidade parlamentar;

2) abre a boca para dizer o que quiser – continuará a garantir a sua reforma dourada por serviços prestados à Ditosa Pátria que tais filhos tem;

3) chama-se Ricardo Gonçalves, é um deputado “da província“.

À DIREITA:

1) o peixe à direita vive num mundo só dele, não tem que trabalhar para comer;

2) abre a boca apenas para coisas estritamente necessárias;

3) chama-se Nemo, é um peixe-palhaço.

Ricardo Gonçalves, o Deputado-Palhaço


Maria José Nogueira Pinto é que tinha razão. E ainda faltava isto.

Alternadeiras e palhaços

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O pitoresco caso Nogueira Pinto/Ricardo Gonçalves, deu azo a uma catadupa de protestos e manifestações do direito à indignação de toda a imprensa. Estes exageros reactivos, denotam bem a total ausência de interesse do debate político que para os media só é relevante na forma, atirando-se para o monturo dos recicláveis, os problemas de urgente reflexão. Se há uns tempos um debate parlamentar se resumiu aos corninhos ameaçados por um ministro, agora temos a “Comissão dos Palhaços e Alternadeiras”.

Na Dieta Imperial de Tóquio, os deputados esmurram-se semanalmente. Na sua equivalente de Seul, a parada sobe para o patamar das cadeiras voadoras, pontapés na cabeça e esganamento por gravatas. O Reichstag de Berlim e o Reichsrat de Viena, já tiveram piores e melhores dias. Moscovo ou Kiev, são também bons exemplos de ringues de boxe em anfiteatro. Em Roma, é o que se sabe, com o lógico reflexo em Buenos Aires onde os espano-italianizados argentinos chamam uns aos outros, nomes que qualquer regateira do Bolhão não ousa proferir.

Num Palácio de S. Bento que já ouviu um deputado (1) sugerir a decapitação do Rei e onde Presidentes (2) eram acanalhados pelos seus, pasma-se agora com uma inofensiva troca de piropos mais ou menos saborosos. Se um foi apodado de palhaço, à outra sugeriu-se a pertença a um sector profissional que nas ruas deputa a freguesia, fazendo pela vida. Paciência, podia ser bem pior.

Coisas do sistema eleitoral de lista, onde aquecem os traseiros, fulanos e fulanas de quem jamais ouvimos falar e que “nos representam”. É a república semi-parlamentar e semi-presidencial. Habituem-se.

(1) Afonso Costa

(2) Manuel Arriaga, Teixeira Gomes, Bernardino Machado

Coulrofobia é um estado ausente do aventar

Vejamos: o que pode ser melhor tema para uma noite na blogosfera do que o debate em torno de “A Zézinha no parlamento a vociferar contra alguém“?
Sendo que esse alguém pode muito bem ser ninguém, mas alguém o saberá, porque eu, um zé ninguém, nada sei de ninguém.
Agora imagine, caro leitor, agora que tirou o indicador esquerdo da narina direita, que chegava a casa, começava a tratar da sopinha e da caldeirada de raia (se me permitem, um intervalo, para dizer o quanto gostei de saborear este Bathoidea), ligam o canal x e: pasme-se, uma tia de direita óscula o provinciano (a definição é auto-biográfica) com um impropério digno de qualquer casa de chá da linha.
E eu, qual peixinho de aquário em gabinete de dentista, abro a boca de espanto: ai!
Olha… eu a pensar que a miúda que hoje vi à porta da escola a chamar peixeira à mãe de outra (sim, é verdade! A mãe da hostilizada é mesmo peixeira, isto é, vende peixe) era mal -educada.
Exemplos… Pois claro, também não me parece bem. Ou antes, seria muito pior se eu chegasse a casa e no noticiário das 20h visse a zézinha a óscular na face o ricardinho (não o nosso, claro, porque nós aqui no Aventar não sofremos de coulrofobia).
Sim. Pior do que isso só a raia cair mal, mas não há nada que um bom copo de coca-cola não resolva.