Amizade

amizade 

Amizade, sentimento entendido melhor pelas crianças que pelos adultos. Historicamente, foi usado pelos liberais do Século XVIII. Hoje em dia, há dois significados: ganhar distância ao falar com um desconhecido; ou agir até à exaustão para quem queremos. Amizade e parentesco, conceitos ou emotividades que podem andar muito perto. Ou sentimento que faz alguém sentir-se parte da família. Uma unidade de dois ou mais, para o

auxílio, a colaboração e o apoio. Com mudanças. Como fazem as crianças: o sentimento mais profundo dos mais novos, é mutável com a vizinhança, a intimidade dos pais ou familiares, pelo interesse que possa ter nos assuntos dos outros. A amizade é um sentimento variável quando não há interesse na pessoa, mas sim nas qualidades ou nas posses dessa pessoa. O amigo, é o ser humano que tudo entrega, até o sacrifício de bem-estar pessoal, para a felicidade do outro, reside na intimidade, não trai, guarda as confidências e acompanha sempre. Adultos e crianças agem da mesma maneira tendo em conta o bem do outro, que entrou na sua vida sem nada pedir, sem nada procurar, ainda menos, exigir. A confiança ou lealdade, caracteriza o sentimento da amizade. Amigo, no dizer de Petronius, no ano 66 antes da nossa era, no seu texto latino O Satiricon (Net), árbitro das nossas ideias, sentimentos e opções. Coloca-se, por sentimento de lealdade, esse amigo de fora a observar com respeito e amor, pode não se envolver na intimidade. Diz Petronius: o amigo não adula: acompanha; o amigo não é irónico: aconselha; o amigo é profundamente cumpridor da sua palavra, do seu compromisso com a pessoa definida dentro do processo de Amizade. O amigo não mente, não engana, não deita fora: vê, ouve e cala e apenas diz, se for perguntado. Milhares de textos, poemas e ideias têm sido ditas sobre o sentimento de que falamos. Nem todos podem ser pensados dentro deste pequeno texto. Mas, o mais importante da Amizade, é nunca magoar a pessoa que acompanha a nossa vida ou actividades. Criança, o que podemos dizer-te sobre estes dois amigos que partiram na mudança de 2005 para 2006, de forma a poderes entender? Sabes, Porque, às vezes, Amizade implica zanga, mágoa, autoridade, desprezo. Será? Na intimidade do sentimento, o amigo pode bater e falar mal do outro? Será que tu fazes isso para repetir comportamentos de adultos? Não esqueças: o amigo beneficia, em silêncio, ao outro, quando acompanha nos momentos mais pesados da vida. Como diz Roland Barthes em 1977, Seuil, Paris: a amizade tem contingências, incidentes, inquietações, futilidades, hábitos de existência apaixonada…. Ideia não entendida pelo Steven Stoer, o meu amigo já falecido, e por mim. Falámos imenso. Ensinámos muito, também em companhia de Maria Luiza Cortesão. A sua família foi também a minha. Um dia disse-me: “ E se fizéssemos uma Revista de Educação”? Andámos 5 meses à procura de Editor e de Estatutos. Quando já éramos um número significativo de cientistas, organizámos a Associação de Antropologia e Sociologia de Educação. A Revista continuou, porém, eu já não fazia parte do grupo. Nunca mais vi ao Steven.

Outra prova de amizade, e Lili Bell, quem colaborara na fundação, esta segunda mãe das minhas filhas, estava na Grã-Bretanha, no dia em que partiu e nos deixara sós no mundo. As minhas filhas e a minha mulher, nada disseram, mas prepararam os devidos rituais, bem com um cravo vermelho a explicitar a minha ausência por causa de doença. Steven também teve o seu cravo vermelho, a simbolizar a colaboração mútua com ele e a sua equipa.

Amizade. Esse sentimento materializado na vida romântica de que falo no começo do texto. Ela existe quando há lealdade, carinho, os senão são entendidos, a arrogância e a hierarquia que manda e não entende é afastada. A Amizade acolhe, não lança mentiras sobre factos, não tira proveito dos que querem acompanhar e colaborar. O melhor exemplo é o da minha mulher que tomou conta da sua amiga até ao derradeiro segundo da sua vida.

Gabriela Mistral, Chilena, Prémio Nobel de Literatura em 1945, que habitou em Lisboa, diz: “Piececitos de niño, azulosos de frío, ¡cómo os ven y no os cubren, Dios mío!” É o que temos tentado fazer todos nós. Com maior ou menos sucesso e vários desentendimentos, mas sempre corrigidos à Barthes…

 

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