Um conto de crianças chamado requalificação

Despedimentos

Foto@Jornal de Notícias

A propósito da gestão de panelas sociais-democratas e centristas na Segurança Social sobre a qual aqui falei ontem, chamou-me a atenção a Carla Romualdo para esta notícia, que dá conta da situação de 480 funcionários, também da Segurança Social, que iniciam amanhã um processo de “requalificação” que, como sabemos, significa que vão todos para o olho da rua.

Pobres trabalhadores. Tivessem eles o cartão partidário certo e talvez não fossem “requalificados”. Tivessem eles o cartão partidário certo e, como se dizia nos tempos do saudoso conselho de administração do BES, “punha-se o Moedas a funcionar” e arranjavam-se uns cargos de assessor. Não tinham experiência? Não faz mal, estes também não e safaram-se bem. Tivessem eles o cartão partidário certo e facilmente estariam entre os milhares de boys que o bloco central usa como instrumento para perpetuar o seu poder na pesada máquina estatal. Tivessem eles o cartão partidário certo, ou que sabe o pai certo, e lá se arranjaria qualquer coisinha. Imunidades incluídas.

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Ficamos mais descansados

Não há nenhum compromisso firme de atingir os 12 mil funcionários públicos. Foi uma estimativa, mas que não corresponde a uma meta à qual o Governo esteja vinculado

Já sei o que é requalificar

no JN, por Paulo Ferreira:

Por estes dias tive a sorte de aprender o real significado da palavra requalificar. Na escola do meu filho, são os professores que, à vez, terão de tomar conta dos meninos no recreio. Porquê? Porque faltam auxiliares.

Festa no Pontal, miséria em Portugal

pobrezaNo Pontal, reuniram-se aqueles que amam o solo e pisam o povo, como gritava Jô Soares. Com a desfaçatez de quem não se pode dar ao luxo de ter vergonha, houve discursos com veneno suficiente para matar um país.

1 – “Qualquer decisão constitucional não afectará simplesmente o Governo. Afectará o país. Esses riscos existem, eu tenho que ser transparente. Se esse risco se concretizar [o TC declarar a requalificação inconstitucional] alguns dos objectivos terão que andar para trás”

Sabendo-se que o desconhecimento da lei não aproveita a ninguém, o que dizer de alguém que reincide no incumprimento de uma lei que conhece? O que dizer de um primeiro-ministro que reincide no incumprimento da lei fundamental do país?

A habilidade chico-esperta de chamar requalificação a despedimentos é própria de gente que não é séria.

Também não fica bem a um primeiro-ministro maltratar a língua materna: o que são objectivos que andam para trás? [Read more…]