Thomas Piketty sobre o modelo alemão

de lidar com os refugiados. Aqui [em francês].

Vale a pena pensar nisto!

fonte: eurostat

fonte: eurostat

Este mapa é elucidativo da percentagem de jovens de adultos europeus, com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos, que ainda vivem em casa dos seus pais.

O mapa evidência as manifestas diferenças de comportamentos entre os jovens do Norte e do Sul e os do Leste e do Oeste da Europa.

Em minha opinião, que é também partilhada por outros sociólogos, estas diferenças evidenciadas pelo mapa podem ser explicadas fundamentalmente pelas seguintes razões:

A primeira é que nos países mediterrânicos, como Portugal, a Itália e a Grécia, o valor família tem uma grande importância, sendo esta vista como um pilar fundamental da sociedade, por isso, não existe o estigma associado ao facto de um jovem adulto continuar a viver em casa dos pais.

A segunda é que a crise financeira em que a Europa tem estado mergulhada, nos últimos anos, é com toda a certeza também responsável por esta situação atendendo que os países que foram e continuam a ser mais atingidos pela crise têm coincidentemente números mais elevados de jovens adultos a viverem em casa dos seus pais.

Com base nestes dados, fornecidos pelo Eurostat, salienta-se a Eslováquia que tem a maior taxa de jovens adultos a viverem em casa dos seus pais, com um valor que atinge os 56,6%, por sua vez, a Dinamarca tem a menor taxa com apenas 1,8%.

Em comparação com estes dados dos paises europeus temos os EUA em que 13,9% da população, em análise, vive em casa dos pais.

Em Portugal 44,5% dos jovens adultos portugueses vivem ainda em casa dos seus pais. Estes números são também assustadores para o nosso País.

Estes dados deveriam merecer uma análise profunda dos politicos europeus, sendo que os politicos portugueses deveriam também olhar para este problema com muita preocupação, olhando para esta questão como estrutural da nossa sociedade.

Uma sociedade em que os jovens se autonomizam mais tarde será sempre uma sociedade mais envelhecida. A Europa vive num rigoroso ” inverno demográfico “, por isso, entendo que é  urgente que os políticos tomem medidas no sentido de rapidamente se inverter esta situação.

Portugueses em extinção

André Serpa Soares

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“Portugal pode perder até 4 milhões de habitantes”, até 2060. Nesse ano, cerca de 40% dos portugueses terão mais de 65 anos. Estas são as conclusões mais dramáticas de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos divulgado a semana passada pelo Expresso. Este assunto de máxima gravidade não parece ter preocupado grandemente a “Praça Pública”, entretida a discutir outras questões mais rascas.

Devemos juntar a este estudo um facto tão relevante como o de, nos últimos 4 anos, estimar-se que cerca de 400 mil portugueses abandonaram o País. Portugueses dos mais jovens – em idade fértil, portanto – e qualificados, note-se. Foram procurar lá fora o básico que Portugal não lhes dá: perspectivas de vida.

Já vamos aos que partiram e, eventualmente, desistiram de Portugal. Falemos primeiro dos que vão ficando.

Conforme se pode ver na imagem, os portugueses são os que mais horas por semana trabalham na Europa, logo a seguir aos gregos. Mas a verdade é que a nossa produtividade é miserável. Somos mandriões e maus trabalhadores? Merecemos tudo o que (não) temos e ainda pior? [Read more…]

Senhores capitalistas, seus acólitos neoliberais e beneficiários do sistema em declínio descontrolado:

acabou-se o «crescimento» “à maluca”.
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A demagogia demográfica

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Inventou-se um alvoroço porque os portugueses não se reproduzem, fodem mas não fazem, causa garantida para um Portugal em velhos, reformados para os quais teremos de trabalhar.

Não fodessem por abstinência, ou houvesse uma epidemia de infertilidades, era um problema.

O que temos é demagogia demográfica, investigada e publicada pela fundação Pingo Doce que por enquanto não pretende vender preservativos furados, e agora tomado como imperativo nacional pelo PSD, tipo esqueçam que agravámos todas as causas, estamos muito preocupados com as consequências.

Inventar dramas é compulsivo entre os praticantes da doutrina do choque, os que provocam não lhes chegam. O da quebra da natalidade e consequente envelhecimento da população é um bom exemplo, perfeitamente explicável e que a direita, responsável principal, decidiu transformar em catástrofe para vender contas poupança reforma.

Há uma quebra na natalidade? um crescimento da esperança de vida logo envelhecimento da população? Há, mas tem meio século: [Read more…]

Um país minguante

Está explicado o enigma de Montenegro: o país está muito melhor porque há cada vez menos pessoas.

