A dúvida da saída de Portugal do Euro

Portugal e Grécia e a saída do euro

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Determinados comentadores, em especial blasfemos, são permanentes e fiéis seguidores das tradições da doutrina maniqueísta. Usando argumentos simplistas, tudo o que vem das suas hostes políticas é Bom; o proveniente do lado contrário é Mau. Não se libertam deste subjectivismo.

Com o título “A culpa é do euro!…”, este texto mistura a eito, e sem nexo, uma série de conceitos que vão do ‘upgrade’ da cadeia de valor industrial – de um tecido industrial depauperado e limitado à Autoeuropa e pouco mais – até aos ‘empresários de vão de escada’. O arsenal utilizado, sem consistência, vale para visar criticamente o Prof. João Ferreira do Amaral, académico que, faça-se justiça, desde sempre reprovou a adesão de Portugal ao euro.

A certa altura, LR alega:

O que mais impressiona nestas reiteradas declarações de Ferreira do Amaral, é constatar que persistem economistas do 1º Mundo a defender para os seus países o modelo das desvalorizações competitivas.

Ah persistem, persistem! E ainda hoje persistiu mais um, Michael Spence, Nobel de 2011, a juntar-se a outros dois companheiros também laureados, Stiglitz e Krugman, ambos admitindo há muito a possibilidade da saída do ‘euro’ de países como Portugal e Grécia; ou até mesmo a extinção da moeda europeia.

E as razões invocadas, nada têm a ver com cadeias de valor nacionais ou coisas do género, porque não se trata de pequeno e local problema de ordem económica. É o resultado da política de criação de uma unidade monetária, sem a componente complementar  da unidade fiscal e objectivos de coesão económica. Sem se ter posto a hipótese do fenómeno  – o Tratado de Maastricht demonstra a falha – de, num ápice, a globalização impulsionar os BRIC para o domínio da economia mundial – o Brasil, por exemplo, já deixou para trás o Reino Unido que, todavia, usa como moeda a libra esterlina e não o euro. A Europa, velha e em decadência, dificilmente recuperará o estatuto anterior.

Comments

  1. kalidas says:

    O euro só terá utilidade se atender correctamente à velha questão da moeda e do justo valor das coisas.

    Porque razão o pão, tão útil é barato, e um diamente tão inútil é tão caro?


  2. O artigo a que o articulista se refere surge, a meu ver, de forma muito pertinente uma vez que a opinião de Ferreira do Amaral é, em Portugal, bastante heterodoxa e isolada.
    Os economistas referidos não têm a mesma opinião mas argumentam que a UE tem de estar preparada para as eventuais desistências do euro, o que é outra coisa, e a cautela nunca fez mal a ninguém.
    (Entretanto, é claro que aos americanos, me parece, bem lhes ia que um país qualquer saísse do euro. Em última análise, a turbulência do mercado seria tal, que o dólar arriscava-se a ser a única moeda fiável como dantes..)

  3. Carlos Fonseca says:

    Caro M. Ralha,
    Diz: opinião de JFM é heterodoxa. Qual o pecado da heterodoxia, se o autor se tem pronunciado de forma consistente desde a adesão do País ao euro.
    Controverso é Vítor Bento, a par de outros, que são contra a saída do euro, mas…:
    http://economia.publico.pt/Noticia/vitor-bento-sou-contra-a-saida-do-euro-mas-devemos-discutir-esse-cenario-1525670
    De resto, na entrevista em causa, o conselheiro de Estado, a propósito da saída do euro, afirma:
    “Espero que não aconteça. Mas é verdade que há quem esteja a propor a saída do euro. Não devemos recusar discutir esse assunto, como se fosse um dogma religioso. Devemos ter disponibilidade para discutir todos os cenários. Mas quem defende essa via deve pôr em cima da mesa as implicações desse cenário.”
    Portanto, e à medida que o tempo corre, outras vozes admitem o cenário de saída da moeda única e JFA, se isolado no início, passou a contar com crescente número de participantes no debate.
    Quanto aos outros, os académicos exteriores, e ao invés do que afirma (a UE estar preparada para desistências), as crítiicas impemdem sobre os erros, fragilidades e riscos de ruptura de países com a desastrada política do euro. Leia-se o que disse Stiglitz:
    http://revoltairmandinha.blogspot.com/2011/12/stiglitz-europa-e-o-euro-caminham-para.html#!/2011/12/stiglitz-europa-e-o-euro-caminham-para.html
    Ou ainda o que afirmou Paul Krugman em Julho passado:
    http://economico.sapo.pt/noticias/krugman-admite-saida-da-grecia-e-de-portugal-da-zona-euro_94282.html
    Relativamente ao texto que critiquei, julgo provado o clamoroso erro de ‘casting’ do autor. À boa maneira da nossa cultura judaico-cristã, limita-se a posicionar a crítica no plano pessoal e subjectivo (JFA) em detrimento da objectividade. Recorrendo, aliás, a argumentos menores da (tornada) insípida economia portuguesa que, para ifluenciar a política monetária europeia, se reduz a nano-microgramas.
    Obrigado pelo comentário.
    Cumprimentos,
    CF


