Um referendo para mim, um referendo para ti

Um grupo de pessoas vai entregar amanhã, na Assembleia da República, as 90.785 assinaturas que recolheram a favor de um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Acho muito bem que se façam referendos deste género. Aliás, sugiro que, por uma questão de custos e facilidade de agendamento, se marque, para o mesmo dia, um referendo sobre o casamento entre pessoas de sexo diferente. E outro sobre se os homens portugueses ainda podem usar bigode farfalhudo. Já agora, aproveitando o boletim, outro sobre se as mulheres podem ou não usar calças.

Poderia ser uma bela festa da democracia representativa. Colocávamos em cima da mesa dos analistas, comentadores, políticos e politiqueiros que temos por cá, a maioria uns inúteis, um rol de matérias relacionadas com liberdades individuais, colectivas, sociais.

Seriam, com toda a certeza, as mais animadas e engraçadas eleições que teríamos.

23 comentários em “Um referendo para mim, um referendo para ti”

  1. José, estas pessoas estão a exercer um direito civico e constitucional. Eu não subscrevi, nem gosto dos promotores, mas não podemos criticar as pessoas que exercem os seus direitos democráticos. Temos que transformar esta democracia parlamentar e balofa, numa participativa.

  2. Não penso, em absoluto, limitar os direitos de ninguém. Gosto da democracia participativa. Só há um detalhe que me causa uma certa estranheza, que é a vontade de referendar liberdades individuais e civis.

  3. José, eles estão a exercer um direito cívico e constitucional.É assim a democracia. Calcula tu, que um dia destes, queres ver aprovada na AR uma determinada liberdade. Podes reunir 75 000 assinaturas e exigires um referendo. E se os que não querem a tal liberdade, vierem com o teu argumento?
    Não podemos aceitar as regras que nos interessam e ignorar as que não nos interessam. Vivemos juntos…

  4. Luís, se for uma liberdade individual, de direitos e social, que não entre em choque com a liberdade dos restantes, nunca estarei contra. Essa é a diferença entre a minha posição e a daqueles que estão contra o casamento homossexual. Eu aceito essa liberdade.

    1. Embora não concorde com essas 90 mil pessoas, acho muito bem que elas lutem por aquilo que acham justo e que se reunam para tentar um referendo. Infelizmente para eles, a maioria de Esquerda vai chumbar a sua realização. Tanto trabalho em vão! Azarito!

        1. Sim. E a Constituição diz que os cidadãos podem propor um referendo e que a Assembleia da República aprova a sua realização.

    2. Mas eles consideram que têm um direito que não querem perder. Não comungarem com os gays um contrato que acham definidor de uma visão de sociedade. Certo/errado? O referendo vai dizer.

      1. Não, não vai haver referendo. Porque para haver referendo, a Assembleia da República teria de votar a favor da sua realização. E já sabemos o que é que a Assembleia vai decidir.

  5. Concordo literalmente com o José Freitas. O problema não está no referendo, um direito cívico e constitucional, mas no ridículo da matéria que enforma o referendo, ao pretender referendar a liberdade dos outros.

    1. Adão, não há matérias rídiculas. Há uma matéria que cidadaõs , constitucionalmente, têm direito de levar a um um referendo.A tua posição e a do José Freitas, acabam por negar esse direito constitucionalmente adquirido.

  6. Só para não ficar nos 13, não é a liberdade de se juntarem, e terem tudo igual, é manter uma denominação que é importante por uma parte da sociedade.Quase que digo, podem ..casar, desde que não lhe chamem casamento.

  7. Ai Luís, Luís….
    1. Casamento
    1.1 Casamento Civil
    1.2 Casamento Católico (o dito sacramento do matrimónio)

  8. Eu acho excelente que as pessoas se esforcem para reunir assinaturas que impeçam outros de obter os mesmos direitos. Acho uma manifestação democrática muito positiva.
    E em três semanas, imaginem! Esta gente abdicou das férias de Natal para recolher assinaturas… ao frio, à chuva, no intervalo da homilia… Já não há democratas assim

  9. Luis Moreira :
    Só para não ficar nos 13, não é a liberdade de se juntarem, e terem tudo igual, é manter uma denominação que é importante por uma parte da sociedade.Quase que digo, podem ..casar, desde que não lhe chamem casamento.

    Esta questão com o Luís já tem uns meses. O Luís acha que os homossexuais podem casar, desde que não se chame casamento. Eu acho que se devem poder casar, como os hetero. Para mim a questão do papel é importante? Não, mas se eles quiserem, devem poder tê-lo.
    Quanto à essência do tema, o referendo: que se façam todos os referendos, mas que se coloquem todas as liberdades individuais e sociais em causa; incluindo um referendo para saber se se devem continuar a fazer referendos sobre matérias de liberdades e direitos individuais e sociais.

  10. É gente com a qual nada tenho a ver mas têm esse direito. A Democracia é assim, temos que saber viver em Democracia!As regras democráticas são para serem cumpridas. Mas agora noto que há aqui muitas vozes que se têm manifestado, e bem, quando as regras democráticas não são aplicadas…

  11. Carla, isso só mostra que há gente que considera importante o casamento, o que não é o meu caso, insisto! Sou divorciado há vinte e tal anos…

  12. Luis Moreira :
    Carla, isso só mostra que há gente que considera importante o casamento, o que não é o meu caso, insisto! Sou divorciado há vinte e tal anos…

    E não tenha dúvidas que, caso haja casamento homossexual, também haverá divórcios. Como nos casamentos hetero. E também não tenha dúvidas que, quando os houver (os divórcios) algumas vozes – repletas de parvoíce – vão gritar para quem os quiser ouvir: “Oh, quiseram o casamento para isto, para se divorciarem… Tanta coisa com o casamento e agora é o que se vê. Se era para isto, nem se casavam”.
    Alguém tem dúvidas que será assim?

  13. há gente que considera o casamento importante por isso deixem-nos casar… o futuro do casa/descasa a eles pertence

    90.785… sei bem o que se passou na “minha Igreja”… foi mais ou menos uma caça à assinatura que rondou o ridículo. Andei por Lisboa a ver o que se passava noutras Igrejas e o cenário era semelhante: obediência cega, surda, muda… com direito a ” subir mais um degrau para o tal lugarzinho no paraíso”

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