SUCESSOS DE LISBOA, E DE ROMA

Foi um sucesso a cimeira da Nato em Lisboa , sobretudo, porque conseguiu lograr uma desejável parceria com a Russia, encerrando assim definitivamente, a porta da guerra fria,que na verdade terminou com a implosão da União Soviética e a queda do muro de Berlim.A partir daí a globalização neoliberal que já vinha a caminho , acelarou-se, de forma celerada,como a estamos agora a conhecer,com um mundo unipolar.

Também foi um sucesso de Lisboa a melhor coordenação que, finalmente, parece ter sido conseguida entre a União Europeia e os EUA, com resultados imediatos visíveis, ao decidir se preparar, em pouco tempo, a saída, de forma faseada das tropas da Nato do Afeganistão, e um díalogo mais intenso entre estas duas regiões fulcrais para o mundo.
Sucesso também a nível internacional para o governo de Sócrates, por ter conseguido organizar com êxito, um evento global tão importante, que colocou Portugal por uns dias, nos os écrans de todo o mundo, promovendo a nossa imagem de forma positiva. Sócrates saiu -se bem e mostrou-se um líder com capacidades internacionais, malgrado o desastre social que se passa, agora, a nível interno em Portugal.
Sucesso para a organização da polícia portuguesa que conseguiu, sem ter os anunciados meios necessários que os anarquistas e radicais provenientes de vários países europeus, preparados para acções violentas, fossem travados e impedidos de realizar os desmandos que desfiguraram outras cimeiras europeias. Também isso deixou uma boa imagem de Portugal, e o turismo agradece.

Sucesso relativo para o PCP e Bloco de Esquerda que conseguiram reunir na capital, cerca de 9 mil militantes e simpatizantes, para protestar contra a Nato e os EUA que elegeram como inimigos principais. Exigem a sua retirada imediata, do Afeganistão, do Iraque e Paquistão, territórios onde os fundamentalistas islâmicos, Al Queda, e cartéis internacionais da droga têm perigosos santuários e procuram armamentos sofisticados, inclusivé bombas atómicas, para atacar o Ocidente .

Recorde- se, que uma das suas reivindicações é a reconquista da Península Ibérica, em nome dos direitos históricos do emirato de Córdova, época de ouro da civilização islâmica no Ocidente, há cerca de mil anos .

Ainda em Portugal, há que louvar as palavras esclarecidas e esclarecedoras de João Cravinho, ex-ministro socialista, que denunciou que Portugal pensou que “poderia não ser atingido pela crise, e levou até Março de 2010 a perceber, o que era perfeitamente antecipável”. E, acrescentou que “há muito boa gente com altíssimas responsabilidades que ainda não percebeu” o que está a acontecer, o que é muito pior . Estamos agora a pagar com os problemas da dívida soberana, esse assobiar para o lado, sem falar em algumas tentações em que o governo caíu para ganhar eleições.

O pior é que não nos conseguimos desfazer dessa “boa gente” que não percebe o que se está a passar, e continua a defender receitas que já não dão quaisquer resultados, para continuarem a viver à tripa forra às custas do Estado, ou seja, à custa dos cidadãos .
Justamente por isso, e muito mais , ou seja procurar novos caminhos , é benvinda a greve geral que as duas centrais sindicais,CGTP e UGT preparam para o dia 24,e que começa às 8 da manhã, na Auto Europa em Palmela.

Enfim, dando um salto para Roma, também fizeram sucesso as palavras do Papa Bento XVI relativamente ao uso dos preservativos, sobretudo no caso da prostituição, por causa da transmissão da Sida. Os católicos viram nisso uma promessa de entrada da Igreja na modernidade, mas em Portugal os padres, habitualmente conservadores, mantiveram um “prudente silêncio” sobre a questão.

Parece simultaneamente um passo em frente, e para o lado. Só o bispo das forças armadas, D. Jorge Torgal, se congratulou com este avanço do discurso pontifício, e os católicos do movimento “nós somos igreja”, também se mostraram contentes.

Certamente será mais fácil à Igreja abrir as portas a isto, do que ao casamento gay ou à consagração de mulheres como padres, numa estrutura profunda e religiosamente machista e misógena, de séculos.

Comments


  1. Não discuto o “sucesso” da cimeira e o que isso pode significar, são tudo coisas muito subjectivas e no fim de contas de muito pouca importância. No entanto quando chegas ao ponto seguinte a narrativa é um bocado distorcida:

    Exigem a sua retirada imediata, do Afeganistão, do Iraque e Paquistão, territórios onde os fundamentalistas islâmicos, Al Queda, e cartéis internacionais da droga têm perigosos santuários e procuram armamentos sofisticados, inclusivé bombas atómicas, para atacar o Ocidente.

    Quanto ao à produção e tráfico de droga lembrar que os talibam tinham eliminado estas práticas quase completamente. Com a entrada dos EUA e NATO a reboque a produção voltou aos níveis normais. Há inclusive persistentes rumores que apontam o presidente Karzai como master puppeteer destes negócios.

    Depois parece que esqueces que a entrada no Afeganistão foi uma reacção directa ao 9/11, especificamente para capturar aqueles que planearam e financiaram este ataque terrorista – nada mais. Quando falo disto gosto sempre de lincar a página do FBI onde se anuncia a recompensa pela captura do amigo Bin Laden – onde não há referências ao 9/11 e de lembrar o facto dos supostos terroristas serem todos do Reino da Arábia Saudita – e de terem sido financiados por sauditas… Digamos que é muito revelador…

    Quanto às bombas atómicas elas existem sim senhor. Estão nas mãos dos paquistaneses e dos israelistas. Espero que não venham a ser usadas tão cedo…

    A Operation Iraqi Liberation tinha um nome demasiado revelador. Aqui a narrativa era a necessidade de libertação do povo Iraquiano. Sabemos todos no que isso deu. Os motivos para a guerra ofensiva não declarada tb foram mudando. Deviam ter começado por libertar por exemplo um qualquer país centro africano (tb têm ditadores e falta de liberdade…) – para treino. É verdade, estes têm pouco petróleo – engano meu. Mas enfim, ao menos a NATO não está aqui metida. Falo nisto pq um dos motivos eram as armas de destruição massiça que em 2002 todos os inspectores diziam não existir – mesmo assim isto foi usado como pretexto para a guerra.

    Só para concluir. Julgo que as alusões que fazes a fantasmas e ameaças são subversivos e enganadores. Os objectivos estratégicos para a presença de forças ocidentais no médio oriente e região do Cáucaso são claros e consensuais. Não vale a pena inventar espantalhos. A sério vamos ser invadidos pelo pessoal do Norte de África? – e a nossa presença a 6500km vai evitar isso – ora favas!

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