Concursos de Professores avariam Crato

Vamos lá ver se a gente se entende:

– vai meter os contratados nos quadros ou há gente a mais?

E quanto à população, sugeria outras leituras.

Mas o que fica desta conversa do Sr. Ministro é: será que o chip está com problemas? Porque me parece que há aqui qualquer coisa que não bate certo…

Quando custa um aluno?

A pedido da comissão parlamentar de Educação, em Fevereiro do ano passado, o Tribunal de Contas está a terminar um estudo técnico sobre o custo que representa para o Estado cada estudante do ensino público.

Aqui

A propósito desse estudo, Guilherme d’Oliveira Martins adianta algumas conclusões, confirmando a existência de “profundas desigualdades” no que se refere ao custo dos alunos, conforme estejam em escolas do litoral ou do interior, em cidades ou em pequenas localidades. O reconhecimento destas e de outras assimetrias é fundamental para que as decisões sobre Educação alcancem a necessária solidez. [Read more…]

Educação: isso, agora, não interessa nada

O Paulo Guinote, em quatro textos (aqui, aqui, aqui e aqui), demonstrou que os argumentos demográficos que tornam desnecessários mais professores estão errados. Tudo começou com mais uma declaração infeliz do Primeiro-Ministro, logo secundado por Miguel Relvas e reforçado por Carlos Abreu Amorim, ainda com o apoio de insurgentes e outros marialvas defensores da reconversão, da emigração, da mobilidade como valores absolutos, contra as mariquices daqueles que se preocupam com a Educação e que, por isso, são simplesmente acusados de corporativismo. Um clássico, enfim.

Até ao momento, ninguém se insurgiu contra o estudo feito pelo Paulo Guinote (e gostaria de reforçar a palavra estudo), talvez porque decidiram, prudentemente, que o silêncio é a melhor defesa, depois de, imprudentemente, terem perdido tempo a escrever sobre temas que desconhecem, talvez aproveitando as preciosas informações de Michael Seufert, insurgente deputado do CDS que tanto tem perorado sobre Educação. Mais importante do que isso é, sem dúvida, exprimir saudades de Salazar.

Não tendo muito mais a acrescentar, remeto para outros textos que já escrevi (aqui, aqui e aqui), apenas para lembrar que, seja como for, o argumento demográfico é e será sempre insuficiente, porque as decisões sobre a necessidade de contratar mais ou menos professores vão e devem ir além disso, o que não é o mesmo que afirmar que é obrigatório garantir emprego a qualquer preço a todos aqueles que tenham formação para ser professor.

Em Portugal, decide-se, na maior parte das vezes, porque se decide que é preciso decidir alguma coisa. Com frequência, essas decisões assentam em critérios errados ou simplistas, o que vem a dar no mesmo. Há reflexões, contributos e estudos mais do que suficientes sobre Educação, continuamente ignorados e/ou ultrapassados por critérios alheios à vida das escolas. Enquanto isso acontecer, qualquer decisão sobre a necessidade de mais ou menos professores está inquinada e terá efeitos negativos sobre o futuro da Educação, mas isso, agora, não interessa nada, como diria Teresa Guilherme, numa frase que resume a filosofia política de quem tem andado pelo governo nos últimos anos.

Há professores a mais?

Dizem que sim, tenderá a haver porque a demografia isto, porque se fazem menos portugueses, aquilo. E assado. Será muito difícil perceber, seguindo os dados mais actualizados, que temos

matriculados no 3º ciclo 379229
alunos, mas no Secundário apenas 197582
igualmente distribuídos por 3 anos, o que dá um diferença de menos 181647?

É que o Secundário passa agora a obrigatório, ainda não se percebeu bem como mas passa, e não sendo de prever que esses 181647 concluam todos o 12º ano digamos que 150000 novos alunos precisam de uma data de professores, que podem muito bem ser recrutados entre os do 2º e 3º ciclo que entretanto  levam com a tal demografia, ou seja, se há ameaça de desemprego entre os professores nos próximos tempos tal vai acontecer no 1º ciclo, não vou sugerir que passem para o pré-escolar mas pessoalmente preferia lidar com bébés a viver sob o regime do Presidente Zédu.

A menos que Passos Coelho tencione suspender o Ensino Secundário obrigatório e o esteja a afirmar indirectamente, mas isso seria tão grave que não me atrevo a imaginar tanto.

Já agora, também não conheço o Paulo Guinote pessoalmente, e também não leio blogues. Constato é que os socretinos manipulavam números mas ao menos conheciam-nos, dos insurgentes passistas não se pode dizer o mesmo.