Campeonato de futebol

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Vítor Pereira e Jorge Jesus. Fotografia: Paulo Esteves/ASF. DR.

Porto – Benfica: O futebol é lindo

Sempre me fez confusão aqueles tipos que passam a semana inteira, antes dos grandes jogos, a dizer «vamos ganhar», «vamos dar-lhes 3», «já somos campeões» e isto e aquilo.
Um treinador, como tem feito Jorge Jesus, até compreendo. Tem de motivar os seus jogadores, tem de lhes dizer que eles são capazes de vencer. Agora os adeptos, passarem a semana toda a aferroar amigos e colegas, sabendo que podem não ganhar e que no início da semana seguinte irão ter de encarar esses mesmos colegas com um sorriso trocista e com as merecidas bocas?
Cá por mim, nunca embarco nessas coisas, que – diga-se em abono da verdade – no fundo no fundo são típicas de quem não está realmente muito preocupado com o assunto. De quem vai continuar bem disposto na mesma se a sua equipa perder o título e só quis mesmo mandar umas bocas.
Ou se calhar sou eu que levo o futebol demasiado a sério. Talvez herança do meu pai, com quem ia ao futebol ainda não tinha 3 anos. O meu velho pai, que há 50 anos atrás apanhou uma coça no Estádio do Guimarães e que ficava de trombas a noite inteira quando o Porto perdia. O meu velho pai, que está quase a partir e a quem tudo devo. A começar pelo próprio nome.
Seja como for, vou estar caladinho até Sábado. Espero ganhar, espero fazer uma festa louca, mas não acho que vamos ganhar. Da mesma forma que não acho que vamos empatar ou que vamos perder. Simplesmente não sei. E por isso estou calado. Porque é um daqueles jogos em que tudo pode acontecer. Estou muito confiante, apenas isso. Mas com medo. Muito medo. Sabendo que, se perdermos, vou ficar de trombas a noite inteira.
É por isso que o futebol é lindo. Ganhando o Campeonato, lá estarei no dia seguinte a fazer contas ao tetra. Perdendo, coemçará a esperança de reconquistar o título perdido. No dia seguinte, já interessa muito pouco o que se conquistou na véspera.
Seja quem for, o vencedor será o justo Campeão. Que venha o jogo.

Calabote ainda se escreve Calabote?

Sim, Ricardo. Calemo-nos. Por hoje. Contudo, no Dia do Calabote, o F.C. Porto foi campeão. Não nos esqueçamos…

Porto-Benfica: sempre o árbitro

É mais fácil adivinhar os comentários de um treinador do que prever o tempo que vai fazer daqui a meia hora: basta que as coisas corram mal e o árbitro será sempre responsável. O treinador do Futebol Clube do Porto, evitando qualquer originalidade, deixou escapar a ideia número 23 do catálogo das vulgaridades futebolesas e que se pode resumir mais ou menos assim: “Não empatámos por causa da arbitragem, mas houve um erro do árbitro que nos prejudicou”. Na primeira parte da afirmação, deixa escapar uma ilusão de desportivismo, para, logo a seguir, culpar o bode respiratório do costume.

Deixem-me explicar como vai ser o campeonato: os árbitros vão errar e, no fim, vai ganhar a equipa mais regular, que, normalmente, é o Porto. Mais: todas as outras equipas, especialmente a que ficar em segundo lugar, vão afirmar que o campeão foi levado ao colo. Lá para Junho, ainda me vão dizer que sou o novo Zandinga.

FCP/Benfica: sem bolas de golfe é diferente…

…mas o FC Porto devia providenciar umas cadeiras de descanso para os seus atletas. Os rapazes quando se apanham a ganhar passam o tempo deitados no relvado e, com a humidade, deve ser desconfortável.

Por outro lado, com esta equipa, Pinto da Costa pode subir o preço dos bilhetes dada a estrutura multidisciplinar do espectáculo: o público tem direito a futebol (pouco), teatro (muito) e farta-se de ver filmes.

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Jornal de Notícias, 1994