Feios, porcos, maus e tijolos

Feios, Porcos e Maus,  obra-prima de  Ettore Scola, passa hoje na televisão por enquanto pública.

Entretanto parece que os Porcos foram ultrapassados pelos Maus (sim, tudo é relativo) e os Feios começam a meter ordem nestas coisas. Ainda bem que a China tem excelentes cineastas (nem sempre na cadeia) e a Índia não é só o que parece, também no cinema.

As guerras do canal de distribuição e das moedas (1)

A China fez hoje saber que a sua agência de notação financeira desconfia da capacidade dos EUA para pagarem as suas dívidas e recomenda-lhes cautela, particularmente no que respeita os gastos militares, que é como quem diz, tenham juízo e deixem de intervir nos conflitos mundiais. Sendo a China o maior credor dos EUA, esta mensagem vai muito para além do aviso.

Até há poucos anos poderio militar e económico eram sinónimos mas essa realidade tem sofrido considerável mutação. Neste momento, o ocidente continua com o domínio do poder militar mas perde a passos largos o poder económico. Já o oriente está na situação inversa, ainda sem o domínio militar mas, claramente, em vantagem na questão económica.

Existe um sério risco do ocidente tentar puxar o fiel da balança para o seu lado usando o poder que ainda controla. Cada desvalorização dos ratings das dívidas é mais um empurrão para a guerra. Esperam-nos tempos conturbados.

(continua)

A arte de bem cortar toda a árvore

A técnica para desmantelar serviços públicos e a capacidade estratégica do Estado é muito semelhante ao corte de uma árvore de tamanho razoável.

O Nuno Serra, qual lenhador experimentado, explica o como e o porquê.

Privatiza, filho, privatiza

O Ministro da Caridadezinha anunciou a entrega de mais “40 equipamentos sociais do Estado” ao sector privado.

 O Estado não tem vocação para dirigir”, disse Pedro Mota Soares

O sector privado da caridadezinha explica:

Manuel Lemos, da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), (…), considera positiva a aposta do governo na capacidade de resposta do sector social. ” (…) Não se trata de dizer que a gestão pública é má, mas é uma máquina diferente.” Como exemplo, aponta as burocracias naturais a que têm de obedecer as respostas na dependência da Segurança Social. “Quando precisamos de ir comprar umas pilhas, vamos. Numa estrutura que faz parte da máquina do Estado é natural que seja preciso cumprir toda uma série de procedimentos.”

Eu traduzo: no estado compram-se as pilhas ao fornecedor que apresentar melhor oferta, no velho binómio qualidade/preço. Nas Misericórdias compram-se as pilhas ao amigo mesário que generosamente se fará pagar mais e oferecendo menor qualidade.

Por motivos profissionais vasculhei em tempos os arquivos de várias Misericórdias portuguesas. Ao longo dos séculos, em todas, figuravam nas actas trafulhices sistemáticas, roubos vários, gamanços puros. Nas actas, imaginemos o que nunca chegou ao ponto de revoltar a irmandade…

A livreira anarquista

Um retrato de família. Muito mais para ler e ver na excelente Livreira Anarquista. É do melhorio.

Assim se delapida um país

Infelizmente neste país não faltam exemplos de delapidação do erário público no interesse de grupos privados. O caso do BPN é apenas mais um, mas possivelmente um dos mais escandalosos de sempre, sendo um dos melhores exemplos da maior degenerescência da nossa democracia: a promiscuidade entre a política e os negócios privados.

Um grupo económico cria um banco por onde passam muitos milhões de Euros em negócios ruinosos para a própria instituição bancária. Dir-se-ia que o banco se assaltou a si mesmo. O que não é difícil pois a história já provou que os maiores assaltos não se fazem de arma de fogo em punho, mas sim com uma simples caneta. [Read more…]

Água: contratos forçados decididamente, não!