Um referendo para mim, um referendo para ti

Um grupo de pessoas vai entregar amanhã, na Assembleia da República, as 90.785 assinaturas que recolheram a favor de um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Acho muito bem que se façam referendos deste género. Aliás, sugiro que, por uma questão de custos e facilidade de agendamento, se marque, para o mesmo dia, um referendo sobre o casamento entre pessoas de sexo diferente. E outro sobre se os homens portugueses ainda podem usar bigode farfalhudo. Já agora, aproveitando o boletim, outro sobre se as mulheres podem ou não usar calças.

Poderia ser uma bela festa da democracia representativa. Colocávamos em cima da mesa dos analistas, comentadores, políticos e politiqueiros que temos por cá, a maioria uns inúteis, um rol de matérias relacionadas com liberdades individuais, colectivas, sociais.

Seriam, com toda a certeza, as mais animadas e engraçadas eleições que teríamos.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    José, estas pessoas estão a exercer um direito civico e constitucional. Eu não subscrevi, nem gosto dos promotores, mas não podemos criticar as pessoas que exercem os seus direitos democráticos. Temos que transformar esta democracia parlamentar e balofa, numa participativa.


  2. Não penso, em absoluto, limitar os direitos de ninguém. Gosto da democracia participativa. Só há um detalhe que me causa uma certa estranheza, que é a vontade de referendar liberdades individuais e civis.

  3. Luis Moreira says:

    José, eles estão a exercer um direito cívico e constitucional.É assim a democracia. Calcula tu, que um dia destes, queres ver aprovada na AR uma determinada liberdade. Podes reunir 75 000 assinaturas e exigires um referendo. E se os que não querem a tal liberdade, vierem com o teu argumento?
    Não podemos aceitar as regras que nos interessam e ignorar as que não nos interessam. Vivemos juntos…


  4. Luís, se for uma liberdade individual, de direitos e social, que não entre em choque com a liberdade dos restantes, nunca estarei contra. Essa é a diferença entre a minha posição e a daqueles que estão contra o casamento homossexual. Eu aceito essa liberdade.

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Embora não concorde com essas 90 mil pessoas, acho muito bem que elas lutem por aquilo que acham justo e que se reunam para tentar um referendo. Infelizmente para eles, a maioria de Esquerda vai chumbar a sua realização. Tanto trabalho em vão! Azarito!

      • Luís Moreira says:

        Mas é bom que as pessoas exercitem os seus direitos. E a Constituição é para ser seguida.

        • Ricardo Santos Pinto says:

          Sim. E a Constituição diz que os cidadãos podem propor um referendo e que a Assembleia da República aprova a sua realização.

    • Luís Moreira says:

      Mas eles consideram que têm um direito que não querem perder. Não comungarem com os gays um contrato que acham definidor de uma visão de sociedade. Certo/errado? O referendo vai dizer.

      • Ricardo Santos Pinto says:

        Não, não vai haver referendo. Porque para haver referendo, a Assembleia da República teria de votar a favor da sua realização. E já sabemos o que é que a Assembleia vai decidir.


  5. Concordo literalmente com o José Freitas. O problema não está no referendo, um direito cívico e constitucional, mas no ridículo da matéria que enforma o referendo, ao pretender referendar a liberdade dos outros.

    • Luís Moreira says:

      Adão, não há matérias rídiculas. Há uma matéria que cidadaõs , constitucionalmente, têm direito de levar a um um referendo.A tua posição e a do José Freitas, acabam por negar esse direito constitucionalmente adquirido.

  6. maria monteiro says:

    Pois é isso mesmo Adão

  7. Luis Moreira says:

    Só para não ficar nos 13, não é a liberdade de se juntarem, e terem tudo igual, é manter uma denominação que é importante por uma parte da sociedade.Quase que digo, podem ..casar, desde que não lhe chamem casamento.

  8. maria monteiro says:

    Ai Luís, Luís….
    1. Casamento
    1.1 Casamento Civil
    1.2 Casamento Católico (o dito sacramento do matrimónio)

  9. Carla Romualdo says:

    Eu acho excelente que as pessoas se esforcem para reunir assinaturas que impeçam outros de obter os mesmos direitos. Acho uma manifestação democrática muito positiva.
    E em três semanas, imaginem! Esta gente abdicou das férias de Natal para recolher assinaturas… ao frio, à chuva, no intervalo da homilia… Já não há democratas assim


  10. Luis Moreira :
    Só para não ficar nos 13, não é a liberdade de se juntarem, e terem tudo igual, é manter uma denominação que é importante por uma parte da sociedade.Quase que digo, podem ..casar, desde que não lhe chamem casamento.

    Esta questão com o Luís já tem uns meses. O Luís acha que os homossexuais podem casar, desde que não se chame casamento. Eu acho que se devem poder casar, como os hetero. Para mim a questão do papel é importante? Não, mas se eles quiserem, devem poder tê-lo.
    Quanto à essência do tema, o referendo: que se façam todos os referendos, mas que se coloquem todas as liberdades individuais e sociais em causa; incluindo um referendo para saber se se devem continuar a fazer referendos sobre matérias de liberdades e direitos individuais e sociais.

  11. Luis Moreira says:

    É gente com a qual nada tenho a ver mas têm esse direito. A Democracia é assim, temos que saber viver em Democracia!As regras democráticas são para serem cumpridas. Mas agora noto que há aqui muitas vozes que se têm manifestado, e bem, quando as regras democráticas não são aplicadas…

  12. Luis Moreira says:

    Carla, isso só mostra que há gente que considera importante o casamento, o que não é o meu caso, insisto! Sou divorciado há vinte e tal anos…


  13. Luis Moreira :
    Carla, isso só mostra que há gente que considera importante o casamento, o que não é o meu caso, insisto! Sou divorciado há vinte e tal anos…

    E não tenha dúvidas que, caso haja casamento homossexual, também haverá divórcios. Como nos casamentos hetero. E também não tenha dúvidas que, quando os houver (os divórcios) algumas vozes – repletas de parvoíce – vão gritar para quem os quiser ouvir: “Oh, quiseram o casamento para isto, para se divorciarem… Tanta coisa com o casamento e agora é o que se vê. Se era para isto, nem se casavam”.
    Alguém tem dúvidas que será assim?

  14. maria monteiro says:

    há gente que considera o casamento importante por isso deixem-nos casar… o futuro do casa/descasa a eles pertence

    90.785… sei bem o que se passou na “minha Igreja”… foi mais ou menos uma caça à assinatura que rondou o ridículo. Andei por Lisboa a ver o que se passava noutras Igrejas e o cenário era semelhante: obediência cega, surda, muda… com direito a ” subir mais um degrau para o tal lugarzinho no paraíso”

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