Da série ai aguenta, aguenta (19)

Médicos denunciam que há administrações de hospitais a proibir prescrição de medicamentos para poupar

Deixem o corpo dos pobres em paz e assinem sff

A onda de montagens que invadiu o planeta mostrando Cavaco Silva como se fora um pobre de pedir é um insulto à miséria. Pobre pode ser pobre, mas tem direito à imagem. Pobre pode não ter rosto, mas pobre tem corpo e não merece que lhe metam a fronha da Aníbal Cavaco Silva em cima. Viver da mendicidade já é castigo divino que chegue, não há pecado que justifique a penitência de ser photoshopado com a cara de um  bovinófilo.

Já quanto à ideia de assinar uma das petições pedindo o seu afastamento, estou com o Tiago Mota Saraivapode ser um excelente sinal “para os mercados”. 

Ele diz que esta, Pedido de Demissão do Presidente da República, parece ser a de maior sucesso, e com isso poupou-me algum trabalho (estão a ver o trocadilho? Poupanças, uma vida inteira de trabalho, acções do BPN… na imagem Cavaco Silva, retrato de um homem que já fazia poupanças porque o esperava uma modesta reforma, acompanhado de dois amigos que já pensavam em como roubar as nossas ao longo da sua vida de trabalho).

Confiança: o outro grande défice nacional

Para além do défice das contas públicas, existe um outro défice desastroso para uma sociedade, que é o défice da confiança. Em Portugal, dos partidos políticos ou das instituições da República não vem qualquer sinal que restaure a confiança que é indespensável a uma sociedade saudável. E as razões são várias, como:

– Não se sabe quanto tempo mais se terá emprego, ou sequer se haverá;

– Não se sabe se as poupanças estão seguras;

– Não se sabe quando se terá uma decisão judicial, e se chegará a tempo;

– Não se sabe com o que se pode contar dos serviços públicos e das forças policiais;

– Não se sabe sabe sequer com o que é que se pode contar das instituições da República;

Face ao nosso endividamento externo, e aos olhos dos nossos credores, a questão muito simples que se coloca é esta: Se nós não confiamos, como podem os de fora confiar neste país?