Draghi amigo, a Albuquerque, o Coelho e o Portas estão contigo!

Mario DraghiDraghi está revelar-se aparentemente um homem instável. Transmite a ideia de sofrer da patologia de mudança comportamental, com súbitas e contraditórias transformações cognitivas e comunicacionais.

Na Comissão de Assuntos Económicos do PE, ontem, admitiu a possibilidade de Portugal não ter o sucesso de “saída limpa” (idêntica à da Irlanda) do PAEF e, portanto, estar em risco de, terminado este, vir a recorrer a um ‘programa cautelar’ até ao regresso normal aos mercados.

Ao arrepio deste alarme perante os parlamentares europeus, com a subsequente divulgação pela comunicação social, hoje enviou uma mensagem às redacções a declarar:

Cabe exclusivamente às autoridades portuguesas decidir sobre um possível novo programa

Será que o homem é vítima de doença bipolar? Não creio. Acções de bastidores, e muito possivelmente de Washington, de Bruxelas e da inevitável Berlim, levaram o presidente do BCE a desfigurar o que havia afirmado, menos de 24 horas antes.

Perdida a bússola da Irlanda, de quem o governo português esperava a facilidade do trabalho ‘copy and paste’, tipo aluno cábula, a insegurança e a dúvida do que fazer agravaram-se nas preocupações da Albuquerque, do Coelho e do Portas.  

Agora, à falta do modelo irlandês e da orientação do BCE, é natural que, ao estilo de palavra-de-ordem de ‘manif’, o referido trio não se canse de clamar: “Draghi amigo, nós estamos contigo!”; na esperança de obter uma mãozinha do patrão do BCE para o que se seguirá em Junho de 2014.

Todavia, desta desconexa história, a meu ver, há três conclusões relevantes a extrair:

  • A ignominiosa pressão sobre o Tribunal Constitucional, repetida no PE, jamais será renegada por Mário Draghi e pela ‘troika’.
  • O PAEF (Programa de Assistência Económica e Financeira) falhou em objectivos críticos – Portugal confronta-se, não obstante a ajuda, com uma dívida pública demasiado alta (mais de 127% do PIB) e com os juros elevados (4,931% a 5 anos e 6,047% a 10 anos, hoje às 20h00); são sinais de fracasso.
  • Sabedor de que sem ajuda do ‘programa cautelar’, Portugal será incapaz de suportar as taxas exigidas pelos mercados – mais a mais sem estar ancorado por CE e BCE, pelo menos; sabedor disso, repito, Mário Draghi decidiu subitamente que deve deixar o ónus do insucesso para o governo português e, no processo, em vez de adivinhador de mau presságio será o redentor da portuguesa desgraça.

Sem pessimismo, mas com realismo, atrevo-me a prever que 2014 continuará a ser ano de mais empobrecimento e miséria para os portugueses. Passos, em especial, ficará orgulhoso: o empobrecimento foi um objectivo por que se bateu e que o governo atingiu na ‘mouche’.

Comments

  1. Alexandre Carvalho da Silveira says:

    Acabaram-se os orgasmos colectivos, agora agarram-se a fait-divers: o que disse e não disse o presidente do BCE, etc e tal. O problema de quem anda com estas elucubrações, é já se saber que o crescimento no final deste ano vai ficar muito perto de zero, em vez dos -2% que tanta satisfação dava a tanta gente, o defice vai ficar abaixo dos 5,5% e o desemprego vai continuar a descer, o que leva muita gente a rasgar a roupa, depois do que andaram durante dois anos e meio a dizer.
    Quanto aos juros, na minha terra costuma dizer-se que as cadelas apressadas parem os cães cegos, portanto não vale a pena estar a fazer previsões que podem sair erradas. Se o TC puser o interesse nacional à frente das opções ideológicas da maioria dos srs juizes, e apesar de isso deixar muita gente chateada, não tenho duvidas nenhumas que os juros vão baixar substancialmente. Basta ouvir o que é que os que nos emprestam o dinheiro lá fora, andam a dizer.
    A portuguesa desgraça não começou em 2011, nem sequer em 2005. Começou em 1995, com o governo socialista do Guterres.

    • Carlos Fonseca says:

      A democracia é uma maçada. Dar conta de opiniões diferentes e sustentadas, quando não agradam aos sectários dos partidos (eu não sou filiado em qualquer deles) obrigam a um esforço enorme, esse sim, para atingir o orgasmo. Mesmo com ajuda do Viagra ou de medicamento de semelhante efeito.
      Só mais uma nota para despertar os seus orgasmos: em minha opinião, a desgraça começou com Cavaco Silva, depois de Hernâni Lopes lhe ter arrumado a casa e a Europa a encher-lhe os bolsos de fundos comunitários. Cavaco foi o primeiríssimo a realizar PPP’s (Ponte Vasco da Gama e Hospital Amadora-Sintra). Veja, um a um, como estão bem e ricos a grande maioria dos ex-ministros e ajudantes dele – alguns usam pulseiras, mas é por ‘birra’.
      Não leia apenas folhetos de propaganda partidária. Consulte obras e até ‘sites’ bem informados. Sugiro, pois, que melhore os conhecimentos, a fim de se poder extrair alguma coisa de jeito da sua conversa, a qual chega ao ponto de insinuar que eu tenho alegria no afundanço do País. O empobrecimento é uma divisa do garoto Coelho e o corte de gorduras do rubicundo Catroga,
      E já agora sobre juros, tome lá informação actualizada:
      http://www.investing.com/rates-bonds/portugal-government-bonds

    • nightwishpt says:

      Sim senhora, o desemprego baixou graças aos 200000 que se foram embora para nunca mais voltar.
      A recuperação económica está aí, mas cada vez mais longe do bolso dos portugueses que a troika quer que percam cada vez mais dinheiro, seja com segundo resgate travestidode programa cautelar ou não.
      Quanto ao TC, mau era se não pusesse a ideologia de cumprir a lei acima do joguinho político.


  2. Quando vejo a reacção dos meus amigos da Alemanha/Holanda as “despesas” apresentadas e comentarios feitos aqui, normalmente obtenho um olhar disfarçadamente reprovador e a pergunta, mas como é que V.pensam pagar as despesas? é que já ninguem(sem aval de fora) vos empresta mais um tostão. Já pensaram contratar fora gestores profissionais que saibamo que é gerir sustentavelmente?

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.