    • Seja como for, e achando os argumentos que aponta todos válidos em certa medida e ainda que o assunto deve com certeza ser discutido, continuo a pensar que o ponto de vista de Ferreira do Amaral é pouco saudável. Um discurso miserabilista, uma espécie de passeio às arrecuas de consequências duvidosas.
      Não cabe aqui um argumentário que facilmente contradiga esse tipo de posições. No entanto, enquanto os analistas especulam sobre um cenário possível que pouco ou nada os afecta, o professor português prescreve uma receita que em muito iria condicionar a vida dos portugueses por longos anos. (E uma coisa é analisar e outra coisa é prescrever…)
      Sem ser um catedrático na matéria, acho que uma simples simulação da saída do euro acompanhada de uma forte desvalorização da moeda nacional nos mostra que seria necessária uma reconversão drástica da economia (serviços, produção, importação, exportação, etc.) e distanciar-nos-ia ainda mais do mundo. Ainda que fosse uma solução, mesmo que retrógrada, os resultados levariam largos anos a aparecer.
      Para o bem e para o mal resta-nos apostar que os especialistas queimem os neurónios para fazerem luz em vez de maldizerem a escuridão!
      Agradeço de igual modo.

      • Carlos Fonseca says:

        Caro M. Ralha,
        Parece-me, pelo texto, que está interessado em discutir pessoas, em vez de ideias.
        Nem sequer tenho tempo, nem me esforço nesse sentido. Há mais vida para além de polémicas sem sentido.


        • Não vejo que “pessoas” é que eu esteja interessado em discutir!
          Não pode, de maneira nenhuma, inferir isso das minhas palavras.
          O que tentei dar a entender, pegando nas pessoas que avançou no artigo e nos respectivos pontos de vista, tem a ver com a minha apreensão sobre a saída de Portugal do euro e a subsequente desvalorização da moeda. Acho que isso fica claro nos meus comentários. A pessoa de Ferreira do Amaral surgiu por ter sido usada por si e por ser uma referência de determinada ideia. Em nome de quê é que eu estaria interessado em discutir pessoas!? Ora, ora, que argumento esfarrapado e sem sentido…
          Com a uma moeda nacional desvalorizada as importações (mais do dobro da exportações) aumentariam em flecha e o aumento da competitividade nas exportações não é de forma nenhuma linear. Portugal emprega na manufactura das suas exportações produtos igualmente importados. Como sabe, há grande escassez de matérias-primas e até a energia sairia muito mais cara. Acresce que também não é um dado adquirido que os credores estivessem interessados em facilitar a dívida de forma que conviesse unicamente aos portugueses.
          Em poucos anos a economia mundial mudou muito… O factor mão-de-obra já não é o que era. Portugal já não é um país rural. E nem sequer é um país de grande indústria.
          E depois, quanto lhe custaria um livro estrangeiro? Quanto teria de despender para um equipamento electrónico importado? Quanto lhe ficaria uma visita a um qualquer país do mundo?
          Sim, a via do empobrecimento tem diversas dimensões. Não nos distanciaríamos ainda mais do mundo, como referi anteriormente?
          Ora, ora pessoas. De que me interessam as pessoas para discutir estes assuntos, se nem as conheço?
          Vamos a ideias concretas! Não é citando uns quaisquer comentários de indivíduos que os fazem para ganhar a vida, quer tenham ou não pertinência, quer se exprimam ou não em linguagem entendível, que vamos convencer quem quer que seja da validade dos nossos argumentos.
          Nem sequer é com frases estereotipadas do tipo “há mais vida para além,…. etc” que vamos arrumar numa penada, com invocações estapafúrdias de situações inexistentes, alguém que deu a ensejo a se explicassem devidamente posições no mínimo ultraconservadoras e difíceis de aceitar.
          Ideias sim! Ideias consistentes.
          Essa é que é a polémica!

  4. MAGRIÇO says:

    Não sou economista e não gosto de falar do que não domino, mas apresentar o facto de alguém ter sido laureado com o prémio Nobel como argumento indiscutível é bastante equívoco. Lembro que Henry Kissinger, o maior desestabilizador da paz na altura, foi Nobel da Paz, e Milton Friedman, defensor acérrimo da economia privada que conduziu o Mundo ao seu estado económico actual, também foi um feliz contemplado com o mesmo prémio (pago com dinheiros público, uma vez que Alfred Nobel nunca instituiu qualquer prémio para esta categoria). A isenção e coerência da academia Sueca já são por demais conhecidos…

    • Carlos Fonseca says:

      Caro Magriço,
      Embora o meu texto pareça indiciar o contrário, partilho, em boa parte, da sua opinião. Fui também induzido pela notícia de que retirei o vídeo de Michael Spence, Nobel da Economia de 2011. Stiglitz e Krugman, mais pelo que dizem acerca da notória fragilidade do euro do que pelos méritos de laureados, foram citados a propósito da trajectória da divisa europeia.
      A questão central é saber se países como Portugal, a Grécia e eventualmente outros se mantêm no euro ou não. E. como os factos o provam, João Ferreira do Amaral, que não é Nobel, tem visto reforçada a razão na opinião do desastre da nosssa adesão.
      Obrigado pelo comentário,~
      CF

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