«Se não tivermos uma política comum de taxação das grandes empresas, vamos ter outros Luxleaks.

Jean-Claude Juncker bem pode pedir desculpas, mas a realidade é que quando ele foi primeiro-ministro do Luxemburgo permitiu que as grandes multinacionais pagassem 1% ou 2% em impostos no seu país, enquanto as pequenas e médias empresas em França ou na Alemanha pagam 20% ou 30%. Quando se governa assim o próprio país, como se pode pretender dar lições à Grécia sobre a modernização do seu sistema fiscal?»
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[Thomas Piketty a Isabelle Kumar/The Global Conversation | Euronews]

Europa austeritária: uma década de crescimento perdida

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«No final de 2017, com sorte alcançaremos o nível de PIB de 2007.»
[Thomas Piketty]

Thomas Piketty sobre o modelo alemão

de lidar com os refugiados. Aqui [em francês].

«Se a Europa deu consigo a criar uma moeda sem Estado em 1992

(…) foi porque esta resolução internacional foi concebida (…) no momento em que se pensava qe os bancos centrais tinham por única função a de ver passar os comboios (…). Foi assim que criámos uma moeda sem Estado e um banco central sem Governo. (…)» Thomas Piketty, O capital no século XXI

Manifesto para uma União Política do Euro

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«A União Europeia atravessa uma crise existencial, tal como no-lo lembrarão muito em breve e de forma inequívoca as eleições europeias. O facto afecta de forma especial os países da zona euro, mergulhados num clima de desconfiança e numa crise da dívida pública que está muito longe do seu termo, enquanto o desemprego persiste e a deflação espreita. Seria completamente errado pensar que o pior já ficou para trás.

Eis porque acolhemos com o maior interesse as propostas formuladas no final de 2013 pelos nossos amigos alemães do grupo de Glienicke visando um reforço da união política e orçamental dos países da zona euro. Estamos cientes de que os nossos dois países [Alemanha e França] terão um peso cada vez mais relativo no contexto da actual economia global. Se não nos unirmos a tempo de levar o nosso modelo de sociedade para a globalização, a tentação do fechamento nacionalista acabará sem dúvida por vingar, provocando frustrações e tensões que, por comparação, farão as dificuldades da união parecer coisa pouca.

A reflexão europeia está nalguns aspectos muito mais avançada na Alemanha do que em França. Economistas, políticos, jornalistas, e antes de mais cidadãos e cidadãs europeus, não aceitamos a resignação que actualmente paralisa o nosso país. A partir desta tribuna, queremos contribuir para o debate sobre o futuro democrático da Europa, levando mais longe ainda as propostas do grupo de Glienicke.

Zona euro: uma indefinição insustentável
É tempo de reconhecê-lo: as actuais instituições europeias são disfuncionais e devem ser repensadas. O que está em jogo é simples: é preciso que a democracia e o poder público possam retomar o controlo da situação, a fim de regular eficazmente o capitalismo financeiro globalizado do século XXI, e de tornar exequíveis as políticas de progresso social que hoje em dia estão cruelmente ausentes da vida dos europeus. [Read more…]

O capital no século XXI

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Thomas Piketty (n. 1971) é um economista francês que estuda os ciclos económicos numa perspectiva histórica e comparativa – isto é, séria e profunda, ao arrepio do horizonte curto (e tantas vezes meramente local) que parece bastar aos economistas do presente presentismo. É que apesar da tentativa de apagamento da memória (essa coisa muito pouco rentável do ponto de vista da uniformização presentista a que pretendem sujeitar um mundo que não nasceu hoje), o passado ainda serve para aprender. Nele residem as raízes, os começos do que herdámos, a explicação de quem somos, e que podemos também ver nos outros  (também ditos, com justeza, nossos semelhantes), espelhos da nossa humanidade.

Entre outras coisas, Thomas Piketty tem analisado as heranças materiais (o património material adquirido) como factor de desigualdade nas sociedades. Mas também os mitos do crescimento, os verdadeiros beneficiários das dívida públicas, as transfigurações da escravatura, as novas oligarquias, etc. Le capital au XXIème (Editions du Seuil, Setembro 2013), acabado de sair do forno e resultando de quinze pacientes anos de investigação, promete ser uma pedrada no charco lamacento dos actuais estudos económicos, tantas vezes rendidos ao fascinante mundo das oportunidades (ah, essa palavra) que transformariam pobres em ricos, e as actuais sociedades em lugares de grande e dinâmica mobilidade social.