Sobre a Desigualdade num Mundo Globalizado

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Foto: Jen Osborne

Joseph E. Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2001 e ex- economista-chefe do Banco Mundial é um dos mais reconhecidos autores em matéria de desigualdade e uma das vozes mais críticas em relação à globalização comercial e financeira.
Excerto de uma entrevista a Joseph E. Stiglitz publicada na edição de 22.09.15 no jornal alemão der Freitag:
(…)
Stiglitz: Em todo o caso, é mais do que claro que o programa de reformas acordado com a Troika vai agudizar ainda mais a recessão no país (Grécia).
Jornalista: O ministro das Finanças Wolfgang Schäuble responder-lhe-ia: Veja a Espanha, Portugal ou a Irlanda: nestes países voltou a haver crescimento e o mercado de trabalho está a recuperar.

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With all due respect, ‘eventualmente’, o tanas

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Joseph Stigliz, 2006, Reuters
Fonte: Líbération (http://bit.ly/1lVO8ZV)

Ao ler o ‘eventualmente’ neste

em artigo publicado no Expresso, Stiglitz acrescenta que “todas as crises chegam, eventualmente, ao fim”

adivinhei imediatamente aquilo que se passava no original:

Every downturn eventually comes to an end

Claro, evidentemente: ‘eventually’ = ‘eventualmente’. Um clássico. Desta vez, no conceituado Project Syndicate.

Acontece, however, que ‘eventually’ não significa ‘eventualmente’. Actualmente, aprende-se isto em boas licenciaturas e pós-graduações em Tradução ou em Interpretação de Conferência e, eventualmente, noutros locais. Antigamente, aprendia-se nas aulas de Inglês, quando havia aquelas listas de false friends (esta é óptima e eventualmente útil, para quem souber francês).

‘Eventualmente’ significa aquilo que pode ou não acontecer, ou seja, provavelmente, possivelmente, porventura.

‘Eventually’ significa por fim, finalmente.

Sendo, em português, eventual algo de casual, fortuito, contingente, possível, provável, e significando, em inglês, ‘eventual’ algo que é final,  definitivo, percebe-se rapidamente que o ‘eventually’ inglês (eventual+ly) não é, nem de longe, nem de perto, o ‘eventualmente’ (eventual+mente) português.

Por isso, ‘eventualmente’, o tanas.

Continuação de bom domingo.

O insignificante mercado interno

Da forma mais simplificada possível, o que é a política de austeridade? Eu que não sou académico vejo a coisa assim: o estado reduz drasticamente o investimento na economia interna, aumenta os impostos, corta nos salários, pensões e apoios sociais e despede trabalhadores para ter dinheiro para cobrir o défice e reequilibrar as contas públicas. Sim, eu sei, é uma explicação muito limitada, mas é aquela que a maior parte das pessoas conhece.

Acontece que as contas continuam fraquinhas e isto não está com aspecto de melhorar. Se calhar a austeridade não funciona. Já há algum tempo que andam por ai uns perigosos radicais de esquerda (que até têm uns prémios Nobel), que dizem mesmo que a boa da austeridade ainda piora a situação. Mercado interno, espiral recessiva blá blá blá… Fundamentalistas. Incitam-nos a dizer não a mais austeridade!

Mas os gajos que mandam nisto insistem que é mesmo por ai. Austeridade para a frente! E no meio de tudo isto, o “insignificante” mercado interno vai desaparecendo nas brumas da espiral recessiva. Ficam os hipermercados e as exportações. God save PSI-20 and the Netherlands!

A dúvida da saída de Portugal do Euro

Portugal e Grécia e a saída do euro

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Determinados comentadores, em especial blasfemos, são permanentes e fiéis seguidores das tradições da doutrina maniqueísta. Usando argumentos simplistas, tudo o que vem das suas hostes políticas é Bom; o proveniente do lado contrário é Mau. Não se libertam deste subjectivismo.

Com o título “A culpa é do euro!…”, este texto mistura a eito, e sem nexo, uma série de conceitos que vão do ‘upgrade’ da cadeia de valor industrial – de um tecido industrial depauperado e limitado à Autoeuropa e pouco mais – até aos ‘empresários de vão de escada’. O arsenal utilizado, sem consistência, vale para visar criticamente o Prof. João Ferreira do Amaral, académico que, faça-se justiça, desde sempre reprovou a adesão de Portugal ao euro.

A certa altura, LR alega:

O que mais impressiona nestas reiteradas declarações de Ferreira do Amaral, é constatar que persistem economistas do 1º Mundo a defender para os seus países o modelo das desvalorizações competitivas.

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As perversas receitas da troika

Ainda recentemente,  9 de Abril, Stiglitz escrevia aqui o seguinte:

Com efeito, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) estão exigindo por norma a trabalhadores irlandeses e aos cidadãos a suportar o fardo de erros que foram cometidos pelos mercados financeiros internacionais. Mas é importante reconhecer que estes erros sejam, pelo menos em parte, atribuíveis à sequência da desregulamentação e das políticas de liberalização que foram defendidas pelo FMI e pelo BCE e que estas políticas proporcionaram benefícios significativos para o sector financeiro.

Sem esquecer, deixemos, por instantes, as cedências à direita de Sócrates (código do trabalho, isenção de tributação fiscal de mais-valias avultadas e privatizações em sectores estratégicos), assim como as propostas neoliberais de Coelho (redução ao mínimo do Estado Social). Olhemos o longíquo horizonte, do mundo e dos poderes dominantes. Só por incapacidade visual ou falsa fé, é concebível aceitar que este género de receitas, também divulgadas aqui (embora rapidamente desmentidas desta forma: Governo
diz que FMI não propôs trocar subsídios por certificados
),  não são sejam perversas e duras para a economia portuguesa.

Talvez fosse escusado salientar que os significativos efeitos da quebra de rendimentos do funcionalismo público, mediante a conversão do pagamento de Subsídios de Natal e de Férias em  certificados de aforro ou títulos do tesouro, se repercutirão muito negativamente no consumo privado. Com a inevitável intensificação de falências no comércio e pequena indústria, bem como a consequente quebra de receitas do Estado em  encargos sociais, impostos directos e indirectos.